segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

FAZ-NOS BEM AO EGO

             Portugal eleito o sexto país mais bonito do mundo
O nosso país aparece em sexto lugar no ranking feito pelo site UcityGuides dos países mais bonitos do mundo.
A selecção feita pelo site UCityGuides, um portal turístico, destaca vários sítios que são imperdíveis de visitar e conhecer por quem visita o nosso país. Entre eles aparecem “as maravilhas naturais e puras do vulcânico arquipélago dos Açores”, o “jardim flutuante” (Madeira), a “impressionante” costa atlântica e os cabos “místicos” da costa continental. São também destacados, como não poderia deixar de ser, o Parque Nacional da Peneda-Gerês e as aldeias medievais de Marvão e Monsaraz..

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM

                                    DEFICIÊNCIA E VIDA INDEPENDENTE
Estive neste sábado num debate sobre deficiência e vida independente. É incrível como em pleno século XXI ainda tenhamos de debater o direito de milhares de portugueses e portuguesas a usufruir de liberdade e auto-determinação. Mas a verdade é que há muito a fazer no nosso país neste domínio.
As pessoas com deficiência constituem a maior minoria no mundo e em Portugal. Falamos de pessoas que se veem constantemente privadas de escolher onde viver, com quem viver, o que comer, o que vestir, com quem sair ou o que fazer com o seu tempo livre. Pessoas que não são donas da sua vida, que apenas encontram nas instituições particulares uma resposta, que culmina na inevitável institucionalização. O Estado há muito delegou nestas instituições um papel que deveria ser seu: o de proteger e garantir os direitos constitucionais a estes cidadãos e cidadãs.
Ainda que muitas instituições tenham um papel meritório, a necessidade de outro tipo de respostas é urgente. Um dos aspectos mais prementes é a possibilidade das pessoas com deficiência poderem contratar assistentes pessoais que lhes garantam a possibilidade de viver em verdadeira liberdade. Estes assistentes deverão auxiliar nos cuidados pessoais, mas também nas deslocações, na mediação sócio-laboral, na educação, no apoio à participação em actividades de lazer e cultura, na organização da vida diária, na participação cidadã, enfim, em qualquer aspecto que a pessoa tenha necessidade de apoio. Se cada um dos cidadãos sem deficiência tem livre acesso ao controlo da sua vida, então também as pessoas com deficiência terão de o ter.
Está actualmente em discussão pública o modelo de apoio à vida independente lançado pelo Governo e que pretende a instituição de projectos-piloto que se traduzirão na disponibilização de assistência pessoal para as pessoas com deficiência. Ainda que seja uma boa notícia, o modelo apresentando traz consigo várias lacunas e problemas de fundo. Em primeiro lugar, não parece que esta assistência pessoal possa chegar a todas as pessoas que requeiram, dando-se privilégio aquelas que já têm emprego ou que já constituíram família. Ainda que se compreenda que numa primeira fase, e especialmente num projecto-piloto, a assistência pessoal não chegue a todos, parece bastante injusto que se privilegiem as pessoas que já organizaram a sua vida e que já têm recursos próprios. Em segundo lugar, é incompreensível que os Centros de Apoio à Vida Independente apenas possam estar sediados em Instituições Particulares de Solidariedade Social. Se pretendemos caminhar para a progressiva desinstitucionalização, e se queremos testar vários modelos, seria de esperar que estes Centros pudessem, à imagem dos países do norte da europa, existir também no seio das autarquias ou outros serviços públicos ou em organizações de pessoas com deficiência. Em terceiro lugar, é um modelo que permite um máximo de 40 horas semanais de assistência pessoal por pessoa. Ora, a pessoa com deficiência não apresenta incapacidades apenas 7 horas por dia, nem tão pouco se pode exigir que concentre nesse período todas as suas necessidades de apoio à vida diária ou de participação cidadã. A assistência pessoal não poderá ter limite de tempo, ainda que obviamente possa vir a ser repartida por vários assistentes.
Estamos a caminhar, mas falta muito por fazer. E como diria o nosso Zeca, que já partiu há 30 anos, temos que ser gente pá! Temos todos que ser gente!
Até para a semana!

Bruno Martins

POETAS DA MINHA TERRA - Jerónimo Major

                                                           IMAGENS do ALENTEJO !!
                              E dois “guardas” que não se entendem…

                                                                           Pela estrada d’alcatrão
                                                                               Ovelhas a passear…
                                                                              Mas logo veio o azar!...
                                                                             Uma contra ordenação.
                                                                           “Mas eu vou na minha mão”…
                                                                                 Diz o pastor desolado.
                                                                       “Mas vai ter que ser multado”:
                                                                           Diz o guarda e vai explicar…
                                                                        “Não tenho dinheiro p’ra pagar”…
                                                                              “Vai ter de vender o gado”!

VASCULHAR O PASSADO

      Uma vez por mês Augusto Mesquita recorda-nos pessoas, monumentos, tradições usos e costumes de                                                                             outros tempos

                    Barragem dos Minutos foi inaugurada há 15 anos 

As barragens foram, desde o início da história da Humanidade, fundamentais ao desenvolvimento dos países. A sua construção deveu-se sobretudo à escassez de água no período seco, e à consequente necessidade de armazenamento da água da chuva. Estas represas, feitas com madeira, terra, pedra ou betão, servem actualmente para reter água para fins domésticos, industriais e de rega, regularização de um rio, navegação, ou ainda, à produção de energia eléctrica.
            Em Dezembro de 1945 os Ministro das Obras Públicas Augusto Cancela de Abreu em colaboração com o Ministério da Economia dirigido por Clotário Supico Pinto publicaram um conjunto de elementos sobre o Plano de Valorização e Rega do Alentejo.
            Desse estudo contavam todas as obras que numa primeira apreciação, se anteviam como factíveis e nela se incluía, numa primeira e ainda vaga apreciação, a obra a realizar nas linhas de água que atravessam a Herdade dos Minutos.                                                                                                 Esta obra de hidráulica, foi dimensionada muito aquém das suas actuais possibilidades e suscitou algumas divergências por parte das entidades que sobre ela se debruçaram, sendo de admitir que um voto ao tempo desfavorável por parte do Conselho Superior de Obras Públicas tenha contribuído para a preterir   em matéria de realização a curto prazo.                                                                                                                           
Quase duas décadas depois, em 23 de Agosto de 1964 o Semanário Regionalista “O Montemorense” colocou na primeira página a seguinte notícia: Tudo leva a crer que vai começar em breve a construção da Barragem dos Minutos, por alturas da Amoreirinha, a uns 6 quilómetros desta vila de Montemor. O Município requereu também aos Serviços Hidráulicos a construção do “Espelho de Água” abaixo da Ponte de Évora, em ligação e dependência com a citada Barragem. Seria uma espécie de praia fácil, prática e ao alcance da população montemorense de todas as condições sociais, bem como dos turistas.                                                                                                                   Por deliberação de 3 de Novembro de 1966 a Câmara Municipal de Montemor-o-Novo solicitou ao Ministro das Obras Públicas a construção da Barragem, e o Grupo dos Amigos de Montemor-o-Novo logo após a sua fundação em 18 de Julho de 1967, incluía a Barragem dos Minutos no quadro das suas preocupações, tendo reunido com o Director Geral dos Serviços Hidráulicos e com os seus principais colaboradores.                                                                                          Estas tentativas, tanto do Município como do GAM, não resultaram, e as entidades montemorenses acomodaram-se.
            Após a “Revolução dos Cravos” a Vila Notável cresceu rapidamente, e esse crescimento obrigou os responsáveis autárquicos à abertura de furos artesianos, uma vez que no período do verão as restrições no abastecimento de água eram frequentes. Em 1981, na área do Almansor e dos Cavaleiros abriram-se 3 furos, conseguindo-se mais 24 000 litros/hora. No mesmo ano, através da Amoreira da Torre, foram abertos nesta herdade 3 furos, que fornecem 60 000 litros/hora. Estes novos contributos vieram atenuar a falta do precioso líquido.
            Porque a solução definitiva passa pela água de superfície, por iniciativa do município, em 30 de Outubro de 1992 realizou-se no Convento de S. João de Deus, um Encontro sobre a Barragem dos Minutos.                                                                                        
            Em 18 de Outubro de 1994 o Sr. Presidente da Câmara Municipal, Dr. Carlos Pinto de Sá, participou a convite do Instituto da Água, numa reunião nas suas instalações. Foi dado conhecimento que em 1995 o I. A. vai proceder à actualização do projecto da Barragem bem como ao estudo do impacto ambiental.                                                                                                                        
            Onze meses depois da reunião realizada no I. A., e com o objectivo de avivar a memória dos responsáveis, a Câmara Municipal distribuiu na Festa das Colheitas/Feira da Luz de 1995 e na Avenida Gago Coutinho, garrafas de água vazias com o seguinte rótulo: “Sem a Barragem dos Minutos, esta é a água que temos”, (guardo-a religiosamente).
            Nos governos de António Guterres, o nosso conterrâneo Luís Capoulas Santos foi Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural de 1995 a 1998, ano em que passou a Ministro da Agricultura. A presença do nosso concidadão no Ministério da Agricultura serviu de tónico para o recomeço da luta pela Barragem dos Minutos.
            Realizaram-se vários encontros relacionados com a construção da Barragem dos Minutos, e foi criada a Comissão Concelhia para a Defesa da Construção da Barragem, composta por um representante da Câmara Municipal, outro da Assembleia Municipal, das Juntas de Freguesia, e ainda, da COPRAPEC, da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Montemor-o-Novo, da Firma José Joaquim Cornacho & Filhos, Ld.ª e da UCP Cravo Vermelho.                                                                  Em 26 de Fevereiro de 1996, o nosso conterrâneo Capoulas Santos, efectuou o Despacho que a seguir se transcreve:                                                                                                                Despacho n.º 29/96 do Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural              
1. Nos termos dos Decretos – Leis n.º.s 269/82 de 10/7 e 47/94 de 22/2, nos aproveitamentos hidráulicos de fins múltiplos, são da responsabilidade do Ministério do Ambiente, as estruturas hidráulicas primárias (barragem, canal condutor geral e estações de tratamento) e do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, designadamente a rede de rega, as redes de enxugo e drenagem, a adaptação ao regadio, a defesa e conservação do solo, a rede viária agrícola e a electrificação rural.                                                                                                                                     2. Apenas em Novembro de 1995, já na vigência do XIII Governo Constitucional, foi lançado o concurso para o estudo da reavaliação do Projecto Hidro-Agrícola dos Minutos tendo em conta a utilização da água para abastecimento público não previsto no projecto inicial concluído em 1977. Este estudo de reavaliação determinará as disponibilidades hídricas para fins agrícolas a partir das quais será possível quantificar e delimitar a água a irrigar e elaborar o projecto da rede secundária de rega.                                                                                                                                               3. Nestes termos e estando consignadas no Programa de Apoio à Modernização Agrícola e Florestal (PAMAF) as dotações financeiras para execução das obras da responsabilidade do Ministério da Agricultura, determino ao Instituto de Estruturas Agrárias e Desenvolvimento Rural que adopte desde já as diligências necessárias para que o referido projecto seja elaborado logo que obtidos os dados técnicos a fornecer pelo Ministério do Ambiente nos termos do número anterior do presente despacho.
Lisboa, 26 de Fevereiro de 1996
O Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural
Luís Capoulas Santos
            No dia 28 de Julho de 1999 realizou-se no Convento de S. Domingos a abertura de propostas para adjudicação da Barragem dos Minutos. A obra foi adjudicada ao agrupamento Engil/Adriano pelo preço de 2 388 388,00 €, o qual se comprometeu concluir a obra no prazo de 28 meses.                                                                                                                       A empreitada para a realização de trabalhos arqueológicos na Albufeira da Barragem dos Minutos  -  medida de minimização de impacte ambiental sobre o património arqueológico, esteve a cargo do Consórcio Tomás de Oliveira e Era – Arqueologia, Conservação e Gestão de Património, pela importância de 914 527,10 €.                                                                                                                       A empreitada de construção das redes - Programa Agro / Medida 4, Gestão e Infra-estruturas Hidroagrícolas de Rega, Viária e Drenagem do Aproveitamento Hidroagrícola dos Minutos, importou em 23 357 209,13 €, sendo comparticipada em 50% pelos fundos europeus.          Finalmente, a empreitada de construção de entroncamento da E.N. 4 com acesso à barragem, esteve a cargo das Construções António Joaquim Maurício, Ld.ª. O seu custo importou em 204 691,64 € e foi financiada pelos fundos comunitários em 50%. A obra teve início em 19 de Maio de 2005, sendo o prazo de execução da mesma, 90 dias.                                                                          
            Na reunião camarária de 4 de Agosto de 1999, o então Vereador do PSD Capitão José Claudino Tregeira referiu-se a uma velha aspiração de todos os montemorenses que ao longo das últimas décadas se empenharam para que o investimento da Barragem dos Minutos se concretizasse, decisão que finalmente veio a ser anunciada pelo senhor Ministro da Agricultura, prevendo-se que as obras se venham a iniciar brevemente.                                                                                                     A cerimónia de abertura das propostas que se realizou no passado dia 28 de Julho, constituiu nas palavras do senhor Vereador Tregeira, um marco histórico de grande significado para o concelho, pelo que propôs o registo em acta, com homenagem e agradecimento a todos quanto, ao longo dos últimos quarenta e dois anos, trabalharam e lutaram para a construção da barragem, incluindo acções desenvolvidas pela Câmara Municipal e uma saudação especial ao montemorense, Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Dr. Luís Capoulas Santos, também ele um lutador por essa legítima aspiração de Montemor e a quem cabe o mérito da concretização desse sonho colectivo, que constitui o maior investimento até hoje realizado na região.  Deliberação: A proposta de homenagem e agradecimento apresentada pelo senhor Vereador José Tregeira foi aprovada por unanimidade.                                                                                             Entre onze de Fevereiro e dezassete de Março de 1999 decorreu a consulta pública do Estudo de Impacto Ambiental sobre a construção da Barragem dos Minutos.                                             No dia 10 de Novembro de 2000 no Auditório da Biblioteca Municipal realizou-se o Encontro “Aproveitamento da Barragem dos Minutos: Que soluções?”.
            O Programa do Encontro contemplou os seguintes painéis:                                                 Organização e Estrutura Agrícola; Regadio, Produções Associadas, Emprego.       Abastecimento Público – Uma necessidade de curto prazo.                                    Ordenamento e Desenvolvimento de actividades lúdicas.                                                                   
  Finalmente, trinta e oito anos depois de “O Montemorense” ter anunciado a possível realização da obra da construção da barragem, a 24 de Fevereiro de 2002, foi inaugurada pelo Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e das Pescas, o Montemorense Dr. Luís Capoulas Santos, acompanhado pelo Presidente Carlos Pinto de Sá (Montemor está primeiro), a Barragem dos Minutos.                                                                                                                                            
            A construção da Barragem dos Minutos iniciou-se em 24 de Janeiro de 2000 e ficou concluída em Outubro de 2002, mas devido à necessidade de realizar um conjunto de observações previstas no plano do primeiro enchimento, as comportas só foram encerradas no dia 24 de Janeiro de 2003. O acto contou com a presença do Presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica e do Director Regional de Agricultura do Alentejo.
            A Barragem dos Minutos é uma barragem de aterro. Possui uma altura de 36 metros acima da fundação e um comprimento de coroamento de 1.239 metros. A albufeira da barragem apresenta uma superfície inundável ao NPA (Nível Pleno de Armazenamento) de 5,3 Km2.                        
            Esta importante obra, projectada pela COBA – Consultores de Engenharia Ambiente (em cujo projecto trabalhou o nosso conterrâneo Engenheiro Vicente Rodrigues), forma o maior espelho de água do concelho. O volume da barragem é de 1 219 000 m3.
            Este importante empreendimento representou o maior investimento jamais realizado no nosso concelho, ultrapassando os 29,5 milhões de euros.
           
Augusto Mesquita
Fevereiro/2017

domingo, 26 de fevereiro de 2017

CICLISMO - A VOLTA AO ALENTEJO PASSOU EM MONTEMOR

DESPORTO - RESULTADOS

                                                                                FUTEBOL
                                                        INATel - Campeonato Distrital
Orada 2 – Santiago Maior 1
Alandroal United 6 – S. Domingos 1
Foros F. Seca 2 – Bencatelense 1
Stº Amaro 0– Barbus 2
Bairrense – Pardais – 26/02
                                         CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série G – Manutenção
Viana 1 – Casa Pia 4
Loures 1 – Sintrense 1
Aljustrelense 2 – Fabril 1
Oriental 3 - Armacenense 1
                                                             FUTSAL - NACIONAL 1ª DIVISÃo
Atlético C.P. 5 – União Montemor 5
                                                                         DIVULGAÇÃO



TOY É ATRACÇÃO NA SEMANA DO PEIXE DO RIO - ALANDROAL


PORMENORES DO CASTELO DO ALANDROAL




Fotos: Luís Lobato Faria

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

RELEMBRAR

            MEMÓRIAS DO CARNAVAL - Por Chico Manuel
Sempre gostei do Carnaval,
Não porque fosse um danado brincalhão, mas sim por ver que nesses dias as pessoas eram felizes, divertidas, deixavam as tristezas à porta e com mais ou menos sacrifícios nunca faltavam “os fritos” (azevias, filhós, nógados, borrachos) e o respectivo arroz doce.
No meu tempo de menino minha mãe fazia sempre questão de arranjar uma fatiota para eu me mascarar. Emprestada claro. Confesso que era “coisa” que não me agradava (não só pelo desconforto, como pelo cheiro a naftalina que se entranhava nas narinas e comentários que sempre surgiam em termos comparativos.
Adorava isso sim acompanhar a Banda tocando coisas alegres (felizmente hábito que ainda hoje se mantém), as contradanças vindas das Freguesias e à noite ir aos bailaricos em especial a casa da Teonila, onde o Carnaval sempre se comemorava.
Guardo na memória a saída dos foliões sempre da oficina do Mestre Manuel Luís com o “Forma das Caraças” a comandar a troupe. Era lá que também se iniciava na quarta-feira de Cinzas o Enterro do Entrudo, que percorrendo as Ruas da Vila era acompanhado por elementos da Banda.
Contava-se, que numa dessas folias, foram todos presos, porque tiveram a ousadia de acompanhar o morto Entrudo tocando a Marcha Fúnebre, ensaiada para ser estreada na Procissão do Senhor Morto, que se efetuava sexta feira de cinzas.
Já na mocidade relembro os bailes nas respectivas Sociedades: Artística, e Musica. Iniciavam-se Sábado de Carnaval e prolongavam – se pelos quatro dias, com ambas sempre a abarrotar de gente. As matines, mais na Sociedade da Musica, duravam até à hora de começar o baile.
Os tempos entretanto mudaram. As Sociedades desapareceram e com elas os bailes tradicionais.
Com a fundação da Associação dos Bombeiros Voluntários e no intuito de se angariar algum capital os bailaricos de Carnaval voltaram a ser uma realidade no Alandroal.
No casão que servia para albergar as viaturas, foram na altura realizados grandes bailes. Com a casa sempre à cunha, e a preços de entrada simbólicos a função tornava-se divertida, por vezes até em excesso, pelo hábito de usar farinha para esfregar na cara de cada um (enfarinhar).
Felizmente, e nas noites de Sábado e Segunda-feira, com bailes, e Domingos com Matine a tradição continua a cumprir-se.
Recordo no entanto outros Carnavais passados noutras localidades e que me permitiram muitas horas de alegria e francas gargalhadas.
Na Póvoa de Santa Iria, onde vivi os 18/19 anos não esqueço o Enterro do Chouriço, onde a multidão acompanhava o funeral do Entrudo com padre e sacristão (mascarados) que faziam declamação de versos alusivos aos “escândalos locais” parando à porta dos visados, que ainda por cima os obsequiavam.
Também em Reguengos os bailes das Sociedades eram grandiosos, com muitos mascarados e onde num certo Carnaval me vi a contas com a Justiça, pois à falta de melhor serviu-me de máscara a Bandeira Nacional, ao que a G-N.R. não achou muita graça,
Mais recentemente já aqui em Montemor nunca perco as brincadeiras proporcionadas pelos foliões das agremiações recreativas.
Umas vezes os Bombeiros, com alegres divertimentos, outras a Sociedade Carlista, adaptando situações politicas, programas de televisão, situações vividas pela população, satirizam ou na Serração da Velha ou em Mini Peças de Teatro, momentos de verdadeira alegria e onde o riso nos acompanha desde o inicio.
Vejamos este ano o que nos proporciona a “Casa dos Enredos”.
Uma coisa é certa: muitos vão ser os que vão ficar com “as orelhas a arder” – mas é Carnaval ninguém leva a mal.
Tenham então um bom Carnaval e divirtam-se. Vamos pelo menos por três dias esquecer que vivemos num Portugal tristonho e sombrio.


Chico Manuel

E OS MAIS NOVOS JÁ INICIARAM A "FOLIA" - Reportagem Claré




SUGESTÕES P´RÓ CARNAVAL






OUTRAS SUGESTÕES

Hoje Alandroal - 21,30
     

Redondo


DESPORTO FIM-DE-SEMANA

                                                                         FUTEBOL
                                                  INATel - Campeonato Distrital
Orada – Santiago Maior
Alandroal United – S. Domingos
Foros F. Seca – Bencatelense
Stº Amaro – Barbus – 26/02
Bairrense – Pardais – 26/02

.                                      CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série G – Manutenção
Viana – Casa Pia
Loures – Sintrense
Aljustrelense – Fabril
Oriental - Armacenense
                                                            FUTSAL - NACIONAL 1ª DIVISÃo

Atlético C.P. – União Montemor


AMANHÃ VAMOS VER A VOLTA


IMPRENSA REGIONAL RECENTE


A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM É DA RESPONSABILIDADE DE RUI MENDES

                                                      O ESTADO DO PAÍS
Aos poucos vamos alienando toda a nossa economia. A globalização terá tido algum efeito, mas acima de tudo fazemo-lo pela debilidade financeira a que o país chegou.
Lembro que a preocupação há alguns anos era que o centro de decisão da banca e das empresas se mudasse de Lisboa para Madrid.
Hoje essa deixou de ser uma preocupação. Não existe sequer.
Hoje o anseio é conseguir vender, em especial a banca, por um preço minimamente aceitável.
Hoje o desejo é que entre no país capital que permita resolver problemas financeiros, criados por políticas erradas.
Hoje a preocupação é reduzir as imparidades dos bancos, as quais atingiram dimensões verdadeiramente dramáticas, e que não se conhece quem responda por elas. Parece que aconteceram porque aconteceram, como se fosse algo normal. Aconteceram porque não se avaliaram devidamente os riscos, porque se permitiu dar crédito a quem não se devia, porque houve interesses que se sobrepuseram à boa gestão.
Hoje, e de uma forma resumida, poderemos dizer:
A divida do país aumentou;
O crescimento em relação ao PIB diminuiu;
O rating do país continua a ser lixo, e continuamos a necessitar de beneficiar do programa de compra da divida por parte do BCE, o qual será este ano reduzido por decisão do BCE;
A taxa de juro que nos é aplicada aos novos empréstimos vai fazendo o seu caminho ascendente.
O volume de transferências de verbas para o exterior, para offshores e para outros destinos, é uma realidade, e será um sinal em como os níveis de confiança dos investidores no país é baixo. Em contraponto os emigrantes continuam a transferir para o país as suas poupanças, algo absolutamente louvável e que se regista pela positiva.
É certo que reduzimos o défice, tanto por mérito do anterior governo, que fez descer o défice em 8 pontos percentuais em 4 anos, como por mérito do actual que assumiu a necessidade de acatar os compromissos europeus e deu continuidade a esse objectivo, permitindo que Portugal possa sair do Procedimento por Défice Excessivo,
É também certo que o desemprego desceu, como vem descendo desde 2013.
E que o país vive uma calma social, a qual é derivada pelo contexto governativo e pelas forças que o apoiam, as mesmas que no passado promoviam uma permanente contestação social.
Que a tensão que se sente hoje no debate político é grande e parece que a tendência será para um agravamento.
É este o contexto em que nos encontramos.
Até para a semana

Rui Mendes

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

EVENTOS JÁ PROGRAMADOS PARA A MOSTRA PEIXE DO RIO 2017



     PROGRAMA COMPLETO - CLIK : AQUI

E A VOLTA AO ALENTEJO VISITOU O ALANDROAL - Claré




Reportagem: Claré

DUQUES E CENAS - Pelo Prof J.L.N.

                                Valentim

Começo estes rabiscos exactamente à meia-noite e um minuto do dia 14 de Fevereiro. E nem por um segundo senti qualquer diferença. Dizem que é o Dia dos Namorados. Nada contra. Nem contra este dia nem contra todos os outros que se celebram, uns a propósito, outros a esmo, sem fundamento nem mais-valias. Mas é bonito fazer-se uma festa, seja por que motivo for.
O que me aborrece com esta e outras celebrações é que muitas entram em campos tão vastos que nós nunca sabemos se devemos ou não celebrar aquilo que alguém nos “obriga” a celebrar. Não sei se todos os casais de namorados vão celebrar este dia da mesma maneira: com flores, bombons, beijinhos e um jantar diferente, protegido que está o seu amor por São Valentim, que recordam à luz de uma vela para a ocasião. Ou se alguns desses casais preferem comemorar a sua relação de forma coerente, com mais uns empurrões, umas bofetadas e uns nomes menos românticos à mistura, tal como fazem no decorrer do resto do ano.
Seria bom acabar com esta comemoração? Não. Isso seria afundar negócios de milhões um pouco por todo o mundo, criando ainda mais desemprego e instabilidade. O ideal é que não fosse preciso um dia para comemorarmos o que nos move todos os dias – o amor.

João Luís Nabo
In "O Montemorense", Fevereiro de 2017

A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM É DE EDUARDO LUCIANO

                          O QUE É IMPORTANTE
No passado domingo fui surpreendido pela notícia que me recusei a esperar. Tinha morrido o Joaquim Soares, o homem que teimou em trabalhar o cante em Évora durante mais de três décadas.
Tentei escrever uma pequena nota na minha página de facebook e não fui capaz de dizer nada. Que poderia eu dizer, que outros já não tivessem dito, sobre o operário da cultura, sobre o mestre que dirigiu os Cantares de Évora, sobre o cidadão que foi presidente de junta e vereador, sobre o teimoso defensor da cultura popular, sobre o homem que, apesar de recusar mexer na tradição, arriscou cruzar o cante com a música dita erudita ou com outras formas de música popular, em trabalhos com a Ronda dos Quatro Caminhos, ou com Amílcar Vasques-Dias e Pedro Calado.
Tendo eu memória de tudo isso, reconhecendo o seu papel em tudo isso, percebendo que a sua ausência se reflectirá em tudo o que ficou por fazer, o que mais falta me fica a fazer é a existência de um homem bom, num mundo onde escasseiam cada vez mais as pessoas com essa qualidade, que leva à acção sem construções de reservas mentais, sem desconfianças de tudo e de todos, sem o mesquinho interesse no ganho pessoal, ou da inveja que destrói por dentro gente aparentemente decente.
Quando, durante as cerimónias fúnebres me pediram para dizer algo sobre o homem que ali jazia, o que estava presente na minha busca de palavras foi o percurso que fizemos juntos, durante quatro anos, como vereadores sem pelouro na Câmara Municipal e como em todos os momentos, em particular os mais difíceis, a lealdade do Joaquim Soares esteve presente.
Perdemos todos um mestre do cante, eu sinto que perdi um dos raros (muito raros) amigos cuja lealdade era inquestionável.
Com ele aprendi que uma simples moda pode ser um hino e que pode ficar debaixo da pele de tal forma que é inevitável chorar sempre que, depois de um petisco, os Cantares de Évora se juntavam naquele canto atrás do balcão e a voz clara do Soares dizia, com a força que só ele sabia emprestar a uma moda, “O Sol é que alegra o dia, Pela manhã quando nasce. Ai de nós o que seria, Se o Sol um dia faltasse!”
Até para a semana

Eduardo Luciano

VIDA AUTÁRQUICA - CONVOCATÓRIA A.M. ALANDROAL


CRONICAS DE CINEMA – Pelo Dr. Egas Branco



Homenagem do Al Tejo a Domingos Maria Peças

 SILÊNCIO (Silence), de Martin Scorsese
O que mais impressiona os espectadores deste filme, julgo eu, é o dilema que se põe aos que são perseguidos, entre o ceder perante o sofrimento provocado pela tortura, pela visão da tortura usada contra outros ou pela morte quase certa se se persistir na crença ou a recusa em falar, mantendo a posição, aconteça o que acontecer, que deverá ser a tortura e a morte.
Neste caso trata-se da perseguição aos cristãos no Japão do século XVII (cerca de 1640), movida pelo poder imperial preocupado com tudo, incluindo as novas ideias, que pudesse vir a pôr em causa o Japão feudal. É essa situação que missionários jesuítas portugueses vão encontrar na sua missão de tentar difundir, clandestinamente, as ideias do cristianismo, em que a maior parte deles acredita.
Alguns cedem (apostatam, termo religioso para a negação da fé), chegando a integrar-se completamente na sociedade japonesa, tornando-se inclusive budistas. Outros persistem na sua missão e são mortos, juntamente com os japoneses que eles conseguiram catequizar e que começam a revoltar-se contra a repressão religiosa e a exploração social do povo (figura da rapariga na prisão). O filme de Scorsese mostra-o através das suas várias personagens.
O realizador norte-americano adaptou uma obra homónima de um escritor católico japonês, Shusaku Endo (1923-1996). Os que apostatam lamentam não ter conseguido ouvir o seu deus. Daí o título da obra, Silêncio. Hoje o Japão conta com cerca de 1% de cristãos, entre os quais, 0,3 % de católicos. E o budismo continua a ser a principal religião do país. 

O mesmo tema, baseado no romance de Endo, foi já abordado no cinema português no filme "Os olhos da Ásia", de João Mário Grilo. Curiosamente, o português filmou em Sintra e o norte-americano em Taiwan (território chinês ainda autónomo). As razões parecem ter sido, nos dois casos, económicas...
 A questão da língua utilizada acaba por ser importante para o espectador português porque no filme de Scorsese só se fala japonês e inglês... o que não deixa de ser um pouco chocante, apesar da convenção hollywoodiana... Aliás só já com o filme adiantado é referido que os jesuítas que partem em missão são portugueses e afinal poderiam talvez ser de outra nacionalidade qualquer que pouco adiantaria para a questão em causa - o que pode levar à apostasia, tal como Scorsese a põe.
Para um ateu, como é o meu caso, o grande interesse da obra acaba por residir na relação que tem com outras situações de repressão extrema, e não só religiosa, como a repressão política principalmente. No nosso País tivemos aliás os dois casos, ambos protagonizados no poder por católicos apoiados pela hierarquia religiosa - a inquisição (no século XVII a XIX, ao longo de 285 anos) e o fascismo salazarista (no século XX, ao longo de 48 anos), com a sua perseguição aos que se batiam pela liberdade. Neste último caso no comportamento na prisão perante as terríveis torturas, algumas acabando na morte, usadas para tentar que os prisioneiros falassem denunciando os companheiros de luta. No primeiro nas inimagináveis torturas, sempre acabando na morte para os que não cediam, para que se convertessem ao catolicismo.
Grande parte da obra de Scorsese mostra a violência de seres humanos contra os seus semelhantes e fá-lo, reconheça-se, sem nunca ser gratuito. Aliás entre os seus melhores filmes estão os que se dedicam a mostrar o gangsterismo no seu país, os EUA. Mas também aqui, em "Silêncio", há todo um repositório de métodos de violência extrema, desde à morte pela fogueira até à decapitação pura e simples. Não chega a chocar porque sabemos que é a realidade em períodos feudais semelhantes, no Ocidente ou no Oriente - em que "o povo é carne para canhão" e todas as arbitrariedades eram permitidas ao poder.
No entanto a coerência de Scorsese falha num ou noutro aspecto dos seus filmes e um deles que convém referir tem justamente por protagonistas, apresentados como vítimas, os budistas, mas num grande país do Oriente, vizinho do Japão e algumas vezes vítima do imperialismo japonês, a China, que se libertava do opróbrio do colonialismo ocidental de séculos, acabando por se converter num filme de propaganda anti-chinesa e anti-comunista, porque as novas ideias sociais são afinal as que entram em choque com o budismo mais tradicionalista. 
O que "Silêncio" vem uma vez mais demonstrar é o saber fazer cinema do grande realizador, ajudado por uma magnífica fotografia, que sublinha a miséria e as condições deploráveis em que viviam os camponeses no Japão no século XVII e, principalmente, o facto desta obra nos fazer pensar.
Egas Branco

OBS. Este filme será exibido amanhã pelas 21,30 no Forum Cultural do Alandroal

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