sexta-feira, 20 de outubro de 2017

SUGESTÕES





DESPORTO

                                                                              FUTEBOL
                                                                                INATEL
Campeonato Distrital
GRUPO B
Pardais – S. Domingos
Stº Amaro – Montoito
Barbus -Orada
Foros F. Sêca - S. Romão - adiado para 28/10
Descansa Alandroal United
                                                 Distrital Associação Futebol de Évora
Divisão de Elite
União de Montemor – Juventude
Arcoense – Canaviais
Cabrela – Atl. Reguengos
Viana – Monte Trigo
Portel – Lusitano
Corval – Redondo
Alcaçovense -  Perolivense
LIGA A.F.E.
 Cortiço – Estremoz
Santana do Campo – Calipolense
Giesteira – Tourega
Aguiar – Arraiolense
S. Bartolomeu Outeiro – Valenças.

                                                       CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série E  
Olhanense – Moura
Vendas Novas – Montijo
Oriental – Castrense.
                                                                        AMIGÁVEL

                                                                          RUGBY









ERA O QUE FALTAVA !...

   E NOS SANTOS POPULARES COMIA-SE O                                                 QUÊ?

DISTO?...

CRONICA DE OPINIÃO HOJE TRANSMITIDA NA DIANA/FM

                                                                                    
                                                                                         RUI MENDES

                                                          O PAÍS ARDEU
Foi um ano absolutamente dramático.
Todos os anos os incêndios de verão deixam marcas em Portugal. Mas este ano passou tudo aquilo que seria expectável. Foi mau demais.
Portugal e os portugueses viveram momentos de terror e angústia. Todos ficaremos com imagens gravadas que dificilmente esqueceremos. O sofrimento e o desespero de muitos, principalmente daqueles que vivem nos locais mais esquecidos, fazem necessariamente parte dessas imagens.
O Presidente da Republica tem sido a voz dessas pessoas, e o garante que terão a protecção do Estado. O mesmo Estado que não cumpriu na sua obrigação quando deixou estas pessoas e os seus bens sem a protecção que era obrigado a assegurar.
E não adianta arranjar desculpas com problemas do passado ou refúgio em soluções para o futuro. Importa garantir o presente, e é no presente que estas pessoas precisam de apoio.
Ficámos com a percepção que não se interveio no tempo em que se devia, ou que quando se fez no tempo a intervenção não foi feita com os meios adequados.
Obviamente faltou competência e coordenação.
Só assim se entende a colossal dimensão que muitos dos incêndios atingiu.
As atenções do Governo estiveram focados nas eleições autárquicas e na preparação do orçamento para 2018, e só disse presente aos incêndios quando já era tarde, por vezes muito tarde, para muitos tarde demais. Não actuou no tempo devido.
Só a recente intervenção do Presidente da Republica veio chamar à razão aqueles que não queriam ver o óbvio.
Se o Presidente da Republica não tivesse interferido da forma como o fez provavelmente ainda estaríamos a anunciar a constituição de comissões, a interpretar relatórios, ou outra qualquer coisa, de forma a desviar as atenções do que é real, dos muitos problemas que terão que se resolver.
Este Governo tem uma forma singular de actuação. Anuncia, anuncia e torna a anunciar, mas as concretizações são mandadas para as calendas.
O país ardeu e com ele ardeu parte do orgulho português.
Em boa hora a chuva apareceu senão o drama teria sido ainda maior.
E por tudo isto o Presidente da Republica fez a diferença.
Em primeiro pela sua permanente presença junto dos mais atingidos e dos mais necessitados.
Em segundo pela sua intervenção política. Fê-lo com a objectividade e com a autoridade que o devia ter feito.
E os efeitos não tardaram.
O Governo não cumpriu na sua fundamental missão de protecção e segurança de pessoas e bens, como mostrou comportamentos inoportunos, e por isso justificadamente estará a passar uma fase censurável.
Até para a semana
Rui Mendes



DIVULGAÇÃO - CINEMA EM MONTEMOR



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

“BOA MALHA” - MEU AMIGO Claré

                             UM DIA FUI BOMBEIRO
Há muitos anos fui bombeiro, era jovem e não media distâncias e o objectivo era nobre a missão difícil mas apetecível. Não é bombeiro quem quer, é bombeiro quem está vocacionado para tal mas para tal é necessário e cada vez mais, anos de preparação de treino de “instrução” como então se lhe chamava ainda ouço o bater das botas na calçada nas noites de instrução. "Ordem unida" -  nunca tal tinha ouvido falar, até que marquei paço praça acima praça abaixo ás ordens do Manuel João (Pimpão). Eram anos de descobrir, de aventuras, de novas coisas, de encontrar outras formas de estar na nossa juventude.
Foram anos que nos ensinaram a mim, como a muitos da minha geração, coisas como o respeito pelos mais velhos, a camaradagem, o companheirismo, a disciplina, o sacrifício, a abnegação, o trabalho por vezes duro, complicado, muitas vezes doloroso.
Ensinaram-nos o valor do sacrifício. Nunca com o propósito de um obrigado, ou nada que se lhe parecesse, nunca com o objectivo de qualquer reconhecimento; éramos, como hoje são os corpos de bombeiros, indivíduos anónimos que fazíamos parte de um todo que funcionava em prol do próximo. Acredito que hoje são associações que formam homens para a vida. Quando hoje vejo jovens ingressarem nas fileiras desta corporação orgulho-me de velos fazer parte de algo com sentido (com muitos riscos) como eu próprio pude constatar ao longo do poucos anos que servi a causa. Não me arrependo de nada, como poderia!! Para mim é, e será sempre, motivo de orgulho ter servido ao lado de quem tanto me ensinou Américo Pinhel, Joaquim Brioa, Joaquim Valério, José Valério, José Estêvão, Manuel João, Luís Rebocho, Francisco Oliveira, Ti Narciso, Comandante Anjinho, Fernando Fialho, Comandante José Fontes, José Ribeiro, Manuel Inácio Fialho, entre tantos outros que poderia aqui nomear (Perdoem-me se não os nomear todos) Acredito que nenhum destes homens, e todos os outros que connosco serviram durante muitos anos a causa, alguma vez tenham querido ou tenham ambicionado, tal como eu nunca ambicionei ser reconhecidos como heróis, fazíamos o que gostávamos porque a isso nos impelia o nosso sentir. Como eu, talvez muitos, por vezes se tenham sentido “recompensados” com algumas mostras de carinho da população: como esquecer a população de Cabeça de Carneiro que um ano já muito distante nos recolhia um a um para nos dar de jantar enquanto tentávamos debelar um incêndio num palheiro, como esquecer a carrinha do Sr. Ribeiro cheia de mantimentos num longínquo incêndio na Pipeira, como esquecer as mostras de gratidão da população no grande incêndio no eucaliptal .Tantos… tantos episódios que poderia aqui enumerar, todos mas todos aonde estávamos de coração de alma e corpo. Acredito que nas fileiras dos Bombeiros Voluntários de Alandroal não há um elemento que queira ser “herói”. Mas acredito também que nas fileiras dos Bombeiros Voluntários de Alandroal, como nas fileiras de todas as corporações deste país, existam muitos “amadores” E não é por não saberem o que estão a fazer, é isso sim porque amam o que fazem e fazem-no porque não ligam a comentadores de TV baratos, e porque se formam para fazerem aquilo que gostam e que acham que está correcto. Não é por acaso que um dos lemas que nos ensinavam e que preside o sentido das corporações é: FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM.

In Facebook José Claré

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM

EDUARDO LUCIANO
                  CRÓNICA QUE NÃO ERA PARA SER
No início da semana, a propósito de um dia internacional para a erradicação da pobreza, decidi que a crónica de hoje seria sobre esta coisa perfeitamente descabida que é o facto do sistema que promove a pobreza, em função da necessidade de criar riqueza para uns quantos, instituir um dia do ano para celebrar a necessidade da erradicação da pobreza.
Será qualquer coisa como os amantes das touradas instituírem o dia da erradicação do sofrimento dos touros, ou os amantes da caça instituírem o dia da erradicação das caçadeiras.
Depois de ouvir a dirigente do CDS e o militante do PSD que é Presidente da República a usarem as vítimas dos incêndios como arma de arremesso político, achei que afinal esta crónica deveria ser sobre a falta de decência de PSD e CDS a armarem-se em defensores das famílias das vítimas, quando foram os responsáveis durante 40 anos, juntamente com o PS, das políticas de ordenamento do território, de abandono do interior, de políticas florestais que promoveram a “eucaliptização” do país, da subserviência aos interesses da indústria da celulose, do desinvestimento em prevenção, da ausência de apoios a quem tem por missão prevenir e combater os incêndios.
Acontece que estou em Vila Franca de los Barros, na Extremadura, a participar na 1.ª Conferência sobre o sector musical da Extremadura.
Com tanta coisa interessante, entre contactos e pequenos espectáculos, fui brindado ontem à noite com um espectáculo de flamenco que me deixou absolutamente sem vontade de acrescentar mais palavras aos debates sobre a suposta luta pela erradicação da pobreza, ou sobre quem tem responsabilidades na criminosa onda de incêndios que matou mais de uma centena de pessoas, cujo único erro foi estarem no sítio errado à hora errada.
A apresentação dos “Extremadura Pura” é daquelas coisas que nos conseguem pôr a pensar em como é essencial preservar identidades culturais e como não tem preço o investimento público necessário para manter viva a cultura em territórios de baixa densidade populacional.
Assisti a uma apresentação onde tudo o que acontece sai do sentimento de quem canta e toca, sem preocupações maiores de falsas dramatizações ou ajustamentos técnicos para efeitos especiais.
Tudo corre à flor da pele e ouvir as vozes de La Kaita e de Alejandro Vega, ou ver o velho El Peregrino a sapatear como se tivesse 20 anos, transportam-nos para lugares onde antes vivia e trabalhava gente e onde agora só existem aldeias despovoadas e tecnocratas que nos falam de falta de escala para que o investimento em cultura possa ser rentável.
São os mesmos que hoje choram os mortos que resultaram de 40 anos das suas políticas, que também lamentam a litoralização do país pela ausência de capacidade de fixar populações em mais de metade do território e que também nos dizem que produzir cultura no interior é demasiado caro para as outras prioridades que rapidamente enumeram.
E pronto, não falei sobre nada que tinha previsto falar. Nem incêndios, nem erradicação da pobreza, nem identidade cultural em definhamento no interior do país.
Até para a semana



DIVULGAÇÃO C.M.A.


IMPRENSA DA REGIÃO


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O POETA MANUEL D´SOUSA OPINA VERSEJANDO

                                   Corrupção...
Não culpem só os banqueiros, políticos, gestores e outros que se põem a jeito.
Subconsciente/ Substantivo masculino -  (Plano mental inferior ao de consciência clara, que pode influenciar a conduta do indivíduo.)
Corrupção dos mamões, destrói as nações!  
                                                              MOTE
                                              O estado a que nós chegámos
                                              É culpa dos portugueses....
                                              Foi neles que nós votámos,
                                              Não uma, mas muitas vezes!
(Desconheço autor da quadra)
Começo p'lo outro Estado
Que tem sido o maior ladrão…
Rouba ao pobre, dá ao vilão,
Tudo ele nos tem roubado.
Lamenta-se o povo, coitado:
- Como foi que nos tramámos?...
Sem quase nada ficámos
Do que se conquistou em Abril…
Metemos o Lobo no covil,
O estado a que nós chegámos!
                                                  Votar nos mesmos é o mote,
                                                  Mas que memória tão curta…
                                                  Caso efeito de tal não surta,
                                                  Sacode-se a água do capote.
                                                  Dizem ser uma pouca sorte
                                                  Estes inúmeros reveses,
                                                 Que todos os dias são trezes
                                                  No calendário eleitoral…
                                                  Se nada muda em Portugal,
                                                  É culpa dos portugueses!
Ninguém chega ao poder
Por obra e graça do Senhor…
Quem escolhe é o eleitor,
Parece-me justo assim ser.
O que possa vir a suceder
Nos dirá se acertámos,
Ou então nos enganámos
Caindo na mesma esparrela…
Come tudo por tabela,
Foi neles que nós votámos.
                                                     Até o mais esperto cai
                                                     Sempre uma primeira vez…
                                                     Não há duas sem três,
                                                     Já me dizia o meu pai.
                                                     Da cabeça não me sai
                                                     Outra vez metido em fezes,
                                                     Caiem os mesmos fregueses
                                                     Em quem nos anda a tramar…
                                                     Os que se deixam enganar
                                                     Não uma, mas muitas vezes!
Manel d' Sousa



UMA RECORDAÇÃO DO A. Berbem

Se outro mérito não tivesse, a recordação de figuras carismáticas de Alandroal, é trazerem-nos à memória situações e peripécias passadas com essas mesmas pessoas. Foi o caso do recente "ensaio para quadro de revista" que avivou a lembrança deste nosso colaborador , amigo e conterrâneo sobre o :
                                    O MATA- PINTOS
A minha cena com o Mata Pintos, foi mais ou menos assim.
Uma vez à saída de Estremoz, pareceu-me ver o Mata Pintos, originalmente vestido como só ele o sabia fazer. Uma mistura de benfiquista com  as demais cores de Portugal. Especialmente o amarelo em seus calções.
Assim me pareceu. Assim o fiz. Isto é, parei o carro ao pé dele e com o ar mais alandroalense que se possa imaginar, disse: "Mata Pintos, anda, entra, está frio, vamos para o Alandroal".
Estava nevoeiro, chovia, era já quase uma  noite  de inverno e o Mata Pinto, dispara-me: " Quem és tu?" Eu respondi: sou fulano tal, entra e deixa-te lá dessas perguntas, vamos conversando pelo caminho.
Foi, então, que do Mata Pintos veio um novo e súbito disparo em  forma de assim: "que carro é este, que carripana  é que trazes aí?..."
E eu, fazendo uma pequena pausa, à espera que ele acabasse por vir
comigo, de repente, oiço-o a resinar: "Não entro e não vou, vou ficar  por aqui   à espera até que apareça uma boleia num carro maior, com  musica, e mais confortável" ( o meu era uma Mini-ima).
Sorri, ele deve ter sorrido ainda mais lá para com ele. Assim era o Mata Pinto, um homem de pequena estatura que era afinal um poço de atitudes por vezes com  uma certa  altura. Por vezes!
 Assim aconteceu. Umas duas horas depois já ele estava  molhado  no Alandroal. Só que, por mim, bem o vi e reparei nele, mas já não fui capaz de lhe perguntar em que carro tinha vindo...não  fosse ele soltar “um vai à merd@” uma palavra que  (o) frequentava com grande facilidade e extrema rapidez.
Se a vontade fora a minha, a escolha tinha sido a dele.
Ao Mata Pinto, a cena e o resto bateu-lhe tudo certo! A visão descolorida, essa ficou
a meu cargo. Até ser contada hoje.
Saudações

António Neves Berbem




AS CRONICAS DE OPINIÃO TRANSMITIDAS NA DIANA/FM

Dia 17
CLÁUDIA SOUSA PEREIRA
                                                      QUEM OU PORQUÊ?
Voltou o terror do fogo. E a minha vontade de respeitar os mortos e os que os amam com o silêncio choca com o espectáculo da histeria de desconhecidos que dizem ser assim que se lhes pode tomar as dores. A tristeza de todos nós, Portugueses, é tão inegável como a dor real dos que a sentem, e até essa se mostra aos outros em doses tão desiguais quanto inquestionáveis. Mas a exibição excessiva da lágrima que se verte pela dor do outro arrisca a parecer, e talvez a ser, tão mesquinha como a falta de compaixão, aquela que desperta a vontade de ajudar quem sofre. E por isso, desta vez, neste luto, falarei. Pouco, mas falarei.
Tivemos de novo as forças desiguais da Natureza que desasam os humanos. Todos os humanos. Da costa Oeste da América do Norte à costa mais Oeste da Europa. Não me venham por isso falar de conspirações… De novo os mais vulneráveis, os que com ela, a Natureza, convivem, até que se revolte, em cumplicidades invejadas ou incompreensíveis para os que vivem dela mais afastados, são as suas primeiras vítimas. Como se os santos da casa não fizessem milagres, ou só fizessem a alguns: àqueles que ouvimos, incrédulos. Eles incrédulos pelo milagre de terem escapado, incrédulos nós por não nos conseguirmos imaginar na sua pele. Os medos na Cidade, uns mesmo à espreita outros atávicos, levam-nos a sentir na vida no campo, junto dela, a Natureza, uma espécie de nostalgia do paraíso terrestre. E quando o paraíso se transforma em inferno, ficamos à procura da mesma lógica que explica os “porquês”. A lógica que se aplica a nós, os da Cidade, grande ou pequena, onde os quatro elementos – fogo, ar, terra, água – estão relativamente domesticados, onde a dureza da pedra e da cal ou do tijolo e do cimento não atrai o fogo como a seiva dela, a Natureza.
Transformamo-nos todos, os que assistimos ao que parece, e desejávamos que fosse, só uma história de terror, naquela personagem que investiga o crime. E nessa ânsia humana de remediar com a justiça o que tantas vezes é já só uma pálida amostra de um remédio que cura a dor, esquecemos que na procura do culpado um longo percurso requer que à pergunta “quem?” venha antes a pergunta “porquê?”. Na recolha das provas, o móbil do crime é a meada de fios da qual talvez apenas só um seja o condutor que liga a vítima ao carrasco. É desse trabalho de investigação, pesquisa, minúcia, cuidado, que se pode chegar ao fim e descobrir o “quem”. Mas mais: é com esse trabalho que se evita que, quando as vítimas parecem ser em série, se tomem as devidas providências para que não chegue a haver a próxima vítima. Não garantimos que não se repita, mas tentamos. É desse trabalho que podemos, quando ela, a Natureza, mostra a sua fúria ter connosco o conhecimento, a técnica, o instrumento que torne esse medir de forças menos desigual. É trabalho, é empenho, é concentração de esforços de equipa e não de uns a quererem livrar-se dele e outros a querer despachá-lo para recolher dele os louros. A culpa? A culpa há-de ter que se apurar, claro. Até com o risco de podermos vir a não gostar de ter encontrado “aquele” culpado. É tempo de ter esse trabalho. Já era, há muito. Silêncio! E fale quem sabe que nós estamos cá para ouvir e aprender. Também a sobreviver.

Até para a semana.
HOJE
JOSÉ POLICARPO
                                         NÃO SÃO ROSAS, SÃO CHAMAS!
As chamas que fustigaram este ano muitos dos nossos concelhos, sobretudo no centro e no norte do país, causaram danos nunca vistos e em muitos casos irreversíveis. Morreram dezenas de pessoas, muito perto de uma centena. A área ardida ascende a quase 200 mil hectares – 200 mil campos de futebol – e a perda de bens deve ser inquantificável – neste número integram-se muitas, mesmo muitas casas de habitação própria!
É verdade que o ano em curso está ser manifestamente quente e seco, no último domingo tivemos segundo os meteorologistas, temperaturas anormalmente elevadas para esta época do ano. O verão também fora muito quente e seco. Tudo isto é verdade. Por isso, foram criadas as condições climatéricas perfeitas para a ignição de fogos. Porém, o número e a extensão dos incêndios, mesmo para um leigo na matéria como é o meu caso, são absolutamente incompreensíveis.
O certo é que em Espanha, França, Itália e Grécia, países mais florestados do que o nosso e com climas idênticos ao nosso, a área ardida foi manifestamente inferior à nossa. Ora, impõe-se a pergunta que para mim é mais do que evidente: O que é que estes países fazem para não terem sido tão expostos aos incêndios, como o nosso país foi?
A esta resposta o Governo não pode nem deve furtar-se. O governo português tem de explicar aos seus administrados – o povo – quais são as causas desta calamidade. Se as medidas e a politica de prevenção de incêndios são as adequadas. Se há falta de meios. Se a política do ordenamento florestal está alinhada com as melhores práticas internacionais. Não são “rosas” que estão em causa, são vidas humanas e que merecem um tratamento digno por parte de quem tem o dever de lhes garantir a proteção das suas vidas e dos seus bens.



                                      AGUENTEM 

ESTÃO QUASE MADURAS

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

"ENSAIO" PARA RÁBULA REVISTEIRA

Nota previa: Os responsáveis por esta pequena rábula, pretendem apenas homenagear figuras emblemáticas da nossa terra, e dar a conhecer os tempos em que reinava uma salutar harmonia entre as pessoas.
 NOVO “ENSAIO” PARA UM QUADRO DE TEATRO DE REVISTA – (Pelo Hélder Salgado)
DESTA VEZ VERSANDO FIGURAS INESQUECIVEIS DA NOSSA TERRA
Personagens:
Mata-Pintos:
Figura emblemática do Alandroal, foi o que com propriedade se pode chamar de um “bom-vivant”- caracterizava-se pela sua baixa estatura. Era possuidor de uma saudável “malandrice “que se baseada em inofensivas mentiras. Fora do tempo em que se dedicava à caça, na qual era um exímio praticante e que constituía o seu principal sustento, a sua alimentação era constituída pelos produtos que a natureza selvagem lhe proporcionava (cogumelos, espargos, alabaças, etc.). Já no final da sua vida e quando da colocação das passadeiras para peões na Praça, o seu divertimento era andar de cá para lá e de lá para cá, só para ter o prazer de obrigar os condutores a parar.
Pimenta: Fazia jus ao ditado popular “Homem pequeno saco de veneno”. De baixa estatura, não perdia uma oportunidade de envenenar , qualquer conversa, desde que da mesma resultasse apimentar ,ou distorcer o diálogo, para seu belo prazer e diversão. Possui uma pequena taberna ao alto da Praça, cujo principal cliente era ele próprio. Tocava caixa na Banda e conta-se que numa noite em que a Banda pernoitou durante a Festa de S. Brás dos Matos, aproveitou a noite para fardar o Santo (também de pequena estatura) de músico da Banda, o que lhe valeu um valente dissabor ministrado pelos paroquianos que não acharam qualquer graça à ousadia. 
Zé Trinta: No tempo em que a água não chegava às residências, por não haver distribuição canalizada, era a mesma fornecida porta a porta pelos chamados aguadeiros (negocio também explorado pelos meus familiares maternos: avô e tios), e também pelo Zé Trinta. Alem desse ofício, outras profissões exerceu, tais como pregoeiro (era ele que dava conhecimento, percorrendo as ruas da vila, apregoando num comprido funil, espectáculos, perdidos e achados, ou qualquer acontecimento digno de registo), foi ainda moço de fretes, e outros pequenos serviços. Gostava de “emborcar” o seu copito, e nunca negava um convite para qualquer paródia. Deixou numerosa descendência e se me é permitido abro aqui um parentese para recordar o meu sempre amigo Sousa.
Blaró: Homem de sete ofícios, cuja característica principal era a sua acentuada pronúncia roufenha. Amigo do seu amigo e sempre pronto para acudir a qualquer emergência. Exímio caiador e pintor de exteriores, não dispensava após o trabalho o habitual convívio na taberna. Novo parentese para recordar mais um amigo, o Zé Vicente, seu filho.
QUESQUERES: Manobrador de máquinas. Era ele o responsável por acender e apagar as luzes da via pública. Prestava os seus serviços na velha Moagem do Garcia (presentemente Cooperativa Agrícola), que alem de moer os grãos de trigo, também fornecia a eletricidade para toda a Vila. Foi dos primeiros a possuir carta de condução no Alandroal. Excelente conversador sempre pronto a meter uma piada no meio da conversa. Dom que transmitiu aos seus filhos, os nossos estimados amigos Manuel e Tói. Fora do seu responsável serviço também a confraternização com os amigos era ponto de honra,

O mata Pintos
Figura franzina de pequena corpulência, já um pouco curvada. Está vestido com fato de caça, jaqueta e calças camufladas de grandes bolsos.
Boné verde com pena espetada. Espingarda a tiracolo e cartucheira à cintura e assim entra em cena, Depois pousa a espingarda.
Senta-se numa mesa na taberna do taberneiro Pimenta, com o Zé Trinta. e manda vir dois copos de vinho, um com gasosa, outro sem gasosa e nada de  petisco. O Mata Pintos levava uma perdiz tostada.
O Pimenta serve vinho.
- Ora qui estão os dois copinhos, um com gasosa e outro só com vinho.
O Zé Trinta vai deitar a mão ao copo que só tem vinho, e leva um sopapo na mão.
- Tira daí a mão, rapaz, bebe o da gasosa, que gaseado já tu estás.
Zé Trinta, sem se desmanchar, mas fisgado no petisco.
- E por lavar o sopapo, da perdiz vou encher o papo.
Entra o Blaró.
- Olha que prendas aqui estão e eu com o estomago em aflição.
Senta-se à mesa, sem pedir licença e manda vir um copo de vinho
- Gosto mais de perdiz do que torresmo e quem vai pagar é o mesmo.
Zé Trinta aflito.
- O mesmo? O mesmo eu não sou, com o negócio da água teso sempre estou.
O Mata Pintos, referindo-se ao Blaró.
- Trago a perdiz, pago o vinho e o pão, e ainda tenho que matar a fome a este mandrião…
O Blaró surpreendido com o fato do Mata Pintos.
- Mas agora reparo eu, meu grande forreta, assim vestido pareces um caçador lisboeta.
O Mata Pintos
- Obrigado pelas piadas, de pessoas como tu tenho-os eu às carradas.
O Zé Trinta, com a cabeça de lado e um olho meio fechado.
- Mas não ganham ao Quesqueres, que as inventa a pontapés.
O Mata Pintos empertigando-se, levanta-se meio zangado. O Pimenta aproxima-se com ar interrogativo e aguarda.
- Ouçam esta que vou contar, que decerto lhes vai agradar.
Parou de falar e olhou para os presentes que o rodeavam, e continuou.
- Escutem com atenção esta minha aflição. Fui caçar com o Borrão lá para os lados do Aguilhão, e com a espingarda no chão, como agora está aqui, aparece-me um touro que mais parecia um leão, e sabem lá o que eu fiz.
Pequena pausa.
Caguei-me.
Todos ao mesmo tempo disseram:
- Pudera com uma fera daquelas à frente.
Mata Pintos de cabeça baixa e com ar entristecido:
- Não foi lá, foi aqui,
Acaba a cena e corre o pano.

Idéia e texto: Hélder Salgado
Almada, 14-10-2017.
Ilustração e introdução das personagens: Francisco Tátá
  

CONGRATULEMO-NOS...

                                                   Biblioteca

A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM



MARIA HELENA FIGUEIREDO
ORÇAMENTO DE ESTADO PARA 2018 – É TEMPO DE FAZER AS                                                CONTAS CERTAS
Os últimos dois anos têm mostrado, mesmo aos mais cépticos, como o Bloco de Esquerda estava certo quando Catarina Martins desafiou António Costa para negociar no dia a seguir às eleições de 2015 e quando negociou com o Partido Socialista um acordo para travar o empobrecimento e para a recuperação dos rendimentos dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas, que tão maltratados tinham sido pelo Governo do PSD e do CDS.
Não foi um acordo de princípios o que o Bloco negociou. Foi um acordo com medidas e metas concretas e foi um acordo para cumprir na actual legislatura.
Na 6ª feira passada o Governo entregou no Parlamento a sua proposta de Orçamento de Estado para 2018, o 3º orçamento desde a celebração do acordo com o Bloco de Esquerda.
Um dos pontos verdadeiramente importantes em que o Bloco de Esquerda insistiu e que está já consagrado na proposta do Governo é a alteração dos escalões de IRS.
O aumento do mínimo de subsistência e a introdução de 2 novos escalões irão permitir uma significativa recuperação de rendimentos e beneficiar 1 milhão e meio de famílias, reduzindo os impostos para todos os contribuintes – sejam eles trabalhadores ou reformados – com rendimentos até aos 40.000 euros brutos.
Esta é uma medida deveras importante não apenas pelo impacto directo nos rendimentos das famílias que terá no próximo ano, mas porque introduz uma alteração para futuro à estrutura do IRS.
Outros pontos de negociação importantes para o Bloco de Esquerda e que foram fechados foram a vinculação de mais 3500 professores contratados, através da alteração da norma travão e da realização de uma nova vinculação extraordinária, a recuperação das pensões, especialmente, das mais baixas, que vão crescer acima da inflação – recuperação muito modesta, mas que consolida o caminho iniciado – e o descongelamento das carreiras da função pública até ao fim da legislatura e não em 4 anos como o Governo pretendia.

Na sua proposta o Governo não incluiu a eliminação do corte de 10% no subsídio de desemprego a partir do 6º mês, já acordada em Junho passado com o Partido Socialista, nem o aumento em 2 % da derrama do IRC para as empresas com lucros acima de 35 milhões de euros, mas o Bloco de Esquerda está confiante de que será possível incluir estas duas medidas, repondo o que é da mais elementar justiça para com os desempregados e aumentando a justiça fiscal.
Ainda assim há áreas em que é preciso que o Orçamento de Estado apresente respostas concretas. Por exemplo:
É preciso reduzir o número de alunos por turma, é preciso alargar a gratuitidade dos manuais escolares ao 2º ciclo do ensino básico e é preciso melhorar o fornecimento das refeições e recuperar as cantinas escolares.
É preciso pôr fim às cativações na saúde e repôr as isenções de taxas moderadoras para os doentes crónicos. É preciso que todos os utentes tenham médico de família no final de 2018
Como os anteriores dois orçamentos, o de 2018 resultará da negociação concreta, medida a medida, proposta a proposta. Muito foi possível acordar e propostas que o Bloco de Esquerda considera essenciais foram acolhidas na proposta apresentada pelo Governo. Mas os avanços são ainda insuficientes para repor efectivamente os rendimentos perdidos por trabalhadores e pensionistas durante a governação da direita. A negociação prosseguirá no Parlamento no debate na especialidade
As próximas semanas nos dirão até onde é possível chegar.
Até para a semana



RIQUEZAS DA MINHA TERRA




POETAS DA MINHA TERRA - Maria Antonieta Matos

                                                          ILUSÕES DOS SONHOS…!
                                 Quando adormeço, foge-me o corpo pr’a lugares imaginários,
                                 A mente prende-se tão real ao sono, e ao sonho tamanho!
                                 Não sei se algum dia lá vivi… porém é tão estranho!
                                 Que ao acordar me interrogo a reviver o ilusório cenário!
                                 Segue-se um confronto de ideias sem explicação…!
                                 Porquê alguns sonhos me provocam carpido, dor e turbulência?
                                  Porquê outra noite não me importo ficar, em alegre complacência?
                                  Porquê em consciência no sonho, pressinto que viajo em vão?
                                 Algumas vezes sinto-me estranha, nessa cidade desconhecida,
                                 Não tenho a memória que me reporte a tão sombria solução,
                                 Vejo parentes, amigos, mas na hora de me achar há sempre um senão!
                                  Outras, sinto a etérea felicidade e o despertar me invade de seguida,
                                  Sem conseguir que a mente analise por lúcidos momentos, essa ilusão,
                                  Talvez transportada, por confusas passagens, que são registos de vida.
Maria Antonieta Matos, 13-10 2017