sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

AS SUGESTÕES DO AL TEJO


Forum Alandroal 09 Dez 21,30horas
Forum Alandroal 11 Dez  17,00 horas



DESPORTO PARA O FIM-DE-SEMANA

                                                                         FUTEBOL
                                                  INATel - Campeonato Distrital
Santiago Maior – Bairrense
S. Domingos – Stº Amaro
Barbus – Montoito
Foros Fonte Seca – Alandroal United
Bencatel – Orada. -  11/12


                                            Distrital Associação Futebol de Évora
                                                                 Divisão de Elite
Vendas Novas – Lusitano
Escoural – Oriola
Perolivas – Monte Trigo
Canaviais – União Montemor
Arraiolense – Lavre
Alcáçovas – Juventude - transmissão TV A.F.E.
Reguengos – Redondo.
                                                                Divisão de Honra
Santana do Campo – Corval
Arcos – Portel
Valenças – Fazenda
Cabrela – Estremoz.


                                             CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série H
Louletano - Farense
Moura – Pinhalnovense
Fabril – Armacenense
Lusitano V.R.S.A. – Aljustrelense
Viana – Almancilense.
                                                          FUTSAL - NACIONAL 1ª DIVISÃO
União Montemor – Fabril
                                                             RugbY - DIVISÃO DE HONRA
C.D.U.L – R.C. MONTEMOR
                                                              DESPORTO PARA TODOS









"LINHAS DE ELVAS" JÁ NAS BANCAS


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

ARTISTAS DA MINHA TERRA - Um esboço da Maria Antonieta Matos


CRONICA DE OPINIÃO DE HOJE TRANSMITIDA NA DIANA/FM

                                                   Para onde nos levam?

Quarta, 07 Dezembro 2016
Há várias semanas que, neste espaço, nada escrevo sobre a política nacional. Mas antes de o fazer, quero deixar aqui a minha singela homenagem, porque no dia 4 de Dezembro, passaram 36 anos sobre a sua morte, ao homem que na minha opinião foi o maior entre os maiores. Refiro-me a Francisco Sá Carneiro, fundador do Partido Social Democrata.
Porventura, se ainda estivesse vivo, interrogar-se-ia, certamente, se as lutas que travou contra a sovietização do país, teriam tido algum sentido. Na verdade, a vontade do atual governo, apoiado pelos acólitos da extrema-esquerda, não deixam de todos os dias de nos surpreender, pois, a vontade de tudo controlar parece insaciável.
Com efeito, a demissão de António Domingues da administração da Caixa Geral de Depósitos é disso um exemplo. Fica a pergunta: Demitiu-se por sua livre iniciativa, ou, pelo contrário, foram-lhe criadas a circunstâncias para o próprio achar que não tinha condições para levar a cabo o projeto que apresentou para desenvolver o banco público? Por se tratar do dinheiro de todos nós, há explicações que tardam em chegar, e, que, num regime, verdadeiramente, democrático, há muito que teriam sido apresentadas por quem tem o dever de as fazer. O governo do país.
Acresce que o primeiro-ministro radia de felicidade por ter encontrado um caminho que todos conseguem caminhar e de mão dadas. O seu governo e os partidos que o sustentam. Porém, na entrevista que deu ao canal público, não sendo novidade para a maioria dos portugueses, ontem com todas as letras, afirmou que tudo corre bem, excetuando os números da dívida pública. Só para os distraídos, para a pagarmos, durante 16 meses, não poderíamos realizar uma única despesa. Agora aplique esta receita as vossas casas. È muito mau, não é? Assim vai o nosso país.
Isto dito, para um entendedor mediano, como é o meu caso, será inquestionável que, o que disse o senhor primeiro-ministro, é que desfazer as reformas que o anterior governo levou a cabo, a velocidade com que realizou a reposição dos rendimentos dos portugueses, terá uma inevitável consequência: Não conseguiremos paga a nossa dívida.
Por isso, não sei se virá o diabo, ou não. Mas que este senhor e os seus acólitos da extrema-esquerda estão a conduzir o país para o inferno, disso não me restam grandes dúvidas. E, caros ouvintes e leitores, obviamente, porque não sou masoquista, o meu desejo é que, estes senhores, venham a ter sucesso para o bem de todos nós.

José Policarpo

MEMÓRIAS CURTAS

recordações do passado Presentes na memória do Prof Vitor Guita.

Estas nossas Memorias do mês de Novembro poderão parecer, à primeira vista, um tanto ou quanto mórbidas. Saiba, porém, estimado leitor, que não nos move qualquer sentimento fúnebre. Muito longe disso. Deixámo-nos simplesmente conduzir pelo calendário, que apontou para o dia 1 de Novembro, e tudo o mais veio por arrastamento. Recordámos coisas nunca escritas, dessas que não vêm nos livros, memórias pessoais que são, algumas delas, memórias colectivas. Corremos o risco de não saber o percurso exacto que iríamos trilhar nem onde iríamos desaguar, o que não deixou de ser estimulante.
Tudo começou na véspera do dia de finados. Como aconteceu seguramente com centenas de montemorenses, fizemos a nossa habitual romagem aos cemitérios da cidade. Detivemo-nos mais demoradamente no da Carreira de S. Francisco, que, pela sua antiguidade, é mais propício a recordações. Além disso, é lá que repousam os nossos entes mais queridos.
Em vez de uma manhã tristonha, sonolenta, tipicamente outonal, o dia rompeu deslumbrante. Em nossa opinião, demasiado luminoso e quente para esta época do ano.
Saímos cedo de casa em direcção a S. Francisco. Dum lado e doutro da porta principal do cemitério, alinhavam-se os vendedores de flores da época, especialmente de crisântemos roxos, brancos, amarelos, alguns com pétalas já meio esgadelhadas. Ali perto, o homem das farturas, e a mulher das castanhas espreitavam a sua oportunidade de fazer negócio.
Estivemos ali alguns instantes observando o vai vem de carros e pessoas, ao mesmo tempo que fomos remoendo memórias distantes, nomeadamente a do coro de gente pobre que, numa voz suplicante, costumava vir ali pedir esmola. Os peditórios, agora, têm outros contornos.
No interior do cemitério, percorremos o vasto labirinto de campas apinhadas, o que nos obrigou, nalgumas zonas, a fazer vário exercícios de equilibrismo e contorcionismo.
Desde os tempos da infância que, na véspera de finados, cumprimos o ritual de visitar um número significativo de sepulturas, em especial as que sempre mais impressionaram os nossos sentidos. É o caso da campa onde jaz Lipo Herczka, o prestigiado treinador húngaro que, em tempos, orientou a equipa do União. Os emblemas dos grandes clubes por onde o mister passou continuam intactos, e a bola de pedra contínua estática sobre o rectângulo de mármore, com a mesma imobilidade de há mais de sessenta anos.
Faz parte do nosso ritual visitamos outros monumentos fúnebres, umas vezes atraídos pela beleza poética dos epitáfios, outras pelo simbolismo das esculturas: imagens religiosas, ferramentas das mais diversas profissões, alfaias agrícolas…
Numa dessas campas aparece esculpida uma junta de bois puxando um arado, a indicar ligações da família jacente à agricultura.
Impressionante é o Senhor dos Passos, logo à entrada, que nos parece cada vez mais cansado. Será de coabitar com os mortos ou da incorrigibilidade dos vivos?
As ruas dos jazigos são ponto obrigatório de paragem. Costumamos demorar-nos por ali, apreciando os mais diversos elementos decorativos, que vão do estilo gótico ao neoclássico, até chegar às linhas directas dos tempos modernos. Quando se espreita para o interior de alguns deles, já só o tempo parece ali habitar.
Este tema dos finados traz-nos frequentemente à lembrança várias histórias. Uma dessas narrativas, meio rocambolesca ou mesmo a atirar para o humor negro, foi passando de boca em boca, de geração em geração de montemorenses. Referimo-nos ao episódio ocorrido, há muitos anos, com a figura popular de José Roque, a quem poderíamos apelidar de “o morto-vivo”.
Ainda guardamos a imagem, embora difusa, do homem que serviu os Pereira Rosa, uma das casas ricas de Montemor. Conseguimos revê-lo no alto da Rua Nova ou nas proximidades do mercado, com uma espécie de bibe axadrezado atado à cintura, como era habitual nas famílias abastadas da vila. Se a nossa memória não nos atraiçoa, José Roque, costumava trazer um barrete preto enfiado na cabeça. Estivemos à conversa há dias com Urias Roque, seu sobrinho, que nos ajudou a avivar o perfil do familiar e a avivar as peripécias de que ele foi protagonista.
Para o Zé Roque (era assim que ele era tratado) a pinga era a sua perdição. Consta que, certo dia, a embriaguez era tamanha que no hospital o deram como morto. Foi, depois, envolto dos pés à cabeça num lençol e colocado na pedra fria da casa mortuária. A notícia espalhou-se pela vila: “ Morreu o Zé Roque! “.
Milagre ou talvez não, durante a madrugada o suposto defunto veio a si, libertou-se das amarras que lhe tolhiam os movimentos, abriu a porta, atravessou a rua larga e foi direito à taberna do Alcácer com o sentido numa cachaça. Nesse tempo, as tabernas abriam cedo, já que muita gente trabalhava de sol a sol.
Agora, imagine-se o ar incrédulo e apavorado do taberneiro, que já saia da “morte” do freguês e viu entrar porta adentro, a desoras, aquele vulto espectral!
Disse-nos o amigo Urias que, durante muito tempo, o dono da taberna não queria ouvir falar no Zé Roque. Nem pensar!
Esta e outras histórias do género não têm por objectivo apoucar seja quem for. É antes, uma forma de dizer que todas estas pessoas estão bem vivas na nossa lembrança e que nem só de figuras ilustres se compõe a vida das comunidades. Também cabe no livro das recordações as pessoas simples, as coisas triviais que fazem parte do nosso imaginário. Não se trata de nostalgia, mas de mmória.
Já que fomos por aqui, deixe-me dizer-lhe, amigo leitor, que a nossa cabeça está povoada dessas figuras populares. Escolhemos ao acaso, mais uma dessas personagens, de que os montemorenses mais antigos se recordarão. Chamavam-lhe “Velho Pão Mole” e impressionava pelo seu aspecto agreste, pela sua cara de mau.
Muitos lembrar-se-ão do homem que costumava vagabundear pelas praças e ruas da vila, sem casa nem destino certos. Usava chapéu escuro e gasto, pala a cobri-lhe um dos olhos, manta às costas e empunhava habitualmente um cajado.
Esta figura, que correspondia à imagem que tínhamos de um maltês, foi-nos sempre referida como uma espécie de papão, principalmente quando fazíamos as nossas travessuras lá em casa ou nos recusávamos a comer os nabos, as couves e outra hortaliça. “Se não comes tudo, vou chamar o Velho Pão Mole”. Foi graças a ameaças deste tipo que conseguimos fortalecer o nosso complexo vitamínico.
O Pão Mole não era mais do que um desses deserdados da sorte, a quem atribuem famas terríveis. Em muitos casos, tratava-se de gente boa que a sociedade enjeitou.
Um amigo nosso, que viveu grande parte da sua vida num dos moinhos do Almansor, contou-nos que o velho aparecia frequentemente ali pra o lado da ponte de Lisboa, mendigando uma falca de pão e pedindo que o deixassem dormir dentro do forno, ainda tépido, em dias de cozesura. Para o velho Pão Mole, o moinho e o forno eram, nas noites frias, o seu palácio encantado!
Bem o espaço e o tempo da escrita estão a expirar. Até breve
Vitor Guita
In “O Montemorense” – Novembro 2016
Transcrição autorizada pelo Autor



terça-feira, 6 de dezembro de 2016

DUQUES E CENAS - Rubrica de J.L.N.

                                                                  FACEBOOK
Sim, ando pelo Facebook para escrever o que me parece que devo, para provocar discussões, para dar recados, para abraçar amigos e para despachar os que pensam que são mas não o são. Mas isso sou eu que não tenho qualquer responsabilidade política na minha cidade e no meu concelho. Porque se eu tivesse responsabilidade política na minha cidade e no meu concelho, não utilizava o Facebook para defender posições que, decerto, deveriam ser defendidas em sede própria, nem para divulgar questões de teor pessoal sobre a família e os amigos, provocando, tantas vezes, momentos de constrangimento a quem lê, muito menos para questionar adversários políticos sem que eles possam reagir num ambiente franco e transparente, como se pretende que sejam os ambientes de troca de idéias, ou apenas para acusar e defender a esmo pessoas e ideologias, sem medir as consequências políticas de tais desabafos. Se eu tivesse essa responsabilidade, não usaria esse veículo como jornalinho pessoal, para espalhar intrigas, escarafunchar questiúnculas, reabrir feridas, espalhar desamores como se eu fosse um cidadão comum, igual aos demais, sem responsabilidades políticas na minha cidade e no meu concelho.
Se há uma questão que alguns políticos da nossa cidade ainda não entenderam, após tantos anos de democracia e de governação livre, é a necessidade de uma atitude de estado. E parece-me que com os exemplos dados todos os dias pelo actual Presidente da Republica, não é tão cedo que o vão entender.
À vontade não é à vontadinha e mais vale cair em graça d que ser engraçado, já me dizia o meu velho e saudosa Pai, sempre atento e amigo.
João Luís Nabo “Professor”
In Montemorense Novembro 2016




DIVULGAÇÃO ALANDROAL



APRESENTAÇÃO DE PROJECTOS PARA REABILITAÇÃO DA FORTALEZA DE JUROMENHA

Conforme oportunamente aqui divulgamos vai ter lugar no próximo dia 17 a apresentação de três projectos da autoria dos Arquitectos  André Bemgocheia, João Timóteo e Nuno Segura, referentes à apresentação da reabilitação  da Fortaleza de Juromenha e a inclusão de um provável futuro Museu.
No intuito de estimular a presença do maior número possível de interessados e após divulgarmos o cartaz base iremos esporadicamente aqui colocar o respectivo cartaz com o anúncio do projecto de cada um dos intervenientes.

Em anexo o cartaz base, e o referente ao Arquitecto Alexandre Vicente


A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM TEM ASSINATURA DE CLÁUDIA SOUSA PEREIRA

                                                    De braços abertos

Terça, 06 Dezembro 2016
Foi sem surpresa que li os resultados de mais um inquérito aos portugueses em que a maioria se diz disponível para receber refugiados mas não imigrantes.
Os portugueses são, entre os europeus, aqueles que aceitam melhor a vinda de refugiados, com preferência para alguns credos em detrimento de outros, e são também dos que mais se opõem à entrada de imigrantes por razões económicas. Foi sem surpresa, mas com tristeza. Aquela que suplanta qualquer ponta de orgulho que não costumo alimentar, embora não lhe seja imune, por exemplo até quando toca o hino.
Sem surpresa porque costumo ouvir as opiniões e comentários das pessoas na rua, seja a rua da capital ou da província. E porque frequento as redes sociais. Com tristeza porque discordo profundamente desta postura. E, sobretudo, porque as oiço nas vozes da geração a seguir à minha, o que atinge o meu capital de esperança nas futuras gerações. Ou não me passassem pelas salas de aula às dezenas, todos os anos, o que me leva a várias situações em que me olham desconfiados com o meu discurso que lhes contraria esta e outras posturas que roçam a intolerância.
Julgava que haveria um certo pudor, neste país que tem um Cristo a receber de braços abertos quem chega à sua capital, em expor assim o seu medo. Porque é de medo que se trata. Medo que nos tirem os diversos lugares que julgamos cativos ou para os que “são de cá”, ou dos que os querem muito e temem a concorrência dos mais capazes. E são eles próprios incapazes de incluir, repartindo “deves e haveres”, nas suas equipas. Às tantas são os mesmos que andaram a indignar-se em público com os discursos de Trump mas levantam assim o seu próprio muro. Que tratam uma nação como um clube privado em que é reservado o direito de admissão pela casta e não pelo cumprimento das regras que todos, de dentro ou de fora, têm de cumprir. Ou que rejubilam quando algo de seu se transforma em património da humanidade.
E depois há uma questão de memória colectiva. Parece-me que aqui somos, paradoxalmente ou talvez não, um conjunto de cidadãos que com a mesma inchada recordação de enaltecimento do que fomos no mundo em expansão há cinco séculos, esquecemos as vagas migratórias de um passado mais recente. E ao medo junta-se assim um novo-riquismo colectivo, o de quem esquece o período humilde da sua vida e rapidamente o substitui pela soberba de quem está bem na vida e mais ninguém a seguir poderá alcançar este bem.
Finalmente, e porque o exercício de me pôr na pele dos outros que costumo praticar me leva a tal, só será compreensível que se justifique esta inospitalidade se, ao medo que nos torna mesquinhos e pequeninos, se juntar a instabilidade crónica de um país economicamente débil. É que quem não tem para si, por muito bonzinho que se apregoe, por uma questão de sobrevivência deixa sair de si os instintos mais básicos e animalescos. Escusava era de andar-se a apregoar o impraticado. Mais vale cruzarem-se os braços e continuarem a queixar-se de que ninguém nos liga. Talvez um dia, como colectivo, neste dever de cidadania cresçamos. Porque, felizmente, vamos tendo indivíduos que se destacam, também neste aspecto, deste colectivo.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira

INFORMAÇÃO - NEWSLETTER ÉVORA


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

MEMÓRIAS - Pelo Luís de Matos


                                               A VALENTIA E O SABER DO EGUARIÇO
Situamo-nos em Terena. Seguindo em direcção ao Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova, atravessamos a Ribeira do Lucefécit, caminhamos pela estrada da Barranca de Baixo, atravessamos o Ribeiro do Alcalate, junto ao Pigeiro Velho, onde o Ti Miúdo foi hortelão durante muitos anos, viramos à esquerda subindo a elevação, um pouco mais à frente logo se avista o Monte do Pigeiro. As extremas da herdade perdem-se de vista. No entanto, o Ribeiro do Alcaide e a Ribeira do Lucefécit fazem parte das extremas e cujas margens são guarnecidas pelos muitos frondosos aloendros que florescem nos meses de Junho e Julho em lindos cachos de cores vermelha e branca que contrastam com a vegetação seca ou amortecida pelos calores estivais. Nos terrenos desta herdade existiam montados de azinho e simultaneamente produziam cereais e pastagem para os gados. Actualmente, e ainda bem, tudo foi alterado, nomeadamente a paisagem e cuja agricultura feita à base de regadio sendo a produção, certamente mais rentável. Mas voltamos aos tempos mais recuados. 
Nesta herdade, para além de outros rebanhos, existia uma manada de éguas. O Eguariço era um homem ágil, valente e destemido como não havia outro em toda a redondeza, de seu nome José Inácio Gonzaga de Paiva, mais conhecido por Ti Zé Fragas, casado com a minha tia Catarina e a sua casa pegava com a dos meus pais na Rua do Forno. Vestia calça de cotim ou de saragoça, camisa aos quadrados pequeninos, atada com um nó mesmo por cima do cinto largo de cabedal e bota cardada. No Inverno, usava safões e samarra de pele de ovelha preta. Este homem, na sua profissão de Eguariço ou seja o encarregado da manada das éguas tinha deveres de muita responsabilidade e de não menos sabedoria. Os principais eram: guardar e apascentar a manada, reparar nas éguas que estivessem aluadas ou seja, ver as que mostravam excitação genética para as levar ao lançamento ou cobrição, regulando-lhe os saltos pelas horas e intervalos em uso, assistir e dirigir esse acto, para tal tinha que pear a égua e segurá-la pelo cabresto durante a cópula; ter todas as cautelas possíveis na parição das éguas de forma que não houvesse desastre nas crias; tosquiar as crinas e as rabadas das éguas e poldros; velar pela ferragem em véspera da debulha. Neste trabalho, se a manada é grande e os calcadoiros a debulhar são avultados, então o Eguariço tem um ajuda extraordinário, indicado pelos ganhões. 
Como se pode ver o Eguariço era um trabalhador altamente qualificado. Ele tinha também a responsabilidade de amansar as éguas isto é, prepará-las para que ficassem em condições de ser montadas por qualquer pessoa, o que diga-se em abono da verdade não devia ser tarefa fácil.
Segundo dizem, era neste trabalho que também os dotes do Ti Zé Fragas muito se manifestavam, pois fazia-o com muita audácia, sabedoria e orgulho. Dizem os trabalhadores que com ele privaram, montava as éguas, mas todas sem excepção, sem lhes colocar qualquer manta ou cela e muito menos qualquer cabresto galopando a toda a velocidade, segurando-se apenas pelas crinas e guiando o animal com os pés ou quando muito com a ajuda de uma varinha. Certo dia, muito antes da construção da Barragem do Lucefécit, a Ribeira do mesmo nome levava uma grande cheia, cujas águas galgavam as margens para o lado da Barranca de Baixo, o Ti Zé Fragas, como tinha necessidade de passar a ribeira para o lado do Pigeiro, agarrava-se ao rabo da égua, de modo que o animal pudesse nadar à vontade e assim ele passava a Ribeira do Lucefécit, também conhecida pela Ribeira da Boa Nova. Muitas noites o Ti Zé Fragas vinha dormir a casa, em Terena. O seu transporte era uma égua. Montava-se numa qualquer, aquela que estivesse ali mais à mão, o que quer dizer que não a escolhia, (tal era a facilidade deste autentico cowboy alentejano lidava com este tipo de animal), chegava ao Adro da Igreja Matriz (a escassos metros de casa), dava um toque na égua e esta voltava sozinha para a manada. De madrugada, o Ti Zé Fragas regressava novamente para junto da sua manada de éguas para aí fazer mais um dia de 24 horas trabalho. Exactamente. Porque o maioral tinha que estar sempre presente, e junto dos animais, não fosse o diabo pregar alguma partida. 
O Ti Zé Fragas deixou-nos a todos ainda muito novo, aos quarenta e três anos de idade. Era realmente um homem valente.
Luís de Matos


VIDA AUTÁRQUICA – ÚLTIMA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

ASSUNTOS EM DEBATE:
1. Apreciação da informação da Presidente da Câmara nos termos do disposto no artº 25º nº 2 al. c) do Regime Jurídico das Autarquias Locais, Lei nº 75/2013, de 12 de Setembro.
 2. Informação de Gestão.
 3. Apreciação do parecer prévio do Fundo de Apoio Municipal relativo aos documentos previsionais       para 2017.
 4. Aprovação do Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2017.
 5. Aprovação do Mapa de Pessoal para 2017.
6. Aprovação do cancelamento do processo de fiscalização prévia nº 1548/10 do Tribunal de Contas.
7. Aprovação do Protocolo celebrado entre o Município e a Junta de Freguesia de Terena (S: Pedro).
8. Autorização da realização do contrato, e respetivas condições, de concessão de espaço para      instalação de armazenagem GPL – Petróleos de Portugal.
 9. Designação de 4 cidadãos eleitores para integrarem a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, de acordo com a alínea l) do artigo nº 17º, da Lei nº 147/99, de 1 de setembro, alterada e republicada pela Lei nº 142/2015, de 8 de setembro.

Súmula dos pontos principais dos docs distribuídos aos Membros da A.M.
A Câmara continua a aguardar a decisão do Ministério do Ambiente sobre o pedido de saída do sistema da ALVT que foi apresentado em Maio;
 Entretanto, a ELV recebeu as condutas adutoras em conformidade com o estipulado no contrato de concessão de 2003, facto que permitirá à Câmara reduzir despesas à Câmara superiores a 140.000 € por ano.
Continuam, com atraso, as obras do Quartel da GNR, devendo o edifício estar obrigatoriamente concluído até ao final do ano para permitir o pagamento por parte do MAI.
Está em curso a construção de muro na Aldeia da Venda e a melhoria de calçadas em Pias e Aldeia da Venda.
 Foi concluída a pintura do Edifício da escola do Alandroal.

SITUAÇÃO FINANCEIRA DA CÂMARA
 1)Foi recebida em meados de Outubro a primeira tranche do empréstimo do FAM, no valor de      11.425,000,00 €;
2)Com essa tranche foram pagos em Outubro as seguintes dívidas: - 9.600.000,00 € ao BPI; - 400.000 € à CGD; - 170.000 € ao Novo banco; - 800.000 € à LVT - 500.000 € a fornecedores;
A Câmara tem continuado a cumprir com a devolução à Agência de desenvolvimento e Coesão das prestações acordadas;
 Mantém-se os fundos disponíveis positivos conforme informação de gestão.
Á data:
Dividas a terceiros a 30 dias: 1.345.598,85€
Compromissos assumidos não pagos: 3.076.797,45€
Fundos disponíveis: 2.337.094,72€.

SITUAÇÃO JURIDICA
Total processos pendentes em tribunal 17.

ORÇAMENTO


DESTAQUE:
O ORÇAMENTO E AS GRANDES OPÇÕES DO PLANO FORAM APROVADAS COM OS VOTOS A FAVOR DA CDU, DO PSD, ABSTENÇÃO DO DITA E VOTOS CONTRA DO P.S.


A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM

                                                 Juntos Conseguimos?

Segunda, 05 Dezembro 2016
Estamos quase no  final de 2016. Completámos três anos de governo municipal em Évora por parte da CDU, um mandato com maioria absoluta na Câmara e ampla maioria na Assembleia Municipal.
Infelizmente, e passados 3 anos, uma parte muito considerável do Programa da CDU encontra-se por cumprir:
·         Prometia a CDU defender os “postos de trabalho e valorizar os trabalhadores”. Infelizmente, ao fim de 3 anos de gestão, continuamos a encontrar dezenas de postos de trabalho que deveriam ser de carácter permanente, ocupados por formas precárias de contratualização;
·         Prometia a CDU “envolver as populações e as instituições na construção dos orçamentos municipais”. Chegámos ao momento da apresentação do último orçamento municipal do mandato, sem perceber que metodologia de auscultação foi feita e quais os efeitos práticos da mesma;
·         Prometia a CDU “definir e concretizar um programa anual de animação do centro histórico”. Ao fim de 3 anos, apesar de algumas melhorias a este nível, não existe qualquer programa concreto, assumido, e com a participação de TODOS os agentes culturais;
·         Prometia a CDU “criar um programa de valorização patrimonial e turístico do Cromeleque dos Almendres, Anta Grande do Zambujeiro e do Povoado Pré-Histórico do Alto S. Bento”. Chegaremos a 2017 sem nada feito;
·         Prometia a CDU “revitalizar o Mercado 1.º de Maio com os operadores e pequenos produtores”. Até ao momento tal revitalização não ocorreu;
·         Prometia a CDU “inventariar os bens patrimoniais do Concelho, criando um museu virtual para Évora”. Alguém conhece tal museu?;
·         Prometia a CDU “definir um Plano Estratégico Cultural”. Continuamos à espera de tão importante Plano Estratégico, e corremos o risco de continuar à espera;
·         Prometia a CDU “reabilitar e dinamizar a ludoteca do Jardim de Évora”. Até ao momento nada;
·         Prometia a CDU “lançar um grande debate público sobre o futuro da Feira de S. João”. Esse grande debate surge mencionado nas Opções do Plano de 2017 da seguinte forma: a Câmara “concluirá a discussão pública estruturada sobre a Feira de S. João”. É positivo que o conclua, mas já que é um grande debate público seria conveniente que tivéssemos conhecimento que ele começou e está em curso;
·         Prometia a CDU “rever o plano de circulação e trânsito da cidade, facilitando a mobilidade, o tráfego e o estacionamento”. Em 3 anos não se sentiu qualquer melhoria;
·         Prometia a CDU “criar um plano concelhio para a mobilidade que dê a prioridade à circulação e acessos a cidadãos com mobilidade reduzida”. Infelizmente os cidadãos com mobilidade reduzida só encontram barreiras na nossa cidade;
·         Prometia a CDU “reconstituir uma bolsa municipal de solos”. O que aconteceu com esta promessa?;
·         Prometia a CDU “melhorar e gerir de uma forma mais eficaz a iluminação pública”. Quero acreditar que a iluminação pública está a ser gerida de forma mais eficaz. Mas melhorias não encontro;
·         Prometia a CDU “definir um plano concelhio de preservação e promoção ambiental”. Não conheço tal plano e não o vejo plasmado em lado nenhum;
·         Prometia a CDU “criar um programa carbono zero que contribua para minimizar as alterações climáticas”. Era bom, não era?;
·         Prometia a CDU “retomar a Agenda XXI Local, garantindo a participação e respeitando os projectos selecionados pela população”. Pena não ter sido retomada, e muito menos se prevê que se respeite as escolhas da população;
·         Prometia a CDU “elaborar um plano estratégico para o desenvolvimento desportivo”. Até ao momento nada;
·         Prometia a CDU “dinamizar a organização de Fóruns da Juventude”. A ideia ainda não chegou a ver a luz do dia;
·         Prometia a CDU “criar percursos pedonais ao longo de todo o Concelho”. Objectivo exigente e ambicioso. Nem ao longo de todo o Concelho… nem em parte…;
Prometia a CDU… E prometia ainda mais… Prometia que juntos conseguiríamos… pouco se conseguiu e pouco se prevê conseguir.
Até para a semana!

Bruno Martins

POETAS DA MINHA TERRA - Manuel d´Sousa

                                    A TRÊS VOZES
                                                   - Um tipo meio estranho
                                                     Avesso a convívio social?
                                                     Dizem não ser normal
                                                     Viver isolado do rebanho…
                                                   - O raciocínio acompanho
                                                      E entendo a preocupação,
                                                      Mas não encontro solução
                                                     Para os teus problemas…
                                                   - Deixa-te de esquemas,
                                                     A mim não enganas, não!
Manuel d’Sousa
Ilustração: JPGalhardas