sexta-feira, 30 de setembro de 2016

AS NOSSAS SUGESTÕES

                              DESTAQUES

               NOUTRAS LOCALIDADES







CRÓNICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM

                                                    Competitividade
Sexta, 30 Setembro 2016
Portugal perde competitividade.
Esta poderá, e deverá, ser a primeira leitura aos dados do Relatório Global de Competitividade (2016/17) do Fórum Económico Mundial, índice que integra 138 países. Ou seja, Portugal desde da 38ª para a 46ª posição, perde 8 lugares.
As razões que colocam Portugal nesta posição são várias, desde logo a elevada carga fiscal (taxas e impostos) e a instabilidade fiscal, regras fiscais que alteram com elevada frequência, sendo estes factores principais da perda da nossa competitividade.
Também a instabilidade política, a burocracia e a legislação laboral são referenciados como factores de perda de competitividade.
Em boa verdade nada do referido será surpresa para nós. Neste espaço, por várias vezes, alguns destes aspectos têm sido mencionados como factores que influenciam negativamente o crescimento. E o país terá que saber criar os necessários equilíbrios que permitam a atracção de investimento, os quais terão que ser conseguidos com estabilidade politica, fiscal e laboral, que permitam a confiança de quem investe.
Não caminhar nesse sentido é permitir que, ano após ano, Portugal perca competitividade e se afaste cada vez mais de ter uma economia mais competitiva e mais produtiva.
Mas, porque falamos de competitividade, também poderemos chamar ao assunto a nossa região. Ou melhor, as 4 sub-regiões (Alto Alentejo, Alentejo Central, Alentejo Litoral e Baixo Alentejo), comparando-as com as demais regiões NUT III e segundo o Índice Sintético de Desenvolvimento Regional (ISDR) de 2014 do INE.
Num total de 25 regiões NUT III, o Alto Alentejo ocupa a 25º posição (última posição), o Alentejo Central a 17ª, o Baixo Alentejo a 15ª e o Alentejo Litoral a 7ª posição, todas apresentando um índice de competitividade abaixo da média nacional.
Ainda assim, o Alentejo Litoral beneficiará da sua localização de região litoral, permitindo-lhe ganhos de competitividade e estando numa posição relativamente próxima da média nacional.
Se fizermos idêntica análise segundo o ISDR de 2011 e 2013 veremos que não se verificam mudanças significativas em relação à posição no índice de 2014, pelo que se conclui da dificuldade em melhorar a competitividade destes territórios.
Ressalvo que foi apenas abordado o índice de competitividade, porque este é o tema desta crónica. Se fizéssemos a leituras dos restantes dois índices (coesão e qualidade ambiental) certamente ficaríamos com uma outra visão destes territórios.
Mas, ainda que a economia regional tenha a influência de um conjunto vasto de factores (desde a preservação e valorização do património natural e cultural, às infra-estruturas, aos recursos existente, às empresas, etc) não deixa de ser fundamental dar competitividade, criando mais
dinamismo nas regiões, para melhorar o seu crescimento económico e social.
Até para a semana
Rui Mendes


DESPORTO NO FIM DE SEMANA

                                                                         FUTEBOL
                                                                       Distrital
                                                                           ELITE

                                                                 Arraiolense – Canaviais
                                                                      Alcaçovense – Perolivense
                                                                     Redondense – Escouralense
                                                                Juventude – Estrela Vendas Novas
                                                                                  Lavre -   Lusitano
                                                                           U. Montemor – Oriolense
                                                                       Atl. Reguengos – Monte Trigo.



                                                                             TORNEIO

                                              CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série H
                                                                       Spot. Viana – Louletano
                                                                             Moura – Farense
                                                                         Fabril – Pinhalnovense
                                                                    Lusitano V.R.S.A. – Armacenense
                                                                         Almancilense – Aljustrelense.

                                                                                 FUTSAL  
                                                                 Nacional 1ª divisão
                                                                   Fabril – União de Montemor

                                                                                    RugbY
                                                                      DIVISÃO DE HONRA
                                                                             Montemor - Agronomia
                                                                        TAÇA CHALLENGE
                                                                                Montemor – Agronomia

                                                                                   BTT






quinta-feira, 29 de setembro de 2016

CONSIDERAÇÕES DO A.N.B. SOBRE A HISTÓRIA DE BARTHOLOMEU BERNARDINO PELO A.C.

                       Bartolomeus  e  Bernardinos
1)
Tal como o narrador tem, à sua disposição, toda a criatividade do mundo para contar uma estória, assim o leitor deve usar a sua liberdade para a interpretar como melhor conseguir percebê-la.
A grande marca da literatura da maior à menor (independentemente dos seus géneros) é a capacidade, o engenho e a arte, de pôr a realidade ao serviço da ficção e a ficção prestando um constante auxílio à realidade.
Percebe-se que é o que AC experimenta fazer através de uma narrativa que tem “pormenores e detalhes deliciosos”. Assim como tem o poder atractivo bastante para que, qualquer leitor, goste de ir vendo e recapitulando formas diversas (e trágicas) da vida postas em escrito.
Diria, neste passo, ainda mais: não vou adjectivar a escrita do AC porque ela se impõe por si mesma. Por isso, gostámos bastante. Embora também dispensássemos a alusão inicial que se baseia em “factos verídicos”. Verdadeiros ou não, o que interessa é «o modo aberto» como a seguir podem ser lidos e interpretados. E vão sendo postos ao nosso dispor.
  2)
Virando-me para a narrativa, a personagem que mais me atraiu foi a Alda. É um traste feminino de primeira apanha. Assedia e sofre assédios, enquanto faz boas compras na mercearia. O Macedo gentil, esse acabou em louco; quando o roubo e o crime acontecem, logo insinua um valente par de cornos “ao bexigoso do marido”, o guarda- nocturno.
Se repararem, algo sorridente, a Alda, prevê quase tudo e sabe-a toda. Mulher que gosta de marcar o seu território percebem-se bem os seus caprichos, necessidades e insatisfações.  
E como se isso não bastasse sempre que faz as compras, vai de caminho direitinha à Consolação (quando a Igreja ainda não estava em ruínas…) em acto breve de contricção à Virgem; e de suprema consolação perante Deus.
 Se isto não é uma perversidade “de alto coturno” e menção pura à feminina perversidade para quem agora revê a Alda, já não sei onde pode estar a arte (como acima dizia) de bem construir “uma personagem decisiva” neste tamanho enredo.
Precisamente por ser aquela personagem em que, por vezes, menos se repara e a matriz de uma engendrada «paz surda» que acabou numa morte trágica. Acompanhada de fundas facadas e sangue camiliano a mais.
Dito assim, vou só acrescentar que o Autor ao exercer a sua liberdade de escrita não tem que apresentar “uma qualquer verdade e versão única”.
É esse o sortilégio da vida e de todos os crimes que continuam até hoje por desvendar. Assim como também é o sortilégio de quem consegue dar formas literárias ao que a realidade uma vezes mostra e outras vai encobrindo.
 O ideal, penso eu, seria o Autor tornar um destes dias a reconfigurar o enredo social e revisitar as personagens do crime e desta estória, de modo a poder descobrir-se o mistério, ou a avivar as partes deste mistério “alandroalense” que ainda continuam em suspenso. E assim continuarão. Ou é melhor que assim seja? 
    Saudações/ Abraço ao Autor
      Antonio Neves Berbem


OPINA QUEM JÁ LEU !


COM MUITO INTERESSE


QUE VENHA O MEXILHÃO

   Detalhe do Contrato 
Data de publicação no BASE
29-09-2016
Tipo(s) de contrato
Aquisição de serviços
Tipo de procedimento
Ajuste directo
Descrição
Contrato de prestação de serviços para a monitorização de mexilhão-zebra em albufeiras do EFMA em 2016 e 2017.
Fundamentação
Artigo 20.º, n.º 1, alínea a) do Código dos Contratos Públicos
Fundamentação da necessidade de recurso ao ajuste direto (se aplicável)
ausência de recursos próprios
Entidade adjudicante - Nome, NIF
Entidade adjudicatária - Nome, NIF
Objeto do Contrato
Monitorização de mexilhão-zebra em albufeiras do EFMA em 2016 e 2017.
Procedimento Centralizado
-
CPV
90711500-9, Monitorização ambiental fora do âmbito da construção
Data de celebração do contrato
19-09-2016
Preço contratual
30.000,01 €
Prazo de execução
480 dias (1 ano, 3 meses e 23 dias)
Local de execução - País, Distrito, Concelho
Portugal, Beja, Serpa
Portugal, Beja, Ferreira do Alentejo
Portugal, Évora, Reguengos de Monsaraz
Portugal, Évora, Évora
Portugal, Beja, Beja
Portugal, Beja, Alvito
Portugal, Beja, Aljustrel
Portugal, Évora, Alandroal
Portugal, Beja, Cuba
Portugal, Évora, Portel
Portugal, Portalegre, Elvas
Portugal, Beja, Vidigueira
Portugal, Évora, Mourão
Portugal, Beja, Moura


DIVULGAÇÃO

           CINEMA NO MÊS DE OUTUBRO PROGRAMADO PARA                                           O ALANDROAL



                                       TEMPOS LIVRES

                                          WORKSHOP

EQUITAÇÃO
NATAÇÃO

SE É AFICIONADO AQUI ESTÃO OS PRÓXIMOS CARTAZES



CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM

http//www.dianafm.com

                                            Justiça, justiceiros e populismo

Quinta, 29 Setembro 2016
“Sede de justiça. Justiça exemplar. Condenar com brevidade. Onde há fumo há fogo. Deviam ser todos presos (ou mortos conforme a sanha de quem o diz). Eu cá sou contra a pena de morte, mas…”
Milhões de mensagens circulam nas redes sociais, escritas por gente que é incapaz de levantar o rabo do sofá para defender uma causa, exigem que se faça “justiça”.
Não que se cumpra a lei, isso exigiria que conhecessem a lei e isso dá uma trabalheira desgraçada, mas que se faça “justiça”. A sua “justiça”. Aquela que resulta da sua apreciação moral sobre o comportamento dos outros.
Sempre assim foi, é verdade. Mas passámos da afirmação à mesa do café, que apenas atingia a meia dúzia de ouvintes, à possibilidade de atingir milhares de pessoas no minuto seguinte.
Esta mudança que permite o acesso a uma audiência global e interactiva potencia o perigo do reconhecimento da razão que assiste a quem clama por “justiça”. Basta olhar para a capacidade de reprodução que têm as mensagens desse género e de como se tornam o espelho de opinião pública sobre o assunto.
É deste movimento de “indignação” e anseio por “justiça” que nascem os justiceiros. Os que acham que justiça é punir os que não se enquadram nas malhas apertadas da sua moralidade e que as garantias de defesa, são meros instrumentos para que os bandidos escapem impunes.
Pelo meio, o princípio da presunção de inocência é atropelado e deixa de fazer sentido. O julgamento social está feito por cada justiceiro e a condenação é certa.
Existem órgãos de comunicação social que julgam e condenam diariamente cidadãos, mesmo antes de serem presentes a um juiz. Recolhem as provas, julgam e condenam com a contribuição de comentadores pagos para darem credibilidade ao acto de “justiça”.
Este caldo, melhor, esta lama, costuma conduzir a fascismos de diversa índole que caiem sobre os defensores da justiça acima da lei e que só nesse momento percebem que o que andaram a exigir foi a mais pura arbitrariedade.
O populismo constrói-se assim. Simplificando conceitos, discutindo assuntos sérios com sentenças de duas linhas, vivendo no mundo do “prós e contras”.
A reflexão sobre o que se diz e o que se escreve, a capacidade de ler os argumentos do outro para depois contrapor com argumentos e convicções, foi substituída pelo seguidismo acéfalo de conceitos e teorias que, parecendo pretender transformar cada um em justiceiro dos tempos modernos, leva à mais pura manipulação que conduzirá à morte do Estado de direito.
E pelo caminho, cometem-se os mais variados crimes, sendo o que os da difamação e da injúria são o que estão mais na moda.
 Até para a semana

Eduardo Luciano

A IMPRENSA REGIONAL QUE PODE ADQUIRIR HOJE


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

VIDA AUTÁRQUICA - ASSEMBLEIA MUNICIPAL


                                       ASSUNTO:  Convocatória Assembleia Municipal
No uso das competências que me são conferidas pelo nº 1 do art.º 27, do Regime Jurídico das Autarquias Locais, aprovado pela Lei n.º 75/2013, de 12 de Setembro, convoco V. Exa., para a Sessão Ordinária deste Órgão deliberativo do Município, marcada para o dia 30 de setembro de 2016 pelas 21.00 horas, no Edifício Sede da Câmara Municipal de Alandroal.
A ordem de trabalhos da referida sessão é a seguinte:
 Período antes da Ordem do Dia, de acordo com o nº 1 do artigo 23º do Regimento da Assembleia Municipal de Alandroal.
1.     Apreciação da informação da Presidente da Câmara nos termos do disposto no artº 25º nº 2 al. c) do Regime Jurídico das Autarquias Locais, Lei nº 75/2013, de 12 de Setembro.
2.     Informação de Gestão.
3.     Procedimento Concursal de Recrutamento de Trabalhadores na modalidade de Contrato de Trabalho em Funções Públicas por Tempo Determinado – Termo Resolutivo Parcial – Autorização para o Recrutamento Excecional de Técnicos para as Atividades de Enriquecimento Curricular para o ano letivo 2016/2017.
4.     Aprovação do relatório sobre a situação económica e financeira relativo ao 1º semestre de 2016.
5.     Aprovação da Taxa de IMI, nos termos do artigo 112º do CIMI, para 2017.
6.     Aprovação da Taxa de Derrama, nos termos do artigo 18º da Lei 73/2013, de 3 de setembro, para 2017.
7.     Aprovação da Participação Variável no IRS, nos termos do artigo 26º da Lei 73/2013, de 3 de setembro, para 2017.
8.     Aprovação da assunção de compromissos plurianuais para o exercício do ano 2017.
9.     Informação sobre o Fundo de Apoio Municipal.
No final da sessão, de acordo com o artigo 25º do Regimento da Assembleia Municipal, haverá o período de “Intervenção do Público”.
Edifício Sede do Município de Alandroal, 21 de setembro de 2016

O Presidente da Assembleia Municipal,

José Narciso Marat Mendes


    Ter em atenção que no final pode haver intervenção do público

DUQUES E CENAS - Uma página do Prof J.L.N.

                             Eu tive um sonho

Eu tive um sonho. Sonhei que a nossa História recente nos deixaria exemplos que não iriam ser repetidos. Sonhei que não haveria mais ditadores, tortura e assassinatos massivos de inocentes. Sonhei que seria impossível morrerem milhares de fugitivos nas águas do Mediterrâneo. Sonhei que o mesmo Homem que conquistou o Espaço seria capaz de curar o cancro e a Sida. Sonhei que, num futuro a que se chamaria a Era das Comunicações, as pessoas conhecessem os vizinhos da porta ao lado. 
Eu tive um sonho. Sonhei que, depois de décadas de miséria, exploração, obscurantismo, prisões e guerras em África, jamais voltaria a haver crianças com fome, bairros de lata, trabalhadores explorados, desempregados, presos injustamente, serviços secretos e guerras noutras áfricas. Sonhei que todas as crianças tivessem uma família que as amasse e respeitasse e que todas as famílias dessas crianças tivessem dinheiro para comprarem os livros escolares aos seus filhos e netos e que o Estado não fizesse letra morta do que está instituído – um ensino livre e gratuito para todos.
Eu tive um sonho. Sonhei que, no meu país, todos os homens e mulheres seriam tratados de igual forma perante a lei e que todos teriam de responder pelos seus actos, independentemente das suas posses e influências.
Eu tive um sonho. Sonhei que o meu país seria sempre conduzido por políticos responsáveis, sérios e dignos da confiança de todos nós e que a Justiça fosse uma segurança e não uma ameaça.
Eu tive um sonho. Sonhei que, um dia, os campos à volta de Vila Nova, outrora cenários de sofrimento e exploração, se transformariam em espaços fecundos onde proprietários e trabalhadores unidos trabalhavam a terra e a tornavam próspera, livre e prenhe de vida. Sonhei que os comerciantes desta terra tivessem capacidade para viver com dignidade dos seus negócios, apesar da implantação das grandes superfícies comerciais e da fuga de clientes para o litoral.
Eu tive um sonho. Sonhei que, um dia, todos os que procurassem emprego seriam aceites de forma justa e isenta, independentemente da sua cor política, da origem familiar, da sua raça ou religião, ou mesmo do seu passado, e que o seu carácter e capacidade fossem bens inalienáveis e os primeiros requisitos a ter em linha de conta para o cumprimento das suas funções.
Eu tive um sonho. Sonhei que um dia, os anos de eleições autárquicas não seriam apenas tempo para inaugurações apressadas, visitas às instituições de Vila Nova pelos vários partidos políticos, com promessas que nem sempre são cumpridas, e operações de charme com muitas fotos, sorrisos e abraços. 
Sonhei que, um dia, os que governam Vila Nova e o concelho acabariam, aos poucos, por largar as cores dos seus partidos, de forma a servirem, completamente livres e em equipa, o povo que os elegeu, de modo a salvaguardarem o bem-estar e a felicidade de todos vilanovenses. Sem sentirem as pressões dos compromissos partidários, das disciplinas de voto, dos segredos, das vaidades pessoais, dos preconceitos e dos golpes palacianos.
Eu tive um sonho. Sonhei que os meus filhos e todos os filhos da minha terra teriam a oportunidade de ter um futuro em Vila Nova, a terra que os viu nascer e crescer, com empregos estáveis e duradouros, para poderem fixar aqui a sua vida e a vida dos nossos netos. Sonhei, também, que seria possível atrair empresas, indústrias, investidores para esta terra de gente boa e estrategicamente localizada.
Eu tive um sonho. Sonhei que um dia todos seríamos livres de expressar as nossas opiniões, independentemente da hora e do momento, sem pressões nem medos, nem constrangimentos de qualquer espécie. Sonhei, por fim, que as críticas construtivas seriam aceites de peito aberto e utilizadas para melhorar, dia após dia, a dedicação de todos nós ao bem público e a Vila Nova.

O sonho de Martin Luther King continua por cumprir e ele pagou com a vida a sua ousadia. O meu continua vivo e cheio de esperança.
Eu tive um sonho.
Eu tenho um sonho.
João Luís Nabo

DEFERÊNCIAS - CONVITES

Dia 30 (sexta-feira, 21h), Capela do Paço Ducal de Vila Viçosa - Concerto "A Música na Casa Real", com Rui de Luna, Pedro Vieira de Almeida, Pedro Santos e Fernando Júdice.
 Dia 1 (sábado, 15h), Capela do Paço Ducal de Vila Viçosa - Apresentação de obras do Arquivo Musical do Museu-Biblioteca da Casa de Bragança; (lançamento em CD e edição das partituras) e concerto pelo Coro Autêntico da Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco.

MONTEMOR



terça-feira, 27 de setembro de 2016

AS HISTÓRIAS DO LUÍS DE MATOS

                          O Velho Gasparão

O Ti Gaspar, mais conhecido por Velho Gasparão, era um homem muito alto, forte e com uma grande barriga. Toda a sua vida foi Guarda de Pastagens no Monte do Pigeiro. Andava sempre de mochila às costas. Usava calças de cotim e camisa aos quadradinhos pequenos e bota cardada. A camisa era atada mesmo por cima do cinto de cabedal. Era natural de Terena e morava na rua das casas novas, mais ou menos defronte do prédio do Dr. Galhardas. Depois de reformado passou a andar de monte em monte como guardador de gado, em substituição dos maiorais que por qualquer motivo tinham que se ausentar e faziam-no por vários motivos; por doença, casamento ou por falecimento de um familiar ou amigo.
O Velho Gasparão tinha fama de comer muito e pelos vistos tinha também o proveito. Certo dia, o Ti Joaquim Alho que era o cozinheiro do Monte do Pigeiro viu que o Velho Gasparão se aproximava do monte e disse para os presentes.
– Olhem! Vem além o Velho Gasparão. O que é que acham? Vamos pregar-lhe uma partida?
Todos concordaram.
Quando o Velho chegou, como pessoa educada que era, cumprimentou com um “Boas Tardes”, ao que todos corresponderam.
– Então Ti Gaspar já ceou hoji?
– Nã senhori, mas comia umas sepinhas, se prá aí houvesse.
– Então nã há-de havêri Ti Gaspari!. Vou-lhe fazêri uma açorda, disse-lhe o cozinheiro.
– Está bem. Munto obrigado.
Era normal, que nos montes houvesse sempre uma panela de ferro com água ao lume. O Cozinheiro começou de imediato a pisar os tempêros, que eram poejos e pôs-lhe duas ou três malaguetas para testar o sabor e para ver até que ponto o estômago do bom do Ti Gaspar aguentava, pois tinha fama de comer muito. Enquanto esperava que a água fervesse em cachão, migou um pão de quilo para as sopas da açorda, colocou os temperos e o azeite num alguidar de barro, certamente comprado ao Ti Firmino ou ao irmão que eram louceiros do Redondo e que andavam por aldeias e montes a vender loiça e abafou a açorda para o pão crescer bem. Passados uns cinco ou dez minutos, já o pão tinha crescido quase para o dobro. Pensou o Ti Joaquim Alho. Está mesmo boa. Hoje é que vamos ver até que ponto é que o Velho Gasparão come muito.
O cozinheiro chamou então o bom do homem para se sentar à mesa, que a açorda estava pronta.
Enquanto o Velho Gasparão ía comendo a açorda, os outros, com os olhos arregalados por tão grande apetite, assistiam a todo este quadro. O Velho comeu a açorda toda e, também bebeu o caldo.
Perguntou-lhe o cozinheiro.
– Então Ti Gaspar a açorda estava boa?
Se estava! Só foi pena o caldo ter um bocadinho de picante a mais.
Luís de Matos


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A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM

                                          Oportunidades e Comboios

Terça, 27 Setembro 201
Um assunto de comboios tem estado a apoquentar os moradores junto à antiga linha ferroviária de Évora.
Um projeto estratégico para o País que, aparentemente, teria de incluir esse atravessamento, num processo por agora, também aparentemente, mais calmo, mas em que a intransigência de uns parecia estar a levar à resistência exacerbada de outros que, não sendo muitos, perceberam muito bem o perigo da situação. Já assumi a minha posição publicamente e declarei o que tinha a declarar sobre o assunto em concreto, mas não queria deixar de falar um pouco dessa expressão que, das duas umas, ou reflecte uma atitude ou se reflecte numa agenda própria de alguns. Falo da expressão “ficar a ver passar os comboios”.
Usada para significar que se perde uma oportunidade, o seu porquê e de onde vem não consegui apurar. Seguramente que em português a expressão não pode ter nascido antes da segunda metade do século XIX ou, se nasceu, já poderia ter sido por indignação dos que queriam ver os comboios a circular em Portugal mas não havia meio de isso acontecer. Parece que as primeiras tentativas terão sido de 1840, a obra só arrancou em 1853 e o primeiro troço, Lisboa-Carregado, terá ficado concluído em 1856, há 160 anos portanto. Também poderá ser uma tradução das expressões em francês ou inglês, que falam em “perder o barco”, e ser tão antiga como a época dos Descobrimentos com uma actualização oitocentista. Curiosa é a expressão que funciona como onomatopeia e, portanto, serve para imitar o ruído do comboio - «pouca terra, pouca terra» - a que se junta a onomatopeia “u-uuu”.
Entre uma e outra expressão, não consigo deixar de imaginar que se a primeira se aplica aos que ficam apeados e parados, a outra parece entoada por quem lá vai dentro, a fazer quilómetros atrás de quilómetros. Sem emitir juízos de valor, pergunto-me sempre quem será mais feliz: se o que escolhe acomodar-se, se o que não sossega sem mudanças constantes. É que os primeiros podem acomodar-se porque, de facto, conseguiram o ambiente ideal para o fazer e essa comodidade é a oportunidade que agarram. E os outros podem sempre, inconformados, desejar o melhor que não encontram por onde passam e não ficam, não sem antes tentarem esse melhor para aquele lugar. Mais uma vez, em meu entender, é o tempo, a consciência que dele temos, que nos faz criar ou aproveitar oportunidades. Quando o fazemos só para nós e em prejuízo dos outros até lhe chamamos oportunismo.
Em Évora, nos finais dos anos 90 - início deste século, quando um pouco por todo o país se erguiam centros culturais, deve-se ter achado que não eram precisos e nenhum se fez ou se recuperou um salão que, tão central quanto em ruínas, ainda para ali está. Em Évora, quando um pouco por todo o país, nasciam centros comerciais com cinemas, por aqui chegava aquele que ficava ali ao canto e que, de tão esconso, não atraía espectadores. Em Évora, quando em todo o país qualquer sede de concelho já tinha um sistema de águas que evitava os longos verões sem pinga na torneira, o sistema encontrado, para o assunto ser rapidamente resolvido, que foi mas mais tarde, sai caro aos bolsos da autarquia num “casamento” com parceiros que ainda anda a correr mal. E em Évora, para se ter uma pista de atletismo foi preciso um projecto que começou com uns localmente, que continuou com outros centralmente, e se concluiu de novo com os primeiros e os outros, e a que se juntaram mais outros, localmente, para cortar a fita e assumir a gestão.
Um cenário político-partidário destes, em que todos procuram ser os que fizeram isto ou aquilo, parece acompanhar com «pouca terra, pouca terra» a atitude proactiva que afinal só pode beneficiar Évora. Não se pode é promover durante anos essa atitude de ficar sossegadito a ver passar os comboios, agitando bandeirinhas a exigir isto e aquilo, e depois querer que quem se habituou ao “poucochito” que lhe deram mas a refilar muito por mais e melhor, saiba fazer mais do que isso. Mas isto sou eu a pensar, que nem todos os comboios se apanham só porque sim e, retomando a referência da expressão nas outras línguas, há outra expressão que nos ensina o valor do tempo e da oportunidade: «há mais marés que marinheiros».
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira