terça-feira, 17 de janeiro de 2017

BOA NOTÍCIA PARA SANTIAGO MAIOR

Delegação de Santiago Maior da cruz     vermelha portuguesa inaugurada.
Fonte: Rádio Nova Antena

CINEMA

Há relativamente pouco tempo colocamos aqui no Al Tejo  o nome dos filmes eleitos pelo Dr. Egas Branco, que amavelmente nos concede o privilégio da sua colaboração,  como os seus preferidos  em 2016.

Deixamos-lhe hoje, pequenos textos justificativos dessa mesma escolha.

                             BALANÇO CINÉFILO DE 2016 - As minhas justificações de gosto

45 YEARS (45 ANOS), de Adrew Haigh, com Charlotte Rampling, Tom Courtenay
  O argumento do filme é baseado numa novela de um poeta inglês, David Constantine (71 anos), que em entrevista disse que a ideia lhe tinha vindo duma notícia que leu na adolescência, e que o tinha impressionado, sobre o corpo de uma rapariga que havia sido descoberto praticamente intacto, envolvido no gelo de um glaciar alpino. 

Constantine e posteriormente Haigh construíram histórias cujo maior interesse tem obviamente a ver com o comportamento humano a partir da memória de um acontecimento que se julgava definitivamente terminado e que um corpo conservado no gelo vem lembrar."
THE BIG SHORT (A Queda de Wall Street), de Adam McKay, Christian Bale e Steve Carell
 "Não será uma obra claramente anti-capitalista mas antes uma denuncia dos excessos a que o capitalismo em crise, cíclica, conduz, provocando milhões de vítimas, mas que para eles não passam de números... 
A obra, embora se limite aos especuladores menores, que gravitam na órbita do sistema, embora às vezes enriqueçam, e praticamente nunca nos mostre os que efectivamente comandam e ditam as decisões políticas que permitem que tudo continue na mesma, não deixa de impressionar os espectadores. Nem chegamos sequer a ver os émulos dos famigerados Constâncios e Carlos Costas, a não ser em imagens fugazes 
No entanto o filme vai dizendo meia dúzia de verdades sobre quem acaba por pagar de facto as crises capitalistas, ou seja, os trabalhadores e as massas populares. "

LA LOI DU MARCHÉ (A Lei do Mercado), de Stéphane Brizé, com Vincent Lindon e Karine de Mirbeck
 "O autor diz que o seu filme é apenas político no sentido estrito do termo, mas que não quis fazer um panfleto ou uma bandeira da luta de classes, mas apenas debruçar-se sobre um homem em crise, por ter caído aos 50 anos no desemprego, não querendo no entanto perder a sua dignidade como ser humano.
O filme mostra, através de vários episódios na vida deste homem, o estado lamentável da sociedade resultante das políticas neoliberais (em muitos aspectos espécie de fascismo). Não tenho tempo agora para explicitar alguns aspectos a merecerem atenção mas que julgo que os espectadores não deixarão de sentir, como por exemplo o da "selecção de pessoal" nas empresas privadas. Aliás isso foi evidente na reacção dos espectadores da sessão a que assisti."

CINZENTO E NEGRO, de Luís Filipe Rocha, com Joana Bárcia e Flipe Duarte
 "Vontade de rever esta magnífica obra, CINZENTO E NEGRO, tragédia de contornos clássicos, que a crítica dominante desconsiderou. 
De Luís Filipe Rocha, o grande realizador de, por exemplo, o famoso CERROMAIOR, em que adaptou a obra homónima de Manuel da Fonseca, o admirável escritor, poeta, narrador do País a Sul do Tejo.
 Agora é principalmente a paisagem açoriana que domina, em especial do Pico e do seu mítico vulcão.
Brilhante direcção de actores e actrizes. Joana Bárcia e Mónica Calle com duas interpretações que ficam no nosso imaginário cinéfilo e isso nos tempos actuais não é fácil de se conseguir, pelo menos para mim."

WHERE TO INVADE NEXT (E agora invadimos o quê?), de Michael Moore
 "O famoso documentarista norte-americano, MICHAEL MOORE, dá um panorama desolador do estado da democracia, dos direitos dos trabalhadores e dos direitos humanos no seu país. (...)
Em especial o episódio da luta pelos direitos das Mulheres é talvez o melhor momento do filme."


MARAVIGLIOSO BOCCACCIO (Maravilhoso Boccaccio), de Paolo e Vittorio Taviani
 "É a adaptação de um grande clássico italiano, baseado nas histórias do seu DECAMERON, que Pasolini já havia adaptado também brilhantemente, à sua maneira. 
Em tempos de Peste (século XIV) há quem tente fugir-lhe. Também nós agora, com novas pestes (o fascismo e o neo-nazismo crescendo na Europa, na Turquia...) assolando os sítios onde vivemos, precisamos de força para lhes resistirmos e fazer-lhes frente, porque não adianta fugir... 
É um maravilhoso filme dos manos Taviani a não perder, transmitindo a beleza e sabedoria sobre a natureza humana, dos escritos de este grande autor, como o nosso Gil Vicente, Shakespeare, Molière..."

Restantes escolhas serão colocadas amanhã

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM

                                            UMA CAIXA É UMA CAIXA
Há temas que, sendo da política porque dizem respeito ao que nos governa, confesso ser incapaz de pensar para além de uma lógica quase comum. Falo de temas sobretudo relacionados com as finanças, um mundo que, para além da inevitável matemática vertida em equações e gráficos que só consigo, hélas!, apreciar esteticamente, mexem com a sociedade e as pessoas e, por isso, aparecem não no campo das ciências exactas, mas no das ciências sociais e, porque não, humanas.
Assim o quase-sempiterno assunto da Banca e da Caixa Geral de Depósitos tem-me dado que fazer. Muitos artigos de opinião, o acompanhamento regular das audições em comissões parlamentares onde trabalham aqueles que me representam, já que eu faço parte dos que ainda votam sempre. E, claro está (pois se são estes os momentos em que quem tem mais que fazer do que inteirar-se destas “politiquices” ganha argumentos para emitir opinião), algumas explicações, dos vários lados, aos microfones, em cenários de rua que, como todos os que estudamos e aprendemos em qualquer nível e assunto que seja, da física quântica ao ponto de crochet, podem ser cenários ruidosos e propiciadores de equívocos provocados por curto-circuitos de mensagens truncadas e desenquadradas.
O assunto é delicado já que se trata do Banco de todos nós e que, à semelhança do que devíamos fazer com o banco de jardim que também nos serve quando nos sentamos lá e serve aos outros que lá estão quando nós ainda ou já não estamos, devia ser bem tratado por quem o usa e sobretudo, ou seja como exemplo de cima, por quem dele cuida, mantendo-o útil e eficaz para o que serve. Um banco não é só uma instituição onde se guarda dinheiro e se cobra por isso, mas também é isso. Assim, a nossa Caixa, para além de um banco com todas as transacções que implicam vários tipos de investimentos, é também uma caixa, lugar onde se guardam bens de forma segura, aos cuidados de quem tem de ter a hombridade de se colocar acima dos seus interesses pessoais para corresponder aos interesses daqueles que lá guardam o que é seu mas também o que é de todos. Também é por isso que o chamado “subsídio de falhas”, que quem trabalha directamente com dinheiro nas empresas recebe, serve para casos de acertos por pequenos lapsos e não contempla a fraude. Quem não comete lapsos fica assim com mais dinheiro para se governar. Para isto é preciso que as contas primeiro se façam, depois que batam certo. E é por isso também que a prestação de contas, mesmo quando se trata de outras questões de gestão, é o elemento fundamental para a confiança dos utentes de uma instituição. E falo do governo e da oposição como instituições com as mesmíssimas responsabilidades para este efeito.
Do que li e ouvi sobre e do ex-administrador da Caixa (a quem só cobiço os rendimentos já que o trabalho e a responsabilidade que lhes equivalem me parecem ser exigentíssimos e inalcançáveis o que, por isso e como a cobiça se define, é uma ambição que não chega nem se deve concretizar) gostei de perceber que partilhava de um princípio que demonstrou ter: de que uma equipa vale tanto no momento em que se recebem os louvores ou as críticas por dirigi-la, como merece que dela se afaste quem discorda do seu funcionamento ou, como no caso em apreço, deixe de a ter. E foi ao perder a maior parte da equipa para administrar aquela instituição que o senhor saiu e, porque esse não era um problema dele, lá entregou a sua badalada declaração de património. Tenho pena que alguém assim não tome conta da Caixa onde o país guarda o seu dinheiro. Parece-me que o hábito de “fazer caixinha” tem mais sucesso numa certa maneira de fazer oposição e se perdeu uma boa oportunidade de fazer as coisas bem. O que também demonstra que os 42 anos de democracia são ainda o princípio. Haja esperança! Até para a semana.
Claudia Sousa Pereira


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

DIREITO À VIGILANCIA – Por A.N.B.

OBS.
Uma das coisas que pode concluir-se desta sequência de comentários, é que o Partido Socialista ( Concelhia e Federação Distrital) se estão a colocar à disposição de um certo aproveitamento politico totalmente desnecessário, impensado,irresponsável e até altamente improdutivo.
Por outro lado, "o protocandidato" (anunciado via R.Campanário) não tinha nada nem tem nada que antecipar e anunciar a sua posição numa auto decisão que, no mínimo, deveria ser conjunta e abrangente . E, muito directamente da responsabilidade (enquanto tomada de posição) superior do  P.Socialista ( tanto a nível distrital como com o aval central).
Por aqui, se pode avaliar como o PS local tem andado e foi tomado "por dentro" sem que os militantes tenham acompanhado e participado no processo de escolha. Uma reunião "aclamatória" como a que aconteceu não é um Acto e Acção Politica digna desse nome. Foi tudo demasiado apressado.
O que daqui vai resultar, será uma incognita eleitoral. 
Porque pode assim parecer aos militantes mais incautos que a escolha de um novo Presidente se vai resumir a "um somatório de votos". As coisas,porém, podem não vir a ser bem assim porque, o que é ainda mais grave, é que aquilo que parece, é que o PS anda a reboque de um manobrador que não olha a meios para atingir os fins. Bastante lineares e que já sabemos quais são. 
Para já, fiquemos por aqui tendo a mais profunda esperança de que o objectivo da candidatura do Senhor João Grilo, ainda está a tempo de explicar e tornar transparente os passos que deu e aqueles que, em conjunto deve dar. Enquanto for tempo. Porque ainda é tempo do Partido Socialista, como devia estar a acontecer, liderar o processo do Alandroal. É essa a sua principal responsabilidade não substituível por uma qualquer unica votação aclamatória... à coreana. Intrusiva e porventura demasiado e previamente manobrada.
Aqui fica o testemunho. O Alandroal, merece mais do que estar a ver passar duas vezes "a mesma água debaixo da mesma ponte". E,por favor,não se faça dos seus Militantes simples objectos de voto.
Não será esse o futuro do PS. Nunca fez parte do nosso passado.
Haja,de facto, respeito democrático pelo superior exemplo de Mario Soares. 

Saudações Democraticas

Antonio Neves Berbem
(Militante)  - 
13 janeiro, 2017 19:49

ADITAMENTO
Em jeito de conclusão, ao comentário afixado às 19.49 e usando da Liberdade que a Democracia e o Partido Socialista consente vamos ainda solicitar para afixar o seguinte: 
(a) não é prestável a "Mundização concelhia do Partido Socialista";

(b) O risco do Partido Socialista,líder concelhio se esvair é real;
(c) O Partido Socialista concelhio não pode continuar em "estado de negação"....ignorando a hipotese de uma estratégia de aliança mais correcta e vencedora; 
(d) quem, eventualmente, diz que tem medo de perder é quem tem menos hipóteses de ganhar e corre mais riscos de se degastar com o tempo;
(e) A CDU, deve estar a esfregar as mãos de contente apesar da sua governação tanto a actual como a futura ser um deserto de ideias e de projectos de desenvolvimento. Obviamente, virá a ser mais do mesmo. A CDU esgota-se nas contas e no FAM em vez de abrir os olhos para o tempo presente; e, do muito que prometeu pouco se viu. Ou se virá ver; anda a faltar-lhe capital humano; 
(f) O comportamento pré eleitoral do Candidato anunciado (J.G) já se tornou errático; pouco fiável e incapaz de agregar massa critica à sua candidatura; além disso, não está apoiado numa posição ética, politica e socialmente decente. A sua corrida é apenas contra o (seu) tempo. A tempo de ser novamente presidente...
Finalmente vamos dizer o que é dos livros: uma das piores ilusões que pode acontecer em politica é darmos demasiada importância a nós mesmos. Ou dar "exclusiva importância" ao nosso suposto peso politico. O eleitorado costuma ter outros critérios bem mais exigentes de avaliação. Dois erros que se costumam pagar caros. Não os desejamos para o Alandroal. Chega de duplas rivalidades...Precisa-se de uma outra Abertura de Espirito!

Saudações Democráticas

Antonio Neves Berbem

PS: por esta vez, solicitamos ao Editor que transcreva este Aditamento logo a seguir ao nosso comentário inicial supra referido. 


A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM




                                                                        TSUNAMIS
16 fev 2017
A 15 de setembro de 2012 a manifestação “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!” juntou, nas ruas, mais de um milhão de pessoas em mais de 30 cidades. Uma acção popular de dimensão impressionante, tornando-se na maior manifestação que se viveu em Portugal desde o 1º de Maio de 1974. O povo exigia na rua o fim das fortes medidas de austeridade anunciadas pelo Governo PSD/CDS que atacavam brutalmente quem trabalhava e também aqueles que trabalharam toda uma vida. Mas o povo exigia também nas ruas que o Governo recuasse na anunciada redução da TSU – Taxa Social Única – das entidades patronais. Lembram-se? Lembram-se da indignidade que sentíamos ser a descida da carga fiscal dos patrões? CDS e PSD diziam ser uma medida fundamental para estimular o emprego, Bloco de Esquerda, PCP e PS diziam ser surrealista exigir mais a quem trabalha ao mesmo tempo que se beneficiavam os patrões.
Isto foi em 2012. Iniciamos 2017 com posições viradas do avesso. Um governo PS que se escuda numa concertação social, que de concertação justa para quem trabalha sempre teve pouco, para dar uma borla aos patrões em troca do aumento do salário mínimo nacional. Um Governo de um partido que há uns anos achava indigno descer a TSU, mas que agora aceita descê-la em 1,25% para as empresas em troca do aumento do salário mínimo. Quanto a este aumento, importa realçar que, embora seja de saudar, ele é ainda muito tímido e injusto. Basta pensar que bastaria que tivessem havido aumentos iguais à inflação para que o salário mínimo estivesse nos 900 euros. Pois é, mas perante um aumento que ainda é tímido, o Governo aceita ceder aos patrões e deixa que sejam, em grande parte, os contribuintes a pagar o aumento do salário mínimo e não as empresas. Lembro que estamos perante um desconto na TSU compensado por uma transferência do Orçamento do Estado para a segurança social, que tem uma natureza transitória e que se aplica ao universo do salário mínimo e que, originalmente, PSD e CDS foram os autores desta medida no passado. Uma medida injusta e errada.
Mas dizia que iniciamos 2017 com posições viradas do avesso. Não só temos um governo do PS a premiar as empresas e a incentivar os baixos salários, como temos uma pseudo central sindical (UGT) a defender os patrões e pasme-se: o PSD a anunciar que está contra a descida da TSU.
Entre TSUnamis, troca-tintas, jogos de bastidores e injustiças, espero que o Parlamento venha a anular esta decisão, algo que é do mais elementar bom senso.
Até para a semana!

Bruno Martins

INICIATIVA C.M.A.


LUGAR À CULTURA

          Baseado em Textos do Dr. Alexandre Laboreiro.

                                             Cultura e Resistência
 «A nossa luta é baseada na nossa cultura, porque a cultura é fruto da história e ela é uma força.»
 Amilcar Cabral
(Engenheiro, político e intelectual Guineense)

Há alguns dias, a jornalista Bárbara Reis  -  em editorial de despedida do Cargo de Directora do “Público”  -  assinalaria a seguinte constatação: «Vencerá o jornalismo que for relevante, incómodo, ético e independente  -  já agora, o único pelo qual vale a pena perder o sono. Sobreviverá quem conseguir manter isso e ao mesmo tempo chegar aos leitores, conquistar assinantes e publicidade. Essa é a pergunta “um milhão de dólares”. Dizer que os jornais estão numa complexa encruzilhada é um cliché gasto, sobretudo desde que começaram a fechar jornais nos Estados Unidos e as previsões apontavam para mortes em cadeia. A cascata negra não se confirmou. Mas depois de os gurus terem dito tudo, e o seu contrário, sobre como vai ser “o futuro”, estamos na mesma quanto ao essencial: só os doidos têm certezas sobre como vamos estar daqui a dez anos.»
E, reconheçamos, continua a ser primordial o papel da Imprensa (a par da Rádio, da Televisão, do Disco, do Cinema) na afirmação da Democracia  -  enquanto fundamentais para fomentar a formação de uma nova  Cultura, e a de um Homem Novo. Por isso, deverá imprimir-se-lhes uma orientação educativa e libertá-los do seu caracter comercial, adoptando as medidas necessárias para que as organizações sociais possam dispor desses meios e eliminando a presença nefasta dos monopólios.
António Sérgio entendia e defendia que o princípio essencial da Democracia, é o respeito da dignidade da pessoa humana. Considerava ele que nunca devemos querer conduzir os homens sem que tais homens deêm por isso. Sérgio via nesta atitude o cúmulo do desprezo; seria tratá-los como inconscientes,  como “coisas” , e não como pessoas. Para ele, como democrata, é a de considerar os outros como “meios”, e não como “fins”. A Democracia  -  dizia ele  -  é o sistema em que se deseja para o cidadão, o máximo de consciência: «queremos que cada homem vá convencido e muito consciente, do caminho que segue; assim pensa, também, o verdadeiro cristão»  -  afirmava ele.
Assim, será legítimo aceitar que  -  na  construção da cidadania em cada Homem  -  será imprescindível o papel da Educação. Educar significa favorecer o crescimento da capacidade de racionalização, de espiritualização, de universalização, de superação de limites vários (que confinam o indivíduo numa pátria ou grupo, numa localidade ou época)  -  habilitando-nos portanto, a sermos educadores da sociedade: o fim da educaçãoé ela própria, e um dos seus objectos, por isso, o não deixar perder aos moços aquela plasticidade de inteligência, aquela vibratilidade espiritual que os capacita para desenvolver-se. Assim, diria ele, «procurai o educador no varão educável (no de espírito moço) e o homem bem educado no que tomou fome de educar-se (de manter-se jovem). Para Sérgio, a primeira condição de uma escola educativa, portanto, é ser um ambiente social: um ambiente social escolhido, simplificado, purificado, com a quase exclusiva preocupação de a si próprio se aperfeiçoar.
E, admitamos, a cultura social de Sérgio  -  fortemente inspirada no Cristianismo  -  lembra-nos um poema de Antero: «Irmãos! Irmãos! amemo-nos! é a hora!  //  É de noite que os tristes se procuram.  //  E paz e união entre si juram...  //  Irmãos! Irmãos! amemo-nos agora! »
E, sem qualquer hesitação, é abissal o propósito humanista da ideologia sócio-política de Sérgio -  ao compararmos a doutrina sócio-política sergiana, com a doutrinação do Estado Novo. Adientemos um exemplo, com uma passagem de um dos discursos de Salazar  -  onde ele define a Democracia como “o erro do excesso de política”  -  pelo que o povo não estava preparado, nem destinado a ser o sujeito (mas, sim o objecto) da política que o escol salazarista definia  -  com o recurso à censura, à perseguição, à prisão, ao exílio (como sucederia ao próprio António Sérgio). Assim, como ressalta num curto texto (inserido in “A opinião pública actual”), «convém acrescentar: que a consequência mais grave do exercício da censura consiste na agudização da crise no transporte cultural de uma geração a outra, relativamente ao grau da sua intervenção na difusão das normas e valores. O exercício da censura deixa marcas, especialmente na identidade cultural, ao fazer diminuir  a capacidade de autodefesa social, na sua adaptação orgânica a novas medidas padronizadas do desenvolvimento, do qual dependem os factores de integração».
Assim, como era  -  para Sérgio  -  a Democracia? Diz-nos ele: «É, sob o ponto de vista político, o regime em que são fiscalizados os governos pelos representantes da opinião pública, e em que os representantes da opinião pública votam as bases da legislação (sob um conjunto de garantias rigorosamente determinadas) buscando, por aqueles meios, a progressiva igualização de todos os membros da sociedade (aproximação da sociedade sem classes).»
Porém, quem dá realidade à Democracia? Responde Sérgio: «O cidadão (de carácter) e de espírito crítico, que consegue dominar os seus próprios nervos e que sabe opor aos variados poderes (pelos seus juízos e opiniões) uma resistência pacífica obstinada, lúcida  -  a verdadeira reforma da sociedade não depende só de um remédio mecânico a ela aplicado de uma vez para sempre: tem de estribar-se simultaneamente numa acção moral de todos os dias. O socialismo eterno e mais profundo é o de carácter ético e idealista, como Antero de Quental no-lo prègou.»
Dir-nos-ia ainda Sérgio que «Sempre em busca de soluções mecânicas, muitos se resumem à ideia simplista de “extinguir o analfabetismo”, de ensinar a ler a todo o povo. Tarefa (essa) não só inútil, mas digamos até que contraproducente, quando considerada como a essencial. Ensine-se a ler, claríssimo está: mas (façamo-lo)... tão só como mero instrumento da verdadeira obra educativa, que é a realização da cultura crítica, da disciplina do homem pelo seu próprio intelecto, da concentração (do espírito) e da mesura ética, da lucidez (da objectividade), do movimento centrípeto  -  em suma, da “vontade geral”  -  no ânimo de cada um de nós»  -   palavras sublimes, as de Sérgio.
Vivemos, felizmente, em democracia (mais no campo legal, que casuístico): abrindo assim possibilidades a uma sucessiva abrangência. Seria, certamente, do mesmo  modo o optimismo de Antero de Quental, quando observou: «Se já alguma hora da história impôs aos que falam alto entre os povos obrigações de seriedade, de profunda abnegação, de sacrifício do “eu” às tristezas e misérias da humanidade, de trabalho e silencioso pensamento; se alguma hora lhes mandou serem graves, puros, crentes é certamente este dia de hoje.» Sem dúvida, que Antero nos leva a meditar e reflectir.

 José Alexandre Laboreiro 
In Montemorense – Novembro 2016
Transcrição autorizada pelo Autor
                        

DIREITO À OPINIÃO

Esclarecimento:
A opinião que a seguir se transcreve foi enviada directamente para o meu mail, e devidamente identificada.
A mesma foi precedida de um comentário do qual me vi forçado a fazer certos cortes dado conter termos que no meu ponto de vista considero excessivos. Método esse que continuarei a utilizar em comentários enviados a coberto do anonimato.
No entanto, e porque considero que todos, desde que devidamente identificados têm direito a transmitir os seus pontos de vista dando assim azo a que o visado, ou visados possam exercer a sua defesa e retorquir na mesma moeda se assim o entenderem, coloco na integra o mail recebido.
Al Tejo não está ao serviço seja de quem for, continuará receptivo a todas as correntes, o que nunca permitirá é que se utilize o anonimato para ofensas pessoais, adjectivos menos próprios, ou ingerências na vida privada seja de quem for.


Como diz umas verdades puras e duras não sei se pela via normal publica este meu desabafo, agradeço que o publique na integra e que faça deste texto o que achar conveniente,
Cumprimentos
Carlos Tavares

 Poder, na mão de pessoas sem escrúpulos e ambiciosas, é motivo de alerta, deixo por isso esta minha chamada de atenção, para quem quiser poder refletir e um recado aos Senhores do PS que agora são do MUDA, ou do MUDA que agora são do PS, já não se sabe bem o que chamar a esta geringonça e tenho dúvidas que alguns deles saibam na verdade o que são, ou o que não são, cheira a poleiro, a mordomias, e isso é que importa.
Infelizmente temos que conviver com pessoas sem escrúpulos, ainda assim não nos podemos deixar contaminar pelo ódio e o rancor. É preciso ter sabedoria e equilíbrio, esperar que o tempo se encarregue de afastar de nós estes seres. 
Não há como admirar ou admitir pessoas de mau caráter. Quem é sonso, traiçoeiro, preconceituoso, vingativo, oportunista, e MUDA de opinião e valores como quem muda de camisa é a mais profunda expressão deste lamentável contexto.
Carlos Tavares - 

domingo, 15 de janeiro de 2017

DESPORTO - RESULTADOS JOGOS FIM-DE-SEMANA

                                                                                  FUTEBOL
                                                           INATel - Campeonato Distrital
Santo Amaro 1 – Alandroal United 1
Pardais 2 – S. Domingos 3
Barbus 2 – Santiago Maior 1
Bairrense 0 – Foros Fonte Sêca 1
Montoito 1 - Bencatelense 2
                                                 Distrital Associação Futebol de Évora
                                                                        Divisão de Elite
Atl. Reguengos 1 – Oriola 0
Monte Trigo 1 – Lusitano 0
União Montemor 0 – Vendas Novas 1
Lavre 3 – Escouralense 1
Juventude 0– Perolivense 0
Redondense 2 – Canaviais 0
Alcaçovense 3– Arraiolense 1.
                                                                       Divisão de Honra
Valenças 0 – Santana do Campo 0
Cabrela  1 – Corval 0
Giesteira 0 – Portel 5
Estremoz 1 – Fazendas Cortiço 1.
                                                      CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série H
Moura 1 – Viana 1
Louletano 1 – Fabril 1
Farense 1 – Lusitano V.R.S.A. 1
Pinhalnovense 1 – Almancilense 1
Armacenense 4 - Aljustrelense 4
                                                                 FUTSAL - NACIONAL 1ª DIVISÃO
Unão Montemor 8 – Lisboa F.C. (Campo Ourique) 4

ASSIM SE VAI REDESCOBRINDO A HISTÓRIA

     


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

CRONICAS DE CINEMA – Pelo Prof Henrique Lopes

         Homenagem do Al Tejo a Domingos Maria Peças

Estes textos são uma mera justificação de gosto, dirigida em primeiro lugar aos amigos, e não são crítica de cinema, muito menos de teatro ou arte em geral... apenas representam o meu gosto em relação à obra em causa, e nunca uma apreciação global da sua qualidade, para a qual não me sinto com competência, além da subjectividade inerente.

                                 CAFÉ SOCIETY, de Woody Allen

Mais uma pequena jóia que Woody Allen, o realizador, escritor e músico de jazz, nos oferece. Para ver quase sempre com um sorriso. 
Talvez os diálogos sejam, como sempre neste autor, algo complexos e rápidos, às vezes difíceis de acompanhar para quem tem que ler as legendas, e exijam algum conhecimento por parte de quem os ouve, neste caso até cinéfilo, mas, pela sua inteligência, dão-nos sempre muito prazer.
Gostei da piada sobre o judaísmo e o cristianismo! Só não soltei uma gargalhada porque parecia mal... Boa!
 Actores principais:
Jesse Eisenberg (Bobby Dorfman)
 Kristen Stewart (Vonnie -Veronica)
Egas Branco

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM

                         Os juros da dívida em 2017

Sexta, 13 Janeiro 2017
As abordagens ao tema da dívida pública são recorrentes.
Muito se tem escrito sobre o problema. Mas associado a este está directamente um outro, que não terá menos importância, e para o qual todos devemos dedicar especial atenção. Falo das taxas de juro.
E porque abordar hoje este assunto?
Pela simples razão que esta semana Portugal teve necessidade de recorrer ao mercado para se financiar, de modo a assegurar que terá liquidez para cumprir alguns dos compromissos que terão que ser pagos em 2017.
Para colocar 3 mil milhões de dívida pública, a pagar em 10 anos, apenas uma parte do que irá necessitar este ano, Portugal ficou a pagar uma taxa de juro de 4,227%.
A taxa de juro aplicada fará toda a diferença no montante final que terá que ser pago. Irá agravar o montante em dívida.
Mas interessará também que façamos um exercício comparativo da taxa paga por Portugal, com os outros países que se encontram a passar por problemas semelhantes ao nosso.
Se já de si estes 4,227% são superiores aos 3,4%, que correspondem à actual taxa média aplicada à divida portuguesa, o que se dirá das taxas que são aplicadas à Espanha de 1,4%, ou à Itália de 1,87%.
Por alguma razão as taxas aplicadas são tão divergentes.
Uma das principais condições que influencia a taxa de juro a ser aplicada é o risco. Quanto maior é o risco maior é a taxa de juro aplicada, quanto menor for o risco menor é a taxa de juro. Ou seja, quem investe em dívida pública quando sente maior risco permite-se cobrar uma taxa superior.
Ora, os investidores na divida publica portuguesa ao exigirem maiores taxas de juro a Portugal fazem-no porque sentem que os riscos são maiores e porque a nossa economia apresenta fraco crescimento e está mais vulnerável.
E os riscos pagam-se. No caso pagam-se com taxas de juro mais elevadas.
Muito nos deverá preocupar a subida dos juros.
Não só porque no passado recente vimos o que é a fúria dos mercados e os seus impactos na economia do país, como também pela inquietação que a subida dos juros gera em toda a sociedade.
Deverá ser uma obrigação de cada governo a redução da divida e, consequentemente, dos encargos com a dívida, condição para o equilíbrio do pais e para que não permitamos deixar o país com níveis de endividamento de tal modo elevados que as gerações futuras fiquem com a obrigação de pagar os excessos das gerações anteriores.
Se porventura hierarquizássemos os problemas do país, o problema da taxa dos juros estaria certamente numa das posições cimeiras.
Mas há quem entenda não valorizar este problema. Mas não será certamente por não se lhe dar a importância que tem que o problema não assume dimensões preocupantes.
Até para a semana
Rui Mendes


PÁGINA DE DESPORTO

                                                                             FUTEBOL
                                                       INATel - Campeonato Distrital
Santo Amaro – Alandroal United
Pardais – S. Domingos
Barbus – Santiago Maior
Bairrense – Foros Fonte Sêca
Montoito - Bencatelense
                                              Distrital Associação Futebol de Évora
                                                                       Divisão de Elite
Atl. Reguengos – Oriola
Monte Trigo – Lusitano
União Montemor – Vendas Novas (Transmissão TV A.F.E.)
Lavre – Escouralense
Juventude – Perolivense
Redondense – Canaviais
Alcaçovense – Arraiolense.
                                                                     Divisão de Honra
Valenças – Santana do Campo
Cabrela – Corval
Giesteira – Portel
Estremoz – Fazendas Cortiço.

                                                    CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série H
Moura – Viana
Louletano – Fabril
Farense – Lusitano V.R.S.A.
Pinhalnovense – Almancilense
Armacenense - Aljustrelense
                                                              FUTSAL - NACIONAL 1ª DIVISÃO
Unão Montemor – Lisboa F.C. (Campo Ourique)


                                                                           BTT
                                                                         
                                                                           ATLETISMO

                                                             DESPORTO PARA TODOS

IMPRENSA REGIONAL

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