quarta-feira, 26 de abril de 2017

VIDA AUTÁRQUICA - ASSEMBLEIA MUNICIPAL



RECEBIDO PARA DIVULGAÇÃO

Para os devidos efeitos junto envio nota do Secretariado da CC do Alandroal sobre um Projecto de Resolução sobre a Escola do Alandroal, cujo documento tambem envio em anexo.
Respeitosos cumprimentos

Pelo SEC da CC do Alandroal do PCP

AOS ORGÃOS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL
O Deputado do PCP eleito pelo Distrito de Évora, entregou na Assembleia da Republica, um projecto de Resolução sobre a Escola Básica Diogo Lopes de Sequeira no Alandroal, com o objectivo de se resolver a situação, como se afirma na Resolução:
O que o PCP agora propõe com o presente Projecto de Resolução é que se concretize aquilo que há anos é reclamado por toda a comunidade educativa, pela direcção do Agrupamento de Escolas do Alandroal e pela autarquia: concluam-se as obras das novas instalações da Escola Básica Diogo Lopes de Sequeira.
Propõe-se que essa solução seja considerada prioritária no âmbito dos investimentos da responsabilidade do Ministério da Educação, tendo em consideração não apenas a conclusão das obras das novas instalações naquilo que não foi realizado, mas também identificando outras reparações ou correcções a considerar.
No projecto de Resolução recomenda-se ao governo:
·         Considere a conclusão da construção da Escola Básica Diogo Lopes de Sequeira, no Alandroal, com carácter prioritário no âmbito dos investimentos da responsabilidade do Ministério da Educação;
·          Proceda, em articulação com a direcção do Agrupamento de Escolas do Alandroal, à identificação e concretização das intervenções mais urgentes a realizar nas instalações da Escola Básica Diogo Lopes Sequeira;
·          Proceda, em articulação com a direcção do Agrupamento de Escolas do Alandroal, ao levantamento de outras intervenções necessárias nas instalações da Escola Básica Diogo Lopes de Sequeira e à calendarização da sua concretização.
Como se pode verificar uns fazem declarações de circunstância, fazem a fotografia mas nada acontece, outros trabalham afincadamente para resolver os problemas que afectam na verdade as pessoas. A Comissão Concelhia do Alandroal do PCP saúda o empenho do Deputado João Oliveira e do Grupo Parlamentar do PCP, na resolução do problema da Escola Básica Diogo Lopes de Sequeira do Alandroal designadamente a construção do Pavilhão Gimnodesportivo. Contudo não podemos deixar de responsabilizar o PS/PSD/CDS-PP por deixarem arrastar um problema que penaliza os alunos e docentes da respectiva escola. A Comissão Concelhia do Alandroal do PCP continuará empenhada na resolução do problema, bem como manterá a comunidade escolar informada do respectivo desenvolvimento desta situação.
Abril2017
O Sec. da  Comissão Concelhia do Alandroal do PCP
                   xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx


IMPRENSA REGIONAL DE HOJE


NUNCA É DEMAIS INSISTIR...


E O SANTUÁRIO DA BOA NOVA (É PARA QUANDO?)

A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM

                    SER PATRIOTA SIGNIFICA DAR O MELHOR DE NÓS!
Ontem fez quarenta e três anos que o país com a ajuda estoica e inestimável dos militares, colocou fim a quarenta e oito anos de ditadura. O regime deposto era autoritário e absolutamente caduco. Só a título de exemplo: a mortalidade infantil era elevadíssima, como, também, a taxa de alfabetização era muito baixa. A escolaridade obrigatória era a quarta classe. Para os mais novos que à data ainda não eram nascidos, representaria o 4.º ano do primeiro ciclo do ensino básico. Hoje, no entanto, é o 12.º ano.
Na verdade, o regime democrático trouxe progressos na saúde e na educação muito consideráveis e a adesão à então CEE, comunidade económica europeia, não fora alheia a estes desideratos. Os fundos estruturais concedidos pela U.E. contribuíram inegavelmente para o bem-estar geral dos portugueses. Porém, muito ficou por fazer, e, por isso, muito tem que ser feito e realizado para que se possa falar com inteira propriedade, e, afirmar que, a revolução de abril, valeu a pena.
Em todo caso, não podemos aceitar que no nosso país existam 25% dos jovens que não conseguem arranjar emprego. Também não é aceitável, pelo menos para mim, que cerca de 25% dos portugueses viva num estado de pobreza ou em risco de exclusão social.
Como também não é aceitável que a corrupção tenha a expressão que tem no nosso país, pois o significado desta realidade, entre outros aspetos, é a perda de recursos financeiros que são vitais para que o país tenha um estado social muito presente e mais eficaz do que aquele que tem atualmente.
Ora, as proclamações de patriotismo “atiradas para o vento” levaram-nos a três bancarrotas e esta realidade não deverá ser esquecida por nenhum português. Ser patriota é lutar todos os dias para que existam melhores condições de vida para todos. E, para isso, os portugueses terão que repudiar a cunha, o facilitismo, o chico espertismos, a incompetência e a corrupção. Caso contrário, continuaremos a ter um país com uma das maiores dívidas públicas do mundo e, em resultado disto, para além do enorme valor a pagar pelo serviço da dívida, juros e encargos, estaremos sujeitos a uma nova intervenção externa.
José Policarpo



DIVULGAÇÃO - ROMARIA - VIANA

segunda-feira, 24 de abril de 2017

COMEMORAR ABRIL





CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM

                                                        25 DE ABRIL
Amanhã comemora-se o 25 de Abril. Podia escrever tanto sobre tanta coisa. Podia, mas prefiro deixar um poema dedicado a todos aqueles que festejam o 25 de Abril sem saber, realmente, defender no dia-a-dia os ideais e os valores da liberdade e da democracia.
Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente
Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente
Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.
O que é preciso é termos confiança
se fizermos de maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.
José Carlos Ary dos Santos
Saibamos honrar Abril. Até para a semana!
BRUNO martins

BOAS CONTAS….

Em anexo o balancete de contas da pintura exterior da Igreja Matriz de Terena, São Pedro.



Helder Salgado

sexta-feira, 21 de abril de 2017

CRÓNICA LITERÁRIA - Por A.N.B.

   CONTOS e CRÓNICAS do Alandroal e do Resto do Mundo
 Uma breve Apreciação

1    Estivemos na apresentação na Associação 25 de Abril. Já lemos o livro. É bom que estes lançamentos sejam feitos e estes trabalhos literários apareçam à luz do dia. E à luz do Alandroal com o patrocínio da Câmara como aconteceu neste caso. E deveria tornar a acontecer de uma forma aberta envolvendo o chamamento de novos autores.
Quanto aos “Contos e Crónicas”…, vamos dizer que a sala onde foi apresentado estava bastante bem composta e que os intervenientes na apresentação, desde Guilherme de Oliveira Martins, passando pela Presidente de Câmara e pelo autor da obra, Domingos Lopes, estiveram à altura da circunstância literária, reinterpretando o espirito e a sua mensagem da melhor maneira.
2.      O livro de Domingos Lopes divide-se em duas partes: (a) Contos e as Crónicas…; (b) Do Resto do mundo.
No tocante a esta segunda parte, o trabalho literário de Domingos Lopes reveste-se de um menor interesse na medida em que descreve viagens que terá feito pelas Américas, pela Ásia, por Singapura, pelo Sudeste asiático, por Kathmandu, etc.
Trata-se apenas de uma colecção de curtos bilhetes-postais turísticos misturadas com reflexões pessoais que não chegam para deixar no leitor uma impressão forte do que são aquelas paragens do mundo.
Num ou noutro assomo metafisico, mostra e traduz-nos alguma da vida e da criatividade oriental vista por um europeu ocidental a fazer de turista culto, viajante e pensador.

3.      Revertendo a nossa análise para a primeira parte do livro, a que mais deve suscitar a nossa atenção, enquanto alandroalenses, direi que o conjunto de narrativas curtas que o compõem apenas aborda directamente o Alandroal em três fugazes passagens.
Assim acontece somente nas páginas 10,29,e 38. A atenção prestada pelo Autor à Vila é mínima. Personagens alandroalenses nenhumas.
É verdade que o livro aparece muito centrado lá para as bandas do Rosário e de Capelins. Temos que aceitar que assim seja mas, atenção, o título da obra denota algo de ilusório e enganador.
Vejamos agora as partes mais interessantes. É claro que estas narrativas curtas terão o seu mérito literário. Vislumbra-se, claro está, uma certa veia e pendor literário na descrição de diversas personagens. Gostámos das narrativas que referem, por exemplo, “Os Ovos das Galinhas da Rosa”, “ O Passarinheiro e a Árvore Voadora”  e “ Morte em Vão” onde vem ao de cima uma nossa e antiga imagem de marca: a morte está sempre presente e próxima, as dificuldades de comunicação entre casais são marcantes e a vida das tabernas uma constante.
E, ainda, claro está, a atracção permanente por uns copos de vinho como suplemento da vida e … da alma. A par de uma certa manhoseira alentejana, bem como o nosso humor especial, por vezes, ou quase sempre muito negro devido às dificuldades de subsistência na vida dos alentejanos. Uma luta que nunca acabou e que, hoje, continua a manter-se.
  Em todo este pano de fundo literário, ou é impressão nossa, ou então, não vislumbrámos uma qualquer personagem forte e verdadeiramente marcante dos leitores.
Dá a impressão que o autor não chega a ser capaz de aprofundar os traços  de uma qualquer personagem. Não se debruça sobre nenhuma delas. Não as aprofunda. Não navega no seu íntimo. Não chega a prender o leitor com o recheio e sabor literário que se impunha.
4.      Dito isto vamos apenas acrescentar que é sempre bom que estes lançamentos de livros vão acontecendo e que, segundo me foi dito, também venha a ocorrer, em data oportuna, no Alandroal.
Embora segundo nos parece, fosse mais apropriado que o referido (re)lançamento tivesse lugar no Rosário ou em Capelins vistos, esses sim, como o centro desta obra.
Um livro que não prende por aí além mas também não desprende quem se der ao trabalho e ao prazer de o ler. Fazer um livro não é um assunto fácil pelo que há que apoiar quem captou os apoios certos que teve para dar à luz e à estampa este género de narrativas. Outras virão, com o Alandroal colocado na capa e no âmago desta escrita.
Tivemos por cá vidas, tivemos criaturas, tivemos gente e temos personagens para isso! E para continuar à espera de novas e criativas manhãs de domingos!
 Com as melhores Saudações
 António Neves Berbem
     ( 20 de Abril de 2017)   


SUGESTÕES AL TEJO










RECORDAÇÕES DO HELDER

Um "bodo" aos pobres
                                             E, a tradição já não é o que era.
Não será, mas pode voltar nos escritos memoriais de quem não a esqueceu, nem a esquecerá, de quem a viveu, de quem não a renega e a ressuscita e, cuja intensidade com que a gravou no seu cérebro, lhe permite, ainda, vivenciá-la e partilhá-la com os amigos, sobretudo aqueles que não renegam as suas raízes, a sua maneira de ser e de pensar, a que poderemos chamar identidade.
Estamos no começo das FESTAS que irão popular por todo o País, nos lugares mais recôncavos e tristonhos, nos mais alegres e vistosos.
Por todos os povoados irão surgir festejos, aglutinadores de pessoas, que se dignam ir à Festa. Umas irão à festa pela festa, outras e aqui reside a maioria, normalmente, na Festa das aldeias ou das pequenas povoações, para visitarem a família.
É salutar este procedimento, louvável nos decorrentes tempos em que o individualismo e o esquecimento são elementos que se sobrepõem à solidariedade.
Quem não se lembra dos "jantarinhos de carne" ou dos "fritos"? - Que eram oferecidos a quem caísse na desgraça, ou sofresse um profundo desgosto. Era um meio de alívio à dor ou à desgraça, um ato caridoso, não tanto pelo envio, mas pelo afeto que o ato em si representava, uma ação solidária em dia de Festa.
Inesquecível.
O feriado do Concelho está próximo e com ele a Festa da Boa Nova, a Festa dos Prazeres e, quantos atos como os que acabei de descrever presenciei.
A família Camões, não a do maior poeta português, Luís Vaz de Camões, que, penso, não ficaria mal, nem destoaria do sentido deste texto, evocar o poema "Todo o mundo é composto de mudança", mas a família Camões, do monte de Bacelos, que na década de quarenta, cinquenta, ainda mantinha a tradição de oferendas.
Na igreja de Santo António, em Terena, na manhã de Domingo de Prazeres, aquela família em parceria com a família Neves, em mesa comprida, feita de propósito para o efeito, distribuíam alimentos pelas pessoas mais carenciadas, com as viúvas em primeiro lugar.
Naquele tempo em que o trabalho escasseava fora das épocas sazonais, vivendo-se muitas vezes do fiado e da esmola, qualquer oferta era considerada uma bênção, aqui acrescida e elevada por ser dia de Festa.
Talvez, e aqui fazendo uma analogia com a distribuição dos "Pãozinhos de Santo António" pelo Pároco do Concelho, no dia 13 de Junho, dia daquele Santo e o ato de distribuição de alimentos, outrora, Domingo de Prazeres pelas duas famílias Camões e Neves, não seja grande erro afirmar-se que a Tradição teima em não morrer.   

Hélder Salgado
21-04-2017.


PÁGINA DE DESPORTO

                                                                            FUTEBOL
                                               Distrital Associação Futebol de Évora
Divisão de Elite
Reguengo s 1 - Lusitano 3
Vendas Novas 6 – Oriola 1
Escoural 2 – Monte Trigo 5
Perolivas 0 – Montemor 2
Canaviais 4 – Lavre 0
Arraiolos 0 – Juventude 7
Alcáçovas 2 - Redondo 4

.                                                       CAMPEONATO DE PORTUGAL – Série g
MANUTENÇÃO
Loures 2 – Casa Pia 0
Aljustrelense 0 – Sintrense 1
Oriental 5 - Fabril 0 
Viana 0 – Armacenense 2.
                                                                             FUTSAL  
 NACIONAL 2ª  DIVISÃO –SÉRIE g- Manutenção
Piedense 1  – União de Montemor 3
                                                              DESPORTO PARA TODOS





A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM

                                                 O VALOR DOS DIREITOS
Quem vive em sociedade está obrigado a cumprir um conjunto de normas e condutas, as quais regulam as relações entre os cidadãos e que, entre outras, estabelecem condições de segurança.
Segurança em sentido lato, ou seja, segurança alimentar, segurança da saúde, segurança ambiental ou outra qualquer.
O Estado tem a obrigação de ser o regulador, porque lhe cabe, por natureza de funções, garantir a segurança dos cidadãos.
E essa protecção, que naturalmente cabe as Estado, é um direito que cada um de nós tem, e que o Estado terá que assegurar, sob pena deste não cumprir uma das suas obrigações.
Vem isto a propósito da epidemia de sarampo que veio alastrar no país e que, pese embora as palavras ponderadas e tranquilizadoras que nos foram transmitidas, não deixa de causar alguma preocupação.
Natural preocupação, porquanto trata-se de algo que possui elevado risco para a sociedade.
Naturalmente que a questão da vacinação será um factor determinante para a dimensão deste problema.
Dos 21 casos confirmados, 12 dos indivíduos não estavam vacinados, daí se perceber, desde logo, que a vacina terá um papel determinante em não deixar propagar a doença.
Podemos com fundamento dizer que a vacina não só defende o individuo, como também é um elemento de particular importância na defesa do grupo, ou seja, é um elemento que contribui fundamentalmente para a segurança da saúde dos cidadãos.
Cada um de nós terá direito de opinião, de atitudes e de posições, desde que não violem normas estabelecidas, e desde que respeitem os direitos dos outros.
Pelo que, a não vacinação, por tudo o referido, não se encontra apenas no direito de opção do individuo, ela pode afectar a comunidade, pelo que será violadora de um direito à segurança da saúde que todos nós temos.
É um debate que deve acontecer, e acontecer nos momentos em que os problemas estão vivos, porque o nosso enfoque é necessariamente maior, e é nestas alturas que terão que aparecer propostas e soluções. Não os resolver agora é deixar para mais tarde um problema, e talvez até que aconteça algo semelhante.
Vacinar é uma questão premente, e deve ser uma obrigação social, porque é uma atitude preventiva de saúde pública, e o Estado terá que saber criar a forma de garantir aos cidadãos que consegue assegurar essa sua função.
Até para a semana

Rui Mendes

quinta-feira, 20 de abril de 2017

TÃO CEDO NÃO ESTÁVAMOS À ESPERA...

Papa vai canonizar Francisco e Jacinta em                             Fátima a 13 de maio
O Papa Francisco anunciou, esta quinta-feira, no Vaticano que vai presidir à canonização de Francisco e Jacinta em Fátima, no dia 13 de                                                                         maio

A CÂMARA DO ALANDROAL APRESENTA NOVA FORMA DE DIVULGAÇÂO DE EVENTOS



VEJA EMhttps://www.alentejoemcena.pt/alandroal

AS HISTÓRIAS DO LUÍS DE MATOS

                         Favas Catadas
Numa das minhas idas Terena, algumas vezes, no meu regresso a Évora, faço uma pequena paragem no Centro Cultural das Hortinhas para aí tirar um petisco, daqueles que a Felizarda sabe fazer muito bem. Tudo já antecipadamente combinado com o Manel Pisco, outras vezes com o Zé Miguel e outras ainda com o Manel Zé, ou até em grupo. Noutras ocasiões, penso fazer uma paragem mais pequena para comprar uma garrafita de água para a viagem. Quando isto acontece, é sempre uma guerra dos diabos, porque é difícil justificar aos presentes a minha pressa. Nessas ocasiões aproveita-se o tempo, para dois dedos de conversa com aqueles amigos, a que sempre se juntam outros, depois de um dia de trabalho. Foi numa dessas ocasiões, que me foi contada uma pequena história. 
Diz-me o Piteira e para quem não conhece, é um pequeno construtor civil que mora nos Orvalhos. Homem dos seus cinquenta anos, magro, alto de farfalhudo bigode e bom falador.
No tempo em que a lavoura era feita com parelhas de muares, o ti Parente e o ti Domingos Crespo, também da Aldeia de Orvalhos eram carreiros à dum lavrador qualquer, que não me soube identificar, mas de certeza que era ali perto da aldeia.
Contou-me que o ti Domingos Crespo quando ia dar a ração às bestas, tratava de catar uma porção de favas, o que fazia com que andasse sempre com os bolsos cheios para ir comendo. (Este termo “catar” só o ouvi na zona de Orvalhos e Santiago Maior e significa tirar). O ti Parente pensou em pregar uma partida ao ti Domingos, mas os outros companheiros, logo trataram de o avisar.
– Parenti, olha que eles têm lá um macho, que é bravo “pra valêri”, que espezinha as pessoas todas, o melhor é estares “queto”. Espezinha-te todo e morde-te, vás a “veri”.
– Mas ê “nan” tenho medo. Era o que mais havia de “faltari”. “Atan nan” vez quê tenho que fazêri alguma coisa?
Vai daí, o que é que vocês pensam que ele inventou?
Pegou em duas ferraduras e fazia barulho com elas, que mesmo parecia o macho a andar. Diziam os outros carreiros:
– Oh Domingos! Olha que vem aí o macho.
E o Ti Parente a meter medo ao Ti Domingos Crespo.
Quando este se apercebeu que era oTi Parente, logo pensou em pregar-lhe também uma partida.
O Ti Domingos Crespo abriu a “perciana” e meteu duas moscas vivas, que são duma raça “munto picanina”, que são brutas, daquelas que nunca largam os animais. Picam que se fartam. É que são mesmo brutas hã! Meteu-as dentro duma caixa de fósforos e colocou a caixa dentro da almofada do Ti Parente.
O Ti Parente assim que se deitava, as moscas faziam um grande zumbido junto aos ouvidos, o que fazia com que este não conseguisse dormir.
– “Ca” diabo se passa aqui?
Voltava novamente a pôr a cabeça na almofada, mas o zumbido continuava. Claro, cedo se apercebeu que era partida do companheiro Domingos. Ficou bruto, mas não deixou de ter a sua graça.
Luis de Matos​

A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE PELA RÁDIO DIANA/FM

                   43 ANOS DEPOIS, A ESSÊNCIA NÃO MUDOU
Há 43 anos aproximava-se o fim de uma longa ditadura no nosso país e iniciava-se um processo revolucionário que pôs fim à guerra colonial, que permitiu conquistas e avanços civilizacionais que hoje damos como adquiridos, quantas vezes esquecendo que coisas tão simples como a liberdade de expressão, o salário mínimo ou o direito à greve nos estavam vedados. Foram dezoito meses que correram a uma velocidade alucinante e que nos mostraram um vislumbre do que poderia acontecer se fossemos donos do nosso futuro.
Tratou-se de um processo combatido, desde o seu início, pelos defensores do colonialismo, pelos saudosos do “ordem” dos tempos da ditadura, pelos detentores do poder económico, pela hierarquia religiosa que suportou o anterior regime e naturalmente pelos Estados Unidos que se apressaram a enviar para Portugal o organizador do golpe sangrento que tinha derrubado, meses antes, o governo de Unidade Popular do Chile.
Lembro isto a propósito das comemorações da Revolução de Abril e do cerco que se está a apertar em torno da Venezuela, montado e organizado pelo regime de Washington (para usar uma terminologia que a comunicação social dominante usa relativamente aos governos dos países que estão na sua lista negra).
Na complexa situação existente na Venezuela detectamos a ingerência externa, o boicote económico através da imposição de sanções, o financiamento de uma oposição interna que lhes segue os ditames, a permanente ameaça militar supostamente justificada por considerarem a Venezuela uma ameaça para a segurança nacional e a política externa dos Estados Unidos.
Quando as coisas assumem estas proporções não pode haver lugar a hesitações sobre a quem é devida a solidariedade, a pretexto de ir a reboque do que é “aceitável” pela opinião pública, diariamente envenenada com a versão dos acontecimentos que o regime de Washington entende promover.
Discordâncias sobre este ou aquele caminho escolhido pela revolução bolivariana não podem servir de desculpa para posições de suposta neutralidade ou equidistância, que apenas revelam o oportunismo sempre latente de quem procura a onda mais alta para surfar.
Comemorar Abril também é lembrar como foi organizada a contra-revolução no nosso País, quem a financiou e quem se prestou a ser um joguete nas mãos de interesses alheios aos do povo português.
Comemorar Abril também é voltar a lembrar a genorosa solidariedade com os chilenos exilados que escolheram o Portugal de Abril para continuar a sua luta.
Comemorar Abril também é demonstrar a solidariedade com os venezuelanos que são hoje o alvo de processos historicamente bem conhecidos.
Comemorar Abril também é lembrar o direito inalienável dos povos à autodeterminação e a decidirem em paz e sem ingerências externas o seu destino colectivo.
Também assim se dá sentido e actualidade a Abril como projecto de futuro.
Até para a semana
Eduardo Luciano



IMPRENSA REGIONAL DE HOJE