sexta-feira, 24 de novembro de 2017

DUQUES E CENAS - J.L.N.

                                                             Ó Face, ó que rico Face...
Já vou quase com um mês de afastamento desta invenção tão extraordinária como perniciosa chamada Facebook, decisão que provocou nos amigos e nos “amigos” alguma perplexidade. Senti-me, ao fim do segundo dia de jejum, um viciado a necessitar de acompanhamento profissional, pois mal abria os olhos de manhãzinha, o primeiro gesto, automático e cego, era para ligar o PC e deliciar-me com os gostos às minhas publicações, ou irritar-me com os comentários que eu considerava despropositados às minhas provocações e afins. Mas essa ajuda nunca chegou a ser verdadeiramente necessária. Comecei a usar uma terapia de substituição: tirei partido do tempo livre que começava a ter e, sobretudo, da paz que, durante alguns anos, tinha sido interrompida diariamente por gente que se envolvia comigo sem que eu, muitas vezes, lhe tivesse dado liberdade para tal. Gente parva, portanto.
Ao cancelar a minha Conta, acabei por cancelar, de igual modo, muitos motivos de incómodo e irritação. Vamos ver o que perdi: dezenas de deliciosas e eficazes correntes milagrosas, rezas, terços, imagens de santos e de santas; homens e mulheres, habitualmente discretos no que concerne à sua vida privada e familiar, a anunciar aos sete ventos que sofrem de doenças complicadas, que têm filhos maravilhosos na escola, que viajam com a pessoa amada por tudo quanto é paraíso à face da terra, que encontraram um lagarto no jardim, que têm um filho que já tem um ligeiro buço, maior do que o da filha do vizinho, que atropelou um cão e que fugiu para as Ilhas Fiji com a namorada, uma desenvergonhada. Que se zangaram com a mulher, com a amante, com o marido, com o padre da freguesia; que foram despedidos do emprego, por terem chegado constantemente atrasados durante 10 meses (o patrão é um intolerante fascizóide), que foram à pesca, que não foram à pesca, que estão com prisão de ventre, que vomitaram o jantar todo, coitadinhos, e que estão a tomar Kompensan... Que está muito calor, que está um frio de rachar, que hoje é Domingo e que amanhã é Segunda... Que gosto muito de ti, meu amor, mas se não me pedires em casamento em directo no Face, nunca mais quero olhar para a tua fronha. (E diz à tua mãe que ela é uma bruxa desdentada.)
Isto, caros leitores, sendo apenas uma amostra do que para lá vai, é suficiente para comprovar a existência de um ambiente poluído, a roçar o grotesco e o despudorado. Há situações, momentos, pensamentos e desejos que, pela sua natureza, nunca deveriam passar da porta da rua para fora. Porém, a maioria dos facebookianos pensa o contrário, pretendendo ter diariamente os seus cinco minutos de fama à custa sabe-se lá do quê.
Mas, para já, acreditem que esta foi a melhor decisão que tomei, sem contar quando decidi deixar de fumar há bem mais de vinte anos. (Fumar um cigarro é, sem sombra de dúvida, muito mais saudável do que andar agarrado a essa coisa chamada FB.)
“E não regressas? Não vens por aqui?”, perguntam-me alguns com os olhos doces, estendendo-me os braços. E eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)* e respondo: “Quem sabe? Quem sabe?”

* Obrigado, José Régio

João Luís Nabo, in "O Montemorense", Novembro, 2017

SUGESTÕES






A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM

RUI MENDES
               REGIMES DIFERENTES, REGRAS DESIGUAIS
Em 2018 o pagamento dos subsídios de Natal e de férias deixará de ser pago em duodécimos, por sua opção, aos trabalhadores do sector privado, medida que foi ontem aprovada em sede de votação na especialidade do Orçamento do Estado para 2018.
Aos trabalhadores do sector público e pensionistas o pagamento daqueles subsídios também será pago na sua totalidade nos meses definidos pela lei.
A argumentação utilizada para justificar esta alteração surpreende: “subsistir esta regra para o sector privado cria desigualdades no tratamento dos trabalhadores”, isto porque para os funcionários da administração pública e para os pensionistas não foi permitida qualquer opção, sendo que 50% do subsídio de Natal foi pago em duodécimos e o remanescente pago no mês em que é devido.
É, no mínimo, pouco compreensível esta argumentação.
Desde logo, porque os regimes laborais e remuneratórios aplicados aos trabalhadores dos sectores público e privado apresentam substanciais diferenças.
Mais, até dentro do sector público, existem diferenças que dificilmente haverá argumentação que as sustente.
A medida que foi aprovada na assembleia da república veio eliminar a possibilidade dos trabalhadores do sector privado, por sua opção, poderem receber metade dos subsídios por duodécimos, recebendo a
outra metade nos meses definidos na lei para o pagamento dos subsídios de Natal e férias.
Permitia-se assim dar o direito de escolha aos trabalhadores.
Num país em que mais de 20% dos trabalhadores do sector privado são remunerados com base no salário mínimo, e que muitos desses trabalhadores não gozam férias, tendo necessariamente dificuldades, o facto de, por sua opção, poderem receber os subsídios por duodécimos aumentaria o seu rendimento mensal e facilitaria a sua gestão.
Existirão medidas que são pouco entendíveis, e esta é certamente uma delas. O que se fez foi retirar um direito que afecta, em especial, aqueles que terão mais dificuldades.
Até para a semana
Rui Mendes



DESPORTO NO FIM - DE - SEMANA

                                                                                FUTEBOL
                                                                                  INATEL
                                                               Campeonato Distrital  
                                                                             Pardais – Alandroal
                                                                          Foros F. Seca – Stº Amaro
                                                                                S. Romão – Orada
                                                                            S. Domingos – Montoito.
                                                                            AMIGÁVEL
                                         Distrital Associação Futebol de Évora
                                                              Divisão de Elite
                                                                   Cabrela – Juventude
                                                                      Viana – Arcoense
                                                                        Portel – União
                                                                    Corval – Canaviais
                                                                Alcaçovas – Reguengos
                                                                 Perolivas – Monte Trigo
                                                                     Redondo – Lusitano.
                                                                   LIGA A.F.E.
                                                                  Calipolense – Tourega
                                                                  Estremoz - Arraiolense
                                                              Fazendas Cortiço – Valenças
                                                          Santana do Campo – Bencatelense
                                                             Giesteira – S. Bartolomeu Outeiro.
                                                 CAMPEONATO DE PORTUGAL 
                                                                 Vendas Novas – Moura
                                                                    Castrense – Montijo
                                                                          EQUITAÇÃO 
                                                                                 PESCA


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

BOAS NOTÍCIAS...

                                                       ALANDROAL
                                                      MONTEMOR

A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA NA DIANA/FM HOJE


EDUARDO LUCIANO
                           UMA LEMBRANÇAZINHA
Este querido mês de Novembro, quente e solarengo, proporcionou a ida para a rua de milhares de pessoas que decidiram passear, juntas, pelas artérias da capital.
Enquanto passavam ia conversando em voz alta sobre direitos roubados e não repostos, sobre avanços no sentido de uma maior justiça na distribuição da riqueza, sobre a necessidade do próximo orçamento de Estado reflectir essas necessidades.
Nada de estranho ou nunca visto, com a pequena diferença de que pela primeira vez um dos partidos do arco-da-velha ser obrigado a governar com o apoio de outros partidos, sempre excluídos do famigerado arco.
Por essa razão e porque o partido do governo não perdeu a sua natureza, a tal que fez com que durante quarenta anos alinhasse nas mesmas políticas dos outros dois suportes do arco, com diferenças de linguagem ou nem por isso, as tensões são perfeitamente naturais entre os que defendem que o discurso de ruptura com a austeridade tem de corresponder à prática.
O resultado desta tensão consubstancia-se na possibilidade de ganhos efectivos para o lado dos espoliados pelas políticas prosseguidas durante os últimos 40 anos, com particular violência na legislatura que terminou em Outubro de 2015.
Aos que estranham a existência de tal tensão, sabendo-se que o governo tem no apoio parlamentar, pontual e negociado bilateralmente, a sua sobrevivência garantida, é preciso dizer que ninguém abdicou da sua natureza política, ideológica e de classe.
Aos que acham que os ganhos obtidos na actual legislatura se devem à bondade do partido do governo, é preciso lembrar as políticas de sentido contrário, defendidas pelo mesmo partido, normalmente com o apoio e carinho dos outros dois intérpretes das mesmas soluções políticas.
Estes passeios nas ruas da capital, acariciados pela temperatura amena que se faz sentir, pontuados de bandeiras e palavras de ordem, tem esse efeito sobre a memória dos que acham que o PS mudou ou que o governo é de esquerda. Recordar que tudo o que foi recuperado (e é apenas de recuperação que estamos a falar) tem como génese a luta determinada dos alvos dos roubos dos governos anteriores.
Num tempo em que a fulanização da política é o caminho fácil de identificação de soluções e em que se prefere falar do “governo Costa” a falar do governo PS é preciso lembrar o passado dos governos “Sócrates”, “Guterres”, “Soares” que não diferiam muito dos governos “Cavaco”, “Barroso”, “Santana” ou “Coelho”.
A diferença de algumas políticas, a recuperação de conquistas, não é uma benesse de um PS reconvertido a princípios social-democratas. É o resultado do mesmo de sempre. Capacidade de mobilização para afrontar um caminho que leva ao desastre.
Lembrem-se disto quando se sentirem tentados a colocar os ovos eleitorais todos no mesmo cesto, porque se se esquecerem voltam a ter a mesma omeleta. Aquela que resulta em política de direita, pura e dura, com mais ou menos raminho de salsa.
Até para a semana



"XICOS-ESPERTOS" (HÁ TANTOS!)



É CLÁSSICA A “ESTÓRIA” DAQUELE QUADRO PINTADO POR UM BURRO COM UM PINCEL AMARRADO AO RABO E QUE BATEU RECORDS NUM LEILÃO DE ARTE!
MAS ESTA TAMBÉM NÃO ESTÁ MAL.
MAS NUNCA QUEIRAS PASSAR POR INCULTO. ADMIRA SEMPRE A ARTE MESMO QUE NÃO PERCEBAS NADA DO QUE ESTÁS A VER!
 LEMBRA-TE DE QUE NÃO ÉS O ÚNICO!

IMPRENSA DA REGIÃO HOJE


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

PROGRESSO !


AS TRÊS VILAS DO CONCELHO – Um vídeo do Nuno Mendes

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM

                                                                            JOSÉ POLICARPO
                                      TODOS EM DEFESA DA ÁGUA!
A água que tem chegado às casas dos residentes na cidade de Évora, há uns dias a esta parte, apresenta-se com um cheiro nada normal. Não cheira nada bem. Como todos aprendemos no ensino básico, a água, quimicamente pura, não tem cor, não tem sabor e não tem cheiro. Por conseguinte, será a água fornecida aos residentes no concelho de Évora própria para o consumo humano? Fica a aqui a pergunta dirigida ao executivo camarário.
Com efeito, ontem tive conhecimento de que alguns estabelecimentos de ensino em Évora, estarão a aconselhar os seus alunos a não beberem água da rede pública. Não pretendo com esta minha observação causar alarme público. Porém, é devida uma explicação cabal sobre a qualidade da água fornecida no concelho de Évora. Deverá, portanto o município eborense, fazê-lo para que se evitem especulações infundadas sobre um assunto tão delicado. A saúde pública não pode, nem deverá ser matéria para quaisquer querelas político-partidárias.
O ano em curso em termos meteorológicos tem sido muito pouco generoso para com os rios, barragens e albufeiras portugueses. Mais de 85% do território nacional vive sob seca severa, o restante, em seca extrema. O Alentejo e o concelho de Évora, por maioria de razão, estão nestas dramáticas condições, não fora o Alqueva, e seguramente, estaríamos numa condição igual ou pior do que aquela que está a ser vivida pelo distrito de Viseu. Cerca de 500 camiões, todos os dias, estão a transportar água para a barragem de Fagilde.
Ora, face a este drama que consiste na falta de água que, presentemente, vivemos não seria pertinente e avisado por parte da Câmara Municipal de Évora conceber um programa de elucidação e sensibilização da população e das instituições, visando uma utilização da água de forma muito moderada? Não há dúvidas de que a água é um bem indispensável à vida, por isso, quanto maior for número de pessoas a ter consciência disso, mais condições existirão para se garantir a preservação deste bem fundamental. Se não for por outra razão, seguramente, esta será mais do que suficiente, para que o município seja liderante nesta matéria de fulcral importância para todos.



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

SABIA?

Todos conhecem a expressão "matar o bicho". Mas raros serão os que conhecem a sua origem, que remonta ao século XIV. 
Em 1329 morreu, em Paris, uma senhora. Fez-se autópsia do cadáver e encontrou-se no coração um bichinho vivo que, ao perfurar aquele orgão, determinara a morte.
Os médicos fizeram várias experiências com o verme, procurando averiguar qual o remédio eficaz em futuros casos semelhantes. 
Amudeceram-no com várias drogas, atacaram-no com venenos. Mas nada o brulo se movia; quer dizer: nada o matou. Por fim um dos médicos lembrou-se de dar ao bicho um bocadinho de pão embebido em vinho. O animal morreu acto contínuo. Atendendo a isto, achou-se que era conveniente tomar, de manhã, em jejum, um copinho de vinho, aguardente ou licor, para "matar o bicho

CRONICAS DE CINEMA - Por Egas Branco

 Uma homenagem do Al Tejo a Domingos Maria Peças
                                O VENDEDOR (Forushande), de Asghar Farhadi
No rescaldo dos anunciados óscares fui ver uma obra do cineasta iraniano, Asghar Farhadi, "FORUSHANDE" (O Vendedor), aliás já estreada no final do ano passado nos ecrãs da nossa cidade.
E foi uma magnífica surpresa este belo filme iraniano, com um final de grande intensidade dramática, que tem como pano de fundo a representação da famosa peça "THE SALESMAN" (A Morte de um Caixeiro Viajante), de um dos maiores dramaturgos norte-americanos, que muito admiramos, Arthur Miller, já que os dois protagonistas são o casal de actores que representam os principais papéis da peça de Miller num palco de Teerão. E aqui não deixámos de lembrar o nosso grande Rogério Paulo, no mesmo papel nos palcos portugueses. 
Magnificamente realizado e desempenhado, tendo como tema a vingança, mas num ponto de vista de quem, por questões de formação e ideologia (trata-se de um professor que se percebe ser culto e humanista, pelo menos), se procura dominar, num crescendo de emoções que mantém os espectadores amarrados aos seus lugares, e é por isso que tem sido tão premiado: ultimamente com o óscar para o melhor filme em língua estrangeira, mas já o fora em Cannes e Munique, por exemplo.
Obviamente que sendo uma obra realizada por alguém que é crítico ao actual poder político no seu país - o da hierarquia religiosa dominante, o filme não deixa de apontar o dedo à censura existente, sempre sob o pretexto da moral - aos diálogos da peça de Miller, aos livros considerados pouco recomendáveis para entregar aos jovens para ler na escola. 
Sabendo-se como o imperialismo cobiça há longos anos voltar a dominar aquele grande país e principalmente as suas matérias primas (petróleo), que o seu último político progressista, Mohammed Mosaddeq, havia nacionalizado em meados do Século XX, razão porque CIA e a política britânica organizaram poucos anos depois um golpe de estado que devolveu o poder absoluto ao Xá. 
A corrupção da monarquia veio no entanto a criar condições para a revolução que deu o poder actual aos religiosos, o que não deixou de ser um revés para a política norte-americana, que através da CIA, tenta desde então recuperar a influência perdida.
No presente, complexo e perigoso, contexto internacional, o regime iraniano, visto do ponto da correlação das forças anti-imperialistas versus pró-imperialistas (como a UE, por exemplo), apresenta aspectos positivos e importantes. Talvez seja por isso também, que as grandes obras do cinema iraniano actual, embora não escondam a natureza do regime político, não o fazem com grande violência crítica.


AO FIM DE DOIS ANOS?... PODER DE COMPRA (ESTATÍSTICA)

                                               Somos mesmo os mais pobres ?
                                                           Alandroal - 64.6
                                                           Arraiolos - 72,6
                                                           Borba - 74,96
                                                           Estremoz - 95,22
                                                           Évora - 116,39
                                                           Montemor-o-Novo - 87,26
                                                           Mora - 82,42
                                                           Mourão - 70,78
                                                           Portel - 64,96
                                                           Redondo - 71,97
                                                           Reguengos de Monsaraz - 89.80
                                                           Vendas Novas - 95,9
                                                           Viana do Alentejo - 78,88
                                                           Vila Viçosa - 84,86. 
AH ESPERA LÁ…ISTO FOI EM 2015!

                                                           
                                                           
                                                           
                                                          
                                                          
                                                
                                                        

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA DIANA/FM

                                                                        MARIA HELENA FIGUEIREDO
                               REGIONALIZAÇÃO: PERDIDA EM COMBATE?
Dois meses passados sobre as eleições autárquicas e as ondas de choque continuam a fazer-se sentir.
A CDU deixou de ser a força política com mais Câmaras do distrito e abriu-se agora a disputa entre CDU e PS pela Presidência da CIMAC, a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central.
Nos últimos 4 anos tem estado à frente da CIMAC a presidente da Câmara de Montemor, da CDU, mas agora, face aos resultados das últimas eleições e ao facto de a CDU ter perdido a maioria, o panorama do distrito alterou-se e o Partido Socialista vem reclamar para si este lugar.
Esgrime a CDU que a lei exige que se conjuguem 2 maiorias para que delas emerja o ou a Presidente da CIMAC. Isto é, presidirá à CIMAC quem reúna o apoio da maioria dos presidentes de Câmara mas também a dos votos que representem a maioria dos cidadãos eleitores: E se a CDU tem apenas 5 das 14 presidências de Câmaras, as Câmaras a que preside reúnem a maioria dos eleitores.
Por seu turno, o Partido Socialista, que elegeu 6 presidentes de Câmara e diz contar também com o apoio de Câmaras ganhas por listas de cidadãos, alega que no passado não foi assim.
De qualquer forma basta pensar que só Évora tem cerca de 1/3 dos eleitores do distrito para ver como é difícil conjugar as duas maiorias.
De qualquer forma não deixa de ser interessante assistir a esta disputa, se pensarmos que o que está em causa é precisamente a estrutura que concebida em 2003 por Miguel Relvas para “enterrar a Regionalização” como o próprio à época assumiu.
E se é verdade que foi o Governo de Sócrates, que veio a concretizar estas Comunidades Intermunicipais, no último Governo Miguel Relvas voltou à sua ideia de sempre, tentando delegar-lhes poderes do Estado e só não foi mais longe porque o Tribunal Constitucional se pronunciou pela inconstitucionalidade desse modelo.
Miguel Relvas sabia que dotando a organização administrativa desta estrutura intermédia destruía a um tempo o poder autárquico democrático e a regionalização.
As CIM recebem poderes dos municípios que as integram e operam numa lógica de cooperação, não correspondem, de facto, a um nível de poder regional.
Mas também elas, ao robustecer as suas estruturas e ao desempenharem funções de apoio aos municípios e, em muitas áreas, de coordenação intermunicipal ajudam a iludir a urgência em concluir a organização democrática do Estado, como previsto na Constituição, dotando-se de Regiões Administrativas.
Ilude-se a inexistência de um poder regional que cumpra de facto o papel que constitucionalmente lhe cabe.
E é assim que o grande objectivo de Miguel Relvas vai, com pezinhos de lã, fazendo o seu caminho, ao mesmo tempo que, desistindo de uma verdadeira Regionalização, uns e outros se vão acomodando a estes modelos abastardados de exercício do poder local e, naturalmente, disputando o seu controlo.
A ver vamos quais os negócios que nos próximos dias serão feitos entre o PS e a CDU ou se a CIMAC se vai manter por mais uns tempos sem presidente.
Até para a semana.