terça-feira, 7 de julho de 2015

CINE CLUBE DOMINGOS MARIA PEÇAS - FASE V

DO CINEMATÓGRAFO PARA A PÓLIS, por Henrique José Lopes

REGRESSO AO PASSADO?

Um dia deste revi um dos mais fascinantes filmes do italiano Bernardo Bertolucci: “Antes da Revolução”, datado de 1964. Um filme poético e encantador. Motivado por tal revisão, passado uns dias, encetei uma nova viagem pela obra de Bertolucci: revisão pela enésima vez de “1900” (Novecento). Obra monumental, no tamanho (mais de 300 minutos…é só fazerem as contas) e na qualidade, realizada no já distante ano de 1976. Talvez aqui e ali um pouco datado na abordagem politica, mas permanece ainda um fresco histórico notável. Quem o viu não mais esquece a fotografia de Vittorio Storaro ou a banda sonora de Ennio Morricone. De Bertolucci, muitos se recordam sobretudo de obras como polémico “o Ultimo tango em Paris” ou o muito oscarizado “Último Imperador”. Mas a sua relação com Montemor-o-Novo, nasce de uma visita sua em 1995 no âmbito do “Festival Sete Sois Sete Luas” e nesse contexto, recordo um jantar (no qual estive presente) em Lavre, a lembrar parte do cenário do filme “1900”.
A que pressupostos surgem estes filmes agora à ribalta desta rubrica? Será o prazer de (re)ver cinema, ainda que limitado a um qualquer ecrã caseiro? Quem viu o 1900 no cineteatro curvo Semedo ainda na década de 70, sabe bem da imponência e respiração visual que o filme (hoje algo como o Widescreen) transportava (e transportará sempre que for projetado condignamente) consigo. Não esquecer que se trata de uma obra cinematográfica de uma imensa metáfora politica.
A revisão deste filme fez-me lembrar a importância da revolução dos cravos. A sua pureza original ou como escreveu Sofia de Melo Breyner: “essa é a madrugada que eu esperava/ O dia inicial inteiro e limpo/ onde emergemos da noite e do silêncio/ e livres habitamos a substância do tempo”. Tal também significa dizer que a data comemorativa desse dia mágico, não merece ser partidarizada, instrumentalizada, a fim de se proteger a sua limpidez e a sua pureza que Salgueiro Maia tão admiravelmente protagonizou. Devolveu-a a todos nós sem nada reivindicar ou lucrar para si. O 25 de abril é, pois, também a voz da Liberdade vista pelo “olhar dos cravos”.
Quando se assiste ao cúmulo de uma tentativa mascarada de (falsos) cravos de um impaciente regresso ao passado, com o dia 25 de abril deste ano a servir de anuncio da continuidade da coligação PSD/CDS para as próximas eleições, estamos para lá da ficção, do cinematográfico.
Dias depois, vimos Passos Coelho a elogiar publicamente Dias Loureiro, como se ninguém se lembrasse do BPN. Um exemplo na opinião de Passos Coelho de quem quer vencer na vida. Alguns dias depois percebe-se também pela boca do primeiro-ministro, num muito recente evento comemorativo do PSD, que o “senhor da cimeira dos Açores”, Durão Barroso, será um possível candidato à grelha de partida para as presidências. Será mesmo?
Por estas e por outras, não é que a canção “Oh tempo, volta p’ra trás” cantada pelo António Mourão (quem? …), ultimamente não me tem saído da cabeça. Será uma premonição para um eventual regresso do nacional cançonetismo (ou de uma qualquer versão atualizada do mesmo), como o antigo regime tanto gostava? Há que entreter as pessoas. Qual José Afonso ou Sérgio Godinho. Põe-las a pensar o menos possível. Torná-las conformistas. Sabiam que aquela que porventura será obra-prima de Bertolucci se chama “O Conformista” (quem não conhece o filme não conhece verdadeiramente o cinema)? As coincidências, essas, ficam só pelo titulo. E já agora, talvez eles não se esqueçam de nos voltarem a brindar com obras cinematográficas “inesquecíveis” como “Sarilho de fraldas” (1967). Qual Pedro Costa (quantos saberão que se trata de um dos maiores cineastas vivos…) e outros “chatos”? Gente que nos quer “angustiar” com pensamentos, visões profundas e nos teima em mostrar o mundo tal como ele é.
Não nos “preocupemos” com isso, pois já percebemos e até já conseguimos enquadrar melhor o contexto da decisão da escolha pela coligação Coelho/Portas da data do dia 25 de abril: é que há muito que desconfiamos que Passos Coelho anda com o livro biográfico de Salazar no banco de trás do automóvel. No fundo, a “sossegar-nos” de quem se compromete a pensar e a decidir por nós. E nós? Alegres e felizes em fieis filas de acomodação. Passos Coelho deu a matriz numa visita recente a Évora: “Ninguém tem interesse em que se aumente o seu salário para perder o emprego”. Será que é preciso fazer um desenho? …
Henrique Lopes
(In Folha de Montemor, junho de 2015)


A CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM

                                                                  
                                                                   Divan
Terça, 07 Julho 2015
No dia e à hora em que gravo esta crónica já sabemos que o “ Não” ganhou no referendo do lugar onde nasceu o conceito de Democracia.
Mas continuaremos, como nos últimos dias antes de sabermos os resultados, a tentar analisar comportamentos, adivinhar reacções, compor possíveis cenários para o que será a Europa e os países que nela se querem ancorar em espírito de união. Uma união com contrato, e não “só” de facto. Uma união com problemas de passado que não queremos para o futuro e que leva ao terapeuta, ou multidão deles, apenas um dos seus elementos. Pusemos, para já, a Grécia no divã.
divan (ou em grafia portuguesa “divã”) é, como sabemos, uma espécie de sofá, uma peça de mobiliário. Ficou famoso por ser o lugar onde os psicanalistas desenvolvem as suas atividades terapeuticas ouvindo os seus pacientes, mas a palavra original vem-nos da Turquia onde tinha o significado de Sala do Conselho do Sultão. É que essa sala estava cheia de almofadões, espécie de sofás sem braços nem encosto, e lá se aconselhava quem manda a decidir o que fazer por um colectivo. Se habitualmente e de facto a relação entre o paciente e o terapeuta é assim., de tête-à-tête, por detrás de cada um deles está uma multidão e as diferentes circunstâncias que os levam ali naquele momento.
Independentemente de gostarmos ou não do resultado imediato do gesto que pode significar uma mudança para o resto das vidas de quem tem problemas, esperamos sempre que essa mudança ocorra. Aliás, as revoluções e os mortos que elas fizeram – e é por isso que não gosto das armas, sejam em que nome forem usadas, e são para mim o último dos últimos recursos fabricados por e ao alcance da humanidade – as revoluções e as guerras já se escudavam nessa vontade de mudança. O civilizado modo de organizar entre os gregos a forma de expressão da sua proposta para solucionar a situação insustentável, a vários níveis, em que se encontram, deveria levar-nos a corresponder com o mesmo grau de civilização e civismo na prossecução do caminho de saída de um estado em que não queremos que nenhum par chegue, nem nós próprios.
Como no divã, o problema do que ali está deitado a ser analisado e “curado” é também o problema de todos os que convivem para além daquele momento e com quem, forçosamente, interagem. Mas todos irão precisar muito mais do que aquele que parece ser o mais paciente dos pacientes ficar no divã a dizer o que de mal está, à procura de solução. Há-de ser preciso sair dali e em conjunto com os que o rodeiam mudar alguma coisa para que…não, para que muito fique diferente. Deste gesto de quem a custo vai tentando sair do divã espera-se de todos os outros um correspondente gesto de ajuda, ou não vale a pena andarmos a disfarçar que o que se faz não é um caótico “salve-se quem puder”. A menos que esse seja o plano e assim não vale a pena discutirmos com mais ninguém, porque já perdemos, mais cedo ou mais tarde.

Cláudia Sousa Pereira

INVESTIMENTO NA CULTURA QUE SE :


RESUMO DE NOTÍCIAS REFERENTES AO ALENTEJO

A Câmara Municipal de Redondo vai reconverter o antigo Mercado de Redondo num Centro de Apoio às Microempresas.
Trata-se de um projeto no valor de 350 mil euros, que irá albergar oito empresas, havendo também espaços disponíveis para a realização de workshops, conferências, debates e exposições.

A Câmara de Estremoz anunciou hoje que o Governo homologou o acordo de transação que permite ao município abandonar o sistema multimunicipal Águas do Centro Alentejo.
Em comunicado, a autarquia explica que o acordo de transação visa pôr termo ao litígio entre o município e a Águas do Centro Alentejo, que existia, desde 2010, quando decidiu abandonar o sistema multimunicipal
A principal razão para a Câmara de Estremoz abandonar a empresa Águas do Centro Alentejo está relacionada com o preço que os munícipes teriam de pagar pela água.

Proibição de circos com animais em Évora: Câmara admite que poderá alargar a medida às touradas. 


segunda-feira, 6 de julho de 2015

APENAS COM A FINALIDADE DE INFORMAR – NO ENTANTO TAMBEM PODE SER ENTENDIDO COMO SUGESTÃO.

No passado Sábado o meu serão televisivo dividiu-se a ver o Argentina – Uruguai (Final da Taça América) e o Inglaterra - Alemanha (3º e 4º lugar – futebol feminino – Campeonato do Mundo). Aproveitei o intervalo dos jogos (coincidentes), para fazer o habitual zapping.   Na RTP Informação, deparei com o programa «Grande Entrevista» no qual Vitor Gonçalves entrevistava José Cid. Nessa altura da entrevista falava-se de religião e o entrevistado tecia considerações a propósito do deus Endovélico. Claro que me despertou a atenção a ponto de hoje, Domingo, ir rever toda a entrevista. Diga-se de passagem que admiro o poeta, musico, compositor e cantor em questão, que considero a par de um Vitorino, Paulo Carvalho, Fausto, Carlos do Carmo um dos grandes responsáveis pela boa música que se fez e se vai fazendo em Portugal. Do que disse José Cid apenas posso adiantar que a par de revelações totalmente desconhecidas do grande público, foi o mesmo frontal e sem papas na língua no que diz respeito a muita porcaria que enxameia a verdadeira música dita portuguesa.

Mas debrucemo-nos sobre o motivo que me chamou a atenção desta entrevista: o culto ao deus Endovélico.
Falando de Religião, José Cid, não renegando a Fé Cristã, e o culto a Nossa Senhora de Fátima (curiosamente na parte da tarde havia visto um filme/documentário, no Telecine 2, protagonizado por José Saramago e sua esposa Pilar [agora viúva], em que o mesmo renegava a existência de Deus), José Cid afirmava que a verdadeira religião que seguia era a do Deus Endovélico, historiando as origens do culto, e como o mesmo foi extinto pelos Romanos.
Só que o “devoto Endovélico” acrescentou que apenas em Sintra havia vestígios da existência do referido deus, onde se poderia encontrar uma Anta no cume da serra da referida localidade.
Esperava, confesso, que a devoção de José Cid o levasse a ter conhecimento não só dos “achados” do Alandroal, como da existência de S. Miguel da Mota, dos trabalhos desenvolvidos pelos estudiosos da questão a expensas da Camara Municipal do Alandroal e porque não do Festival que se aproxima como da recriação do referido culto.

Chego assim à sugestão:
Não seria, por quem de direito fazer chegar a José Cid não só todo o trabalho feito em prol da divulgação do Culto, das Estátuas encontradas, do futuro Museu, do Festival que se vai realizar?
Conhecida que é a “boa vontade” muitas vezes demonstrada pelo Cantor em colaborar em determinadas causas, não seria possível que o mesmo fosse atração principal numa futura Semana do Endovélico?
Pelo menos em futuras entrevistas poderia dar a conhecer que no Alandroal se trabalha e bem em prol da divulgação do deus Endovélico, e quem sabe que sendo assim tão devoto ao referido Deus não passasse a ser um visitante assíduo na nossa terra.
À consideração de quem de direito.
Chico Manuel


CASTELO DO ALANDROAL FOI CENÁRIO PARA UM EXCELENTE SERÃO MUSICAL

Teve lugar no passado Sábado o primeiro de quatro espectáculos agendados para celebrar a Semana do Endovélico e denominados «SONS NO CASTELO».
Do mesmo nos dá conta em imagens o nosso colaborador J. Claré.

OS EXECUTANTES:




PARTE DA ASSISTÊNCIA:


fotos: J. Claré

ARTISTAS DA MINHA TERRA - Maria Antonieta Matos


Tela 70X50 acrílico.

CRONICA DE OPINIÃO TRANSMITIDA HOJE NA RÁDIO DIANA/FM


                                                          Um Povo Sem Medo

Segunda, 06 Julho 2015
Ontem foi um dia histórico para a Europa e para a Grécia em particular. Bem sei que as condições de vida dos gregos não são hoje melhores do que ontem.
Bem sei que se avizinham tempos difíceis para os gregos, talvez os mais difíceis das suas vidas. As instituições europeias, dominadas pela ditadura do sistema financeiro, irão nos próximos dias tentar aplicar uma posição de força para tentar impedir que o vírus democrático e da esperança não se alastre por essa Europa fora. Bem sei que estamos apenas no princípio de uma longa caminhada.
Mas também sei, e que alegria que me dá e que história já ninguém me tira para um dia contar à minha filha, que no dia 5 de Julho de 2015, um povo de um país à beira deste nosso Mediterrâneo, conseguiu a mais difícil das vitórias nos nossos tempos: Vencer o Medo e a Chantagem! Quando o BCE decidiu cortar o financiamento à Banca Grega, quando a Indústria Farmacêutica deixou de fornecer alguns medicamentos vitais às farmácias locais, quando todos os nomes mais “poderosos” da Europa procuraram pressionar, ameaçar, violentar, a maioria de um povo foi capaz de dizer NÃO, foi capaz de gritar BASTA!
Hoje, é apenas e só o primeiro dia das nossas vidas. Mas que lindo dia! Vivemos tempos onde um verdadeiro governo decidiu colocar a política em primeiro, dar voz ao seu povo, colocar a reestruturação da dívida no centro do debate e denunciar, de uma forma clara, o que a política dos Conservadores e do Partido Socialista Europeu tem feito às pessoas.
Fica claro, como nunca, qual o diretório da União Europeia. Mas também fica claro que perante o ultimato dos credores de dívidas impagáveis e de receitas austeritárias que apenas acentuam as desigualdades sociais e geram mais dívida, a resposta está na democracia.
E não se esqueçam que à direita se juntou António Costa e o seu aparelho, apelidando o governo grego de irresponsável. Realmente que irresponsabilidade esta de colocar a política no centro do debate, de colocar as pessoas em primeiro lugar.
Mas hoje é um novo dia. Falemos do futuro, com a certeza que a solidariedade entre os povos e o controlo público e democrático do sistema financeiro são a resposta para a crise em que a Europa mergulhou.
Até para a semana!
Bruno Martins

PARA OS AMIGOS DE S. BRÁS DOS MATOS NÃO HÁ DEFESO


             Centro Recreio Popular da Boa Fé - 0 «Amigos de São Brás dos Matos» - 4



RECEBIDO COM PEDIDO DE DIVULGAÇÃO

José Manuel Elizeu Pinto será o cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda às Eleições Legislativas 2015 pelo círculo eleitoral de Évora.
Nota Curricular:
José Elizeu Pinto tem 62 anos e é sociólogo (licenciado em Sociologia pela Universidade de Évora), técnico superior e dirigente da Administração Pública, investigador universitário e gestor público, aposentado.
 Actividade profissional:
·         Professor do ensino secundário (1975 a 1984);
·         Técnico superior do quadro de pessoal da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (1984 a 2009);
·         Investigador (demografia; pobreza/condições sociais) e docente (demografia, estatística e análise de dados), na Universidade de Évora (1992 a 2007);
·         Presidente do conselho directivo do Centro Regional de Segurança Social do Alentejo (1996 a 2000);
·         Membro da comissão de instalação do Instituto de Solidariedade e Segurança Social (2000) e vogal do conselho directivo do mesmo instituto, com funções de administrador-delegado regional de Solidariedade e Segurança Social da Região do Alentejo (2001 a 2002);
·         Chefe de Divisão de Informação na Direcção-Geral das Pescas e Aquicultura (2008 a 2009);
·         Dezasseis trabalhos publicados, dos quais quatro como autor e doze em co-autoria.
 Actividade cívica, política e associativa:
·         Dirigente estudantil e fundador da Associação de Estudantes da Universidade de Évora, de que foi presidente da Assembleia Geral e presidente da Direão;
·         Membro fundador da Society for the Study of Economic Inequality (ECINEQ);
·         Membro  da  direão  da  Associação  Musical  de  Évora Eboræ  Mvsica  e  vogal  na  direcção executiva do Conservatório Regional de Évora;
·         Coralista (baixo) no Coro Polifónico «Eboræ Mvsica»;
·         Autarca, eleito pelo Bloco de Esquerda na União das Freguesias de Évora, integra o executivo da Junta de Freguesia, no actual mandato.
 Filiação associativa:
·         Associação Cultural do Imaginário
·         Associação José Afonso
·         Associação Musical de Évora Eboræ Mvsica
·         Associação Reblica & Laicidade
·         Instituto de Estudos para o Desenvolvimento (IED)
·         Sociedade Harmonia Eborense

·         Transparência e Integridade, Associação vic